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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Explicando o IELTS [vídeos]

Oi, todos!

Entre os temas mais recorrentes das perguntas no ask.fm, está o temido IELTS - o teste de proficiência em inglês...


Pra tentar acabar de vez com os pontos de interrogação, resolvi fazer um vídeo pra contar sobre o processo. Simples e fácil, né? NÃO, porque eu falo demais. Gente... o vídeo final ficou com uns 40 minutos! Daí, com pena de todas os que genuinamente se interessam pelo assunto, eu resolvi pelo menos dividir meu monólogo em duas partes.

Na parte 1 eu dou uma visão geral sobre a prova, contando pra quê ela serve, como funciona a escala de pontuação e como foi a minha preparação para o exame como um todo. Pra assistir, é só clicar na imagem abaixo.


No final do primeiro vídeo, tem um link pra parte 2, que é onde eu falo sobre as quatro modalidades da prova: listening, speaking, reading e writing. Se você quiser pular direto pra ela, é só clicar na imagem abaixo.


Bom, gente, espero que o vídeo ajude a responder as possíveis perguntas sobre o IELTS - que é de fato uma etapa estressante do processo. Se ainda ficarem dúvidas, é só mandar lá pelo ask.fm!

Beijo pra vocês \o/

terça-feira, 6 de maio de 2014

Escolhendo a universidade

Oi, todo mundo!

Em primeiro lugar, vocês notaram a barra de endereço do navegador? Vocês notaram que é naterradebeth.COM? Sim, estamos mais finos do que nunca. Somos um site! Aêeeee! Estou adorando essa ryqueza.

Mas vamos ao tema. É uma das coisas mais difíceis de todo o processo. É a parte em que as decisões parecem impossíveis de serem tomadas, porque são tantos fatores a considerar que os cabelos caem e a gente sai pesquisando na internet tudo quanto é guia universitário. Que faculdades colocar na sua lista de opções? E como organizar as prioridades? Já recebi essa pergunta algumas vezes no ask.fm...


Não tenho mesmo uma fórmula pra isso, mas tenho a minha experiência - que foi mega feliz. Não me arrependo nem um pouco da universidade que escolhi. E aí vão as coisas que eu levei em consideração:

***

Definir o curso

Como eu já disse um catupilhão de vezes, eu estudo Rádio e TV na UFRN. Mas meu sonho era estudar Cinema. Eu sabia que seria mais fácil entrar em cursos como Media Studies, Media Production e coisas mais relacionadas a Comunicação Social. Porém, se essa era a oportunidade da minha vida para estudar Cinema, eu não ia deixar de me inscrever por medo.
Uma coisa que notei no Reino Unido é que as Universidades muitas vezes oferecem cursos de graduação bem mais específicos dentro de uma área. Para o curso de Arquitetura, por exemplo, algumas das opções possíveis são Architectural Technology, Interior Architecture, Landscape Architecture, Urban Planning. Lembro de uma vez ter visto um curso chamado algo do tipo Psicologia Aplicada a Video Games. Oi? Segmentação nível hard, né?

Então por mais sacal que isso possa parecer, você vai precisar olhar currículos, ementas, etc e tal pra descobrir se qual curso te oferece o que você quer. Considere também a relação teoria x prática. Dificilmente você vai conseguir uma universidade perfeita, mas com certeza alguma, mesmo com as limitações, vai conquistar seu coração.


Comparar Curso x Localidade

Imagine que você quer estudar Moda. E que você quer ir pra Itália. Você também gosta de vinho, paisagens maravilhosas e coisas rústicas. Mas me fala uma coisa: pra estudar Moda, é melhor ir para os campos verdejantes da Toscana ou para Milão?

Esse tipo de relação pode não fazer sentido pra todo mundo, mas se você valoriza a prática, não deixe de considerar isso. Como estudante de Cinema, eu não iria pra nenhuma outra cidade a não ser Londres. E quando estava lá vi que tinha razão na minha escolha. Tive acesso a facilidades e eventos que em outros lugares eu não teria.

Nesse meio, tem uma pergunta importante a se fazer, e que deve ser respondida com honestidade pra você mesmo: o que você quer mais que tudo? Estudar determinado tema ou morar em determinado lugar? Não é errado querer aproveitar o intercâmbio para dar ênfase a uma vivência que você espera ter no nível pessoal, por exemplo. Contanto que você esteja fazendo sua parte nos estudos, isso realmente não é um problema. Se você ama os campos verdejantes da Toscana mais do que tudo - mais do que estudar Moda - dá um chute no bumbum de Milão e vai com tudo viver uma Passione bancada pela Dilma por lá. Mas não conta pra minha mãe que eu falei "bumbum".


