É uma tranquilidade vir aqui e dizer que passei, que eu vou, que está consumado. Mas gente, como diz a música, "você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...". Preferi não dizer a muita gente que eu estava concorrendo a uma vaga no Ciência sem Fronteiras, por isso quase ninguém sabe de tudo que aconteceu ao longo dos últimos meses. Lá vai um pouquinho dessa trajetória:
A ideia
Alguns amigos já haviam falado sobre o Ciência sem Fronteiras (assunto do próximo post, com detalhes sobre o programa!). Cheguei a me inscrever pelo site uma vez, mas não dei continuidade ao processo porque me envolvi em outros planos. Em Agosto, quando voltei de Londres, decidi que voltaria pra lá de qualquer jeito. Só faltava uma oportunidade.
Na mesma semana, um aluno meu falou sobre um colega de faculdade que estava nos Estados Unidos, pelo Ciência sem Fronteiras. Sabe quando te dá aquele estalo interno, e tudo começa a fazer sentido? Cheguei em casa, liguei o computador e vi inscrições abertas para o Reino Unido. Maravilha, né?
O primeiro milagre
Além da inscrição pela universidade, é preciso fazer uma prova de proficiência em inglês (ou outro idioma, dependendo do país) para o programa. Entrei no site do British Council, por um dos computadores da Universidade, e vi que tinham inscrições abertas para o IELTS. No caminho de volta pra casa, comecei a conversar com Deus sobre como eu queria essa chance, mas deixando muito claro que, acima de tudo, a vontade dele fosse feita :)
Passaram uns dias, e quando eu fui realizar minha inscrição para a prova, vi que as vagas tinham acabado. Não fiquei nem perto de nervosa. De alguma forma, eu estava muito calma. Orei mais uma vez, confiando que aquela não era a resposta definitiva.
No domingo seguinte, dia 2 de setembro, eu estava deitada na minha cama - com enxaqueca, pra variar. Do nada (mesmo! porque não costumávamos tocar nesse assunto), mamãe perguntou sobre o exame, e eu disse a ela que tinham acabado as vagas. Comecei a me culpar por dentro, lembrando que durante a semana eu não tinha verificado nada no site.
Eu sabia que a próxima data disponível era 15 de setembro, e havia uma regra de que só se pode fazer a inscrição pelo menos 15 dias antes da prova. Ou seja, "game over". Disse a mamãe que não dava mais, mas ela não se contentou com essa resposta. Pegou o computador e pediu que eu abrisse o site.
Estava lá, gente. Vagas abertas para Campina Grande (bem pertinho aqui de Natal). Fizemos a inscrição ali mesmo, e mamãe falou: "Filha, Deus tem alguma coisa pra você com isso." E não é que tinha?!
Um porém
Fui até a Secretaria de Relações Internacionais da UFRN conversar sobre o processo. O Rannieri, que me atendeu, ficou super animado. Disse que meu IRA (Índice de Rendimento Acadêmico = notas) era excelente, e que como eu era professora de inglês as chances de ser aprovada eram muitas. Daí ele perguntou se eu tinha alguma bolsa em programas de iniciação científica. Quando disse que não, ele praticamente murchou: "Vixe... porque isso conta muito, sabe?".
E quando o negócio aperta é que eu gosto. Fui pra casa decidida a conseguir uma bolsa. Postei no Facebook que tava precisando, mesmo que não fosse remunerada. Uma amiga linda me indicou a um professor e em 15 minutos estava tudo resolvido. No dia seguinte, meu nome já estava cadastrado no sistema da UFRN como bolsista. Comecei a acreditar que isso era realmente pra mim...
Furando a greve
Um dos documentos que precisávamos preencher pedia nosso número de passaporte, que deveria ser válido até 2014, pelo menos. E o meu expirava em maio do ano que vem! Todo mundo sabe que pra agendar a emissão do passaporte na Polícia Federal leva pelo menos um mês. Mas eu definitivamente não tinha esse tempo.
A Secretaria de Relações Internacionais da UFRN me entregou um documento comprovando que eu tinha urgência na retirada de um passaporte. Entrei no portal da PF, agendei a retirada pra um dia qualquer, paguei o boleto e fui pra Polícia na cara e na coragem.
Cheguei lá e vi uma faixa gigante, amarela: Polícia Federal em greve. "Que maravilha!", eu pensei. Mas não me detive. Entrei, e uma moça me perguntou se eu tinha agendado. Disse que sim (cara de pau!) só que láaaa pra dali a um mês.
- Mas minha filha, você não viu que a gente ta em greve? - disse ela. - Tem pouco atendente aqui pra muita demanda, a gente não pode sair encaixando ninguém, e bla bla blaaaaa...
Daí eu reuni toda a minha coragem:
- Moça, eu não posso perder a chance da minha vida por causa de um agendamento, ou por causa de uma greve. Eu vou estudar no exterior ano que vem. Por favor, tira meu passaporte!
E o final foi feliz: em dois dias já estava com o número do documento em mãos :)
O peso de um nome
Eu diria que 99% das pessoas que me conhecem acham que eu estudo Jornalismo. Mas por favor, não. O nome do meu curso (que amo, por sinal!) é Rádio e TV. Existe, porém, uma outra nomenclatura mais antiga, que a UFRN ainda adota: Radialismo.
Das poucas vezes que disse às pessoas que eu estudava Radialismo, ouvi algumas atrocidades do tipo:
- Ah, é tipo aquele negócio de tirar Raio X?
Radialismo se refere ao serviço de radiodifusão, que é prestado pelos veículos de comunicação como rádio e tv. Mas perdi a paciência de explicar isso pras pessoas, e digo logo que faço Rádio e TV.
Quando a Secretaria de Relações Internacionais traduziu meu histórico, o nome do curso ficou como "Radialism". Pesquisei na internet e vi que esse termo praticamente não existe em inglês, e não é usado na área acadêmica. Fiquei com medo de isso se tornar um problema no processo. Vasculhei a internet em busca de um documento do Ministério da Educação confirmando que Radialismo e Rádio e TV são a mesma coisa. Imediatamente mandei um email pra SRI, pedindo a alteração no nome do meu curso.
O resultado: eu sou a única pessoa na UFRN que oficialmente estuda Rádio e TV, e não Radialismo :D
Bom, o processo de inscrição foi oficialmente encerrado no dia 01 de outubro. De lá até dia 12 de novembro, quando recebi o resultado, vivi à base de muito chocolate pra deter a ansiedade. Foi difícil demais esperar, mas quando li o email dizendo que fui selecionada, parece que todo o nervosismo foi embora. É sempre maravilhosa a sensação de um sonho se tornando realidade, né? E eu to assim, nas nuvens...
Beijo e até mais!
~ Faltam 46 dias