Curso x Universidade

Você escolheu o curso, sabe em que cidade quer ficar. E quando tem mais de uma opção de universidade? É aí que entram os guias e as visitas incontáveis aos sites das instituições. Páginas como o Complete University Guide classificam as universidades em rankings, os quais levam em conta também a percepção dos alunos que estudam ou se formaram lá.
Considere também as ementas dos cursos descritas nas páginas das universidade, e procure saber das instalações: como é a biblioteca? E a acomodação? O campus é legal? Bem localizado? Te oferece o que você precisa?

***


Sempre tem mais coisa, gente, mas acho que levar isso em conta é um bom começo. Eu lembro que, quando encontrei universidades que tinham o curso que eu queria, fiz uma tabela lindíssima no word, mais ou menos assim:


Aliás, essa aí foi a minha ordem de escolha mesmo ;)

Gente, espero ter ajudado. É uma decisão chatinha, mas importantíssima. O seu nível de satisfação com a universidade e o curso vai interferir muitíssimo no aproveitamento do seu intercâmbio. Então dedique tempo mesmo procurando as melhores alternativas e vai com tudo!

Falar disso deu uma saudade monstruosa da minha Roey linda...


Primeiro dia visitando a universidade

É isso, gente. Um beijo pra vocês e até a próxima \o/

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Em L-O-N-D-R-E-S!

Oi, gente! Finalmente estou postando de Londres \o/

Meu voo de conexão pra cá foi super tranquilo. Uma hora e meia de viagem, só. Eu sei que sempre tiro essa mesma foto, mas é que não resisto à vista maravilhosa das nuvens. O céu tava lindo demais!



Nem parecia inverno, com esse céu azulão... e pra completar, os comissários ainda serviram um iogurte com frutas e cereais maravilhoso da Mövenpic. Alma de gorda aqui não resistiu!


No desembarque também, nenhum problema. Minhas malas chegaram sãs e salvas, não precisei passar pela alfândega, e agora tenho um carimbo lindo do Reino Unido no meu passaporte. Enquanto me deslocava até o hotel, vim no taxi tentando olhar Londres com outros olhos. Tentando me acostumar à ideia de que, pelo menos por um ano, esta vai ser a minha cidade, a minha casa. Deu um friozinho bom na barriga...

Cheguei no hotel e sofri quando abri a porta do quarto. Olha que tristeza essa cama de casal bem fofinha só pra mim! Já coloquei meu ursinho Golias posicionado, esperando a hora do nosso ronco.



Bom, mas apesar dessa vista tentadora, o descanso demorou a chegar! Eu sabia que tinha uma missão pra hoje: comprar roupa. Peguei um busão até o aeroporto, um trem até o centro de Londres, parando na estação de Paddinton. Essa feinha aqui, ó:


De lá, peguei um metrô até a Rua Oxford, que é onde todas as lojas possíveis e imagináveis ficam. Quando cheguei lá, passava um pouquinho das 14h, mas pelo céu não dava pra saber nunca que era tarde... Engraçado, há alguns meses estive neste mesmo lugar, e o cenário era totalmente diferente!


Mas gente, não é brincadeira não, hoje eu vi que, definitivamente, eu odeio comprar roupa. Não tem quem me faça gostar. Não é questão de ter ou não ter dinheiro suficiente. Hoje eu tava com um orçamento lá em cima, já que não trouxe roupa praticamente nenhuma, e em 4 horas andando não consegui chegar nem à metade do que precisava comprar. Na segunda loja, eu já tava de saco cheio, querendo que alguém me tirasse dali. Se eu pudesse escolher uma pessoa pra me salvar naquele momento, seria minha irmã Mariana. Tenho certeza que, no meu lugar, isso não seria problema nenhum pra ela.

E além da falta de paciência gente, tem uma questão importante: eu sou uma assassina da moda. Sério, é raro eu conseguir me vestir realmente bem. E aqui em Londres, as pessoas são simplesmente lindas e maravilhosas, muito, mas muito bem vestidas! Daí minha estratégia é a seguinte: eu comprei algumas coisas só pra ir sobrevivendo. Na segunda, quando começarem as aulas, eu vou fazer anotações sobre como as meninas se vestem, e depois me aventurar na tortura de novo. Haja paciência!

Já passava de 18h e eu estava morta de cansada. Desde ontem, às 9h, eu não dormi praticamente nada! Foram uns cochilinhos ou outros no avião, mas nada que passsasse de meia hora, tenho certeza. Já são mais de 34 horas no ar, né? E pra completar, a gênia aqui resolveu usar uma bota de salto hoje. Ok, o salto é baixo, mas é salto. E quem me conhece sabe que eu nasci pras Havaianas e tênis. Meu pé tava doendo muito, e eu já tava morrendo de fome! Meu almoço hoje não foi bem um almoço. A não ser que você considere bolinho de chocolate branco com framboesa e cappuccino uma refeição de verdade! Mas que tava bom, tava!



Bom, peguei novamente o metrô, o trem pra chegar ao aeroporto, e finalmente o ônibus do aeroporto pro hotel. Eu estava crente e abafando que já era a rainha do transporte público, né? Mas minha gente, escrevam uma coisa: Ana Luiza não consegue sobreviver sem uma encrenca de vez em quando. Sim, com menos de 12 horas aqui, eu já consegui arranjar uma história pra deixar minha mãe de cabelo em pé!

Simplesmente perdi a parada do ônibus! Percebi que alguma coisa estava errada no caminho, porque já estávamos numa rua super afastada das avenidas dos hoteis. Perguntei ao motorista qual era a melhor opção pra voltar. E ele disse que a ÚNICA era caminhar de volta. Imagina a cena e o estresse... Eu, às 20 horas, no frio e no escuro, numa rodovia onde não tinha uma alma viva além dos motoristas nos carros, cheia de sacola na mão, com o pé pedindo arrego, morrendo de fome e de vontade de fazer xixi (ah, eu falo mesmo! Quem não tem?). Na boa, gente... eu devo ter andado uns 2km! Mas ó, não precisa ninguém se preocupar, to viva!

Cheguei no hotel esbaforida, e ao entrar no elevador tive um ataque de riso. Eu estava simplesmente horrível! Além da cara de morta, eu tava toda descabelada. Não resisti e tirei uma foto do meu momento “diva”.


Bom, eu comprei um lanchinho enquanto ainda estava no centro, pra não ter que jantar no restaurante do hotel. Certamente eu teria que vender um rim meu pra pagar pela comida... Minha ideia era pra economizar, só que com toda a demora pra voltar, a comida já estava gelada! Gelada mesmo, incomível. E aí eu tive uma ideia extraordinária: esquentei o wrap com o secador de cabelos. E não é que deu certo?


E olha, se tem uma coisa que eu não gosto são esses dilemas fisiológicos, tipo quando a gente ta com fome e sono ao mesmo tempo. Hoje meu problema era a fome e a vontade de tomar um banho. Cada um falava mais alto que o outro. Mas como eu não gosto de deixar ninguém chateado, enchi a banheira e jantei lá dentro mesmo. Fina demais, né não?


E é isso... Depois desse dia que rendeu um monte de história, eu vou finalmente dormir!

Um beijo pra vocês e até amanhã :)

Um "Hallo" pra vocês!

Hallo, genteeee! To falando assim, chique, porque to aqui em Frankfurt, na Alemanha, esperando meu voo de conexão pra Londres. Vou contar como é que foi a chegada até aqui :)

Quando fui comprar minha passagem, vi que os voos saindo de Natal na primeira semana de janeiro estavam carérrimos! Alguns chegavam a passar dos R$6.000. Tudo bem que Mãe Dilma ta me dando uma mensadinha gorda, mas esse valor realmente extrapolava demais o auxílio-deslocamento previsto pelo programa. A solução foi achar uma passagem saindo de Recife. Comprei meu bilhete pela Condor – um voo com conexão em Frankfurt, saindo dia 1 de janeiro. 1 DE JANEIRO! Me fala, quem é a doida que faz a família viajar mais de 300km no primeiríssimo dia do ano??? Eu, claro.

Depois de uma maravilhosa noite de ano novo ao lado de bons amigos, minha família e eu fomos descansar as poucas horas que nos restavam até a viagem. Saindo de casa mais ou menos às 10h da manhã. Mesmo com o Revéillon na noite anterior, alguns amigos lindos foram em dar um abraço de despedida, e minha super-amiga Xu até topou ir com minha família me levar até Recife.

A viagem foi tranquila. Chegamos no aeroporto com folga no tempo. Na fila gigantesca do almoço, me dei conta de que a roupa que eu tinha levado pra trocar tinha ficado em casa. Eu estava de short, com uma blusa velhérrima e havaianas no pé. Se você me visse por lá, não ia acreditar nunca que esta criatura que vos fala estava realmente indo pra Londres. Glamour zero, né?

Comi o pior sanduíche do Subway da minha vida, enquanto ainda pensava em como iria arranjar uma vestimenta decente. Cheguei a cogitar trocar de roupa com Xu, mas me caí na real e me lembrei que ela tem pelo menos 15kg a menos do que eu. Tavez ficasse um pouquinho apertada... mas só um pouquinho! Me recordei da blusa de manga comprida, da meia calça e do sneaker que tinha colocado na mochila. Pronto. Já tinha minha roupa! Meu look final foi meia calça preta por baixo do meu short jeans velhinho, um casaquinho preto e minha bota. Fiquei belíiiissima – só que não.

Antes de me trocar e virar essa diva da moda, entretanto, teve todo o auê do check-in. Minha gente, QUE TRAUMA! Enquanto eu ainda estava na fila, teve uma confusão de família feia! Rolou até um gordinho partindo pra cima de um alemão 2m maior que ele. Corajoso, né? Mas não chegaram a se estapear mesmo não. Depois de uns xingamentos e chororôs, parece que ficou tudo bem. E é óbvio que minha família, eu e Xu ficamos devagando sobre o conflito. Criamos a versão de que o cara que partiu pra briga era pai de uma das crianças que estava com a mulher do alemão – que seria, no caso, a ex-mulher dele. Ele não queria que o filho partisse com o “novo papai” e tentou reter o passaporte dele, gerando a confusão. Fala aí se a gente não tem dom pra roteirista!

Chegou a minha vez de despachar as bagagens, e estava eu bela demais com shortinho, camiseta e havaianas (como disse, até então eu não tinha me trocado). Quando entreguei meu passaporte, o atendente pediu que eu lhe desse o número da reserva. Encontrei no celular e passei pra ele o número. Ele autorizou que eu colocasse minhas malas na esteira, pra logo em seguida dizer que eu estava excedendo meu limite de 20kg. Para tudo, né? Viagem internacional saindo do Brasil nos dá direito a 2 bagagens de até 32kg cada. Pelo menos disso eu sabia bem.

Na fértil imaginação daquele homem, ele começou a fantasiar em voz alta, me dizendo que eu era residente da Europa, provavelmente tinha vindo passar férias no Brasil, e por isso só tinha direito a 20kg. Com minha paciência ainda fresquinha, eu disse a ele que eu era brasileira, morava no Brasil e que a última vez que havia estado na Europa tinha sido em Agosto. Eu não estava “voltando pra casa” - era uma viagem completamente diferente.

Mas ele insistiu em sua teoria louca e o clima esquentou. Ele falou, com a educação de um cavalo selado, que eu teria que apresentar o bilhete impresso pra comprovar que eu tinha direito aos 32kg. Aí eu já tinha virado um siri na lata, esquentei mesmo e ele “””””””delicadamente“”””””” disse que estava cancelando o atendimento, e que eu só voltasse quando tivesse o bilhete impresso em mãos – coisa que nenhuma companhia aérea pede!

“Meu bem” - disse eu silenciosamente -, “de onde você quer que eu faça nascer um computador e uma impressora pra imprimir o bilhete?”. Mas foi aí que entrou em cena meu irmão-heroi. É sério. Ninguém precisa de Super Homem quando se tem Filipe por perto. Numa velocidade inacreditável, ele encontrou uma lan house e imprimiu o bilhete pra mim. Sério, gente, acho que ele não levou nem 5 minutos! Lindo, lindo, lindo! Brigada, Rato, por me salvar!

Fui enfrentar de novo aquele doce de pessoa, e como eu já estava com o juízo em chamas, minha vontade foi de pedir pra ele ler o papel em voz alta. Ele ainda teve a audácia de ser extremamente grosso com meus pais, acreditam? Foi realmente um bruto. No final de tudo, ele estava erradíssimo. Não digo isso nem por ele querer confirmar a informação (apesar de que eu tinha provas demais de que não era residente da Europa, que não estava retornando pra lugar nenhum), mas principalmente pela forma como ele nos tratou.

Passou. Como recompensa pelo estresse, papai pagou por 2 preciosos minutos naquelas cadeiras de massagem pra mim e pra Filipe. Renasci, gente. Passou o mau-humor num instantinho. Fui me trocar e começaram as despedidas. Eu estava tão feliz que não tive nenhuma vontade de chorar. Estou consciente da saudade que me aguarda, mas a alegria de estar embarcando pra viver um sonho era tão grande que as lágrimas passaram longe.





Cheguei na sala de embarque, e logo começaram a chamar pro nosso voo. Olhei pro cartão de embarque e vi que meu assento era o 9E. Pela letra, eu sabia que ou estaria num assento no meio ou no corredor – tudo o que, até então, eu menos queria.


Mas gente, eu quebrei a cara! E como! Entrei no avião e fiquei instantaneamente impressionada com o espaço entre as cadeiras. Olhei mil vezes ao redor pra ver se estava no lugar certo. Vi também que a cadeira do meio, onde eu estava, era a mais confortável da fileira. Alguma coisa estava muito errada... e estava mesmo! Minha gente, eu fui elevada à classe Premium! MUITA, MUITA, MUITA fineza!!!

Depois fiquei pensando que o atendente pode ter se arrependido e me colocou naquele lugar mara... Aproveitei todas as horinhas preciosas daquele luxo que ganhei de presente. Minha alma gorda não deixou barato pra nada do que foi servido. Quase fiquei com vergonha de ter comido mais que os dois homens que estavam ao me lado. Quase. Chutei o pau da barraca e comi com fé, como se não houvesse amanhã. O rango estava maravilhoso.

Apesar de todo o conforto e espaço de sobra, eu não consegui dormir mais que 30min durante todo o voo, que teve mais de 9h. Eu não estava entendendo o porquê, mas então lembrei que à tarde eu tinha tomado meu remédio pra enxaqueca. Como ele tem muita cafeína, sempre tenho insônia quando tenho :( Resultado: tomei o remédio pra não ter dor e agora to com dor de cabeça porque não dormi. Que beleeeeeeza!

Desci do avião e meu maxilar congelou imediatamente. E ainda mais estando com essa meia calça ~super~ quente, tá uma maravilha. Do avião até o portão central do aeroporto, o sistema de aquecimento é zero. E a temperatura tá uma belezinha: 2˚C. Mas calma, mãe, onde eu to agora tá até quentinho, na medida do possível! Procurei logo um lugar em que me sinta em casa... olha aí o M mais lindo do mundo!!!


Bom, agora é só esperar. Daqui a pouco menos de 2h vou estar a caminho do meu destino final.

Beijo e até logo!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Me belisca, que tá chegando...

Sabe o que é acordar com a ideia de que amanhã você vai estar vivendo uma nova vida, assim, como num passe de mágica? Ok, ok, o processo pelo qual eu passei não tem nada a ver com essa expressão. Foram tantas unhas roídas, tantos cabelos perdidos, choros e ataques de raiva, vontade de mandar todo mundo sumir da minha frente, de agarrar no pescoço de muitos atendentes de telefone e um frio na barriga que cada hora queria dizer uma coisa: ansiedade, alegria, nervosismo, emoção...

Mas agora, quando minha contagem regressiva marca apenas o número 1, tudo parece ter sido tão lindo e fluido! A realidade de que o processo de preparação terminou e que agora eu vou viver o sonho me faz esquecer das tantas vezes que quis arrancar os cabelos por causa do Ciência sem Fronteiras.

Deus é muito lindo e paciente comigo. Por que é que eu ainda ouso duvidar que as coisas vão dar certo, hein? Não dá pra explicar tanta insegurança na vida de alguém que tem experimentado todos os dias o favor dele... Eu tava quase rasgando as roupas até semana passada porque meu visto não chegava de jeito nenhum! Mas na quinta-feira da semana passada... tchraaaaam... ele estava lindo e loiro no aeroporto, esperando por mim. GENTE, para tudo, EU TENHO UM VISTO, okaaaaayyyy? Estou horrível na foto, mas quem liga pra isso???


Ah! Tenho que deixar aqui um agradecimento cheio de amor à minha família do Rio, em especial a minha prima Fran e meu tio Carlinhos, que se viraram nos 30 pra me levarem até o consulado e depois pra fazerem esse visto chegar aqui a tempo. Vocês são demais!

Bem, fora o estresse de esperar o visto, os últimos dias também foram de momentos muito felizes. Eu não quis organizar nenhuma despedida, porque sei que tenho as emoções meio tronchas. Quando to triste, por exemplo, eu não fico aquela pessoinha meiga que chora baixinho pra ser consolada... eu viro praticamente um cavalo, de tão doce. Daí, por amor à minha vida e à dos meus amigos, eu preferi não chamar nada de "despedida" - foram só algumas confraternizações com pessoas que realmente fazem a diferença pra mim!

Revi o pessoal do estágio que deixei no meio do ano, me encontrei com minha turma maravilhosa do Ensino Médio, fui jantar com amigos celebrando 10 anos de amizade e minhas grudinhas Tacy e Xu me levaram pra uma tarde gordelícia pra comer ginga com tapioca na praia, com direito a sorvete depois! Quer melhor do que isso?


Também tive um Natal muito feliz com pessoas que amo demais. Fora a alegria que foi ter minha irmã aqui com a gente. Ela ta morando na Suíça agora, e passou aqui só pra fazer a gente sorrir e já foi embora. Finalmente conseguimos ter a família Augusto completa novamente!


Minha preparação também envolveu muitas idas ao médico um "tapa no visu". Resolvi fazer mais uma mechinhas, porque esse negócio de ficar loira é realmente viciante! Eu simplesmente não suporto salão de beleza, mas me submeti a duas manhãs inteiras de tortura e acabei gostando do resultado final.


Bom, eu sei que é difícil de explicar, mas apesar de ser uma pessoa bagunçada, eu gosto de me organizar. Amo planilhas, tabelas e gráficos me dizendo o que fiz, o que devo fazer, quanto gastei, enfim. Daí fiz um calendário gigante com compromissos e coisas que eu tinha que resolver antes da viagem e colei na parede do meu quarto. Foi ótimo conseguir visualizar tudo sempre antes de dormir e saber como seria o dia seguinte. No final, deu tudo certo :)


Ok, QUASE tudo certo! O que eu não consegui mesmo foi terminar de arrumar minha mala. Gente, o que é isso? Acho que nunca senti tanta preguiça em toda a minha vida... No primeiro dia eu tava com a corda toda, aí tirei tudo do meu armário pra ver se arrumava mais rápido. Agora me pergunte se eu consegui acabar! Que nada! Eu sei que isso é muito cara de pau da minha parte, mas vou compartilhar o drama do meu quarto com vocês neste momento:


Mas pelo menos não podem dizer que não avisei :D


Bom, acho que é só... Espero que vocês tenham um lindo último dia do ano, e que em 2013 possam colher todas as coisas boas que plantaram!

Nos vemos amanhã, em um novo ano, cheio de sonhos e cheio de realidade!

Beijo

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O fator Inglês

Como já mencionei aqui, um dos requisitos para eu ter conseguido minha bolsa foi comprovar que falo inglês. Nos editais, cursos e mesmo experiências no exterior não valem. É preciso fazer um teste de proficiência. Não sei quantos existem disponíveis por aí, mas os mais aceitos e requisitados por universidades e programas de intercâmbio são o TOEFL e o IETLS. A está basicamente no órgão que realiza as provas. O IELTS, que é o que eu fiz, é uma prova da universidade de Cambridge, e trabalha com inglês britânico.

Estudei em uma escola de inglês americano durante 7 anos, e fui professora por outros 5. Ainda não me sinto totalmente confortável com inglês britânico, até porque não havia tido contato quase nenhum com ele até o meio deste ano, quando visitei Londres. Sendo assim, fazer o IELTS foi muito mais uma questão de conveniência do que livre escolha, já que as datas para o TOEFL estavam esgotadas. Aliás, já contei aqui no blog como conseguir uma vaguinha no IELTS foi uma coisa milagrosa. Tá no post Pra chegar até aqui.

A prova não é difícil. Definitivamente. A única coisa que complica o IELTS é o tempo. A prova é complexa, mas muito corrida. Ela é dividida em 4 modalidades: prova escrita, oral, de compreensão auditiva e de texto. Achei a oral e a de compreensão auditiva bem tranquilas mesmo, mas tive que correr muito pra conseguir terminar as duas outras.

Ok, mas depois de três parágrafos, quero dizer que o teste de proficiência não é exatamente o tema central do post. Queria falar como fiquei impressionada em ver as pessoas perdendo os cabelos por terem que fazer uma prova de proficiência em inglês. Isso reflete o quanto o ensino de língua estrangeira do nosso país ainda está longe de ser colocado no rol das prioridades da Educação. 

Nas vezes que fui à Europa ou estive com Europeus, sempre acabei sendo questionada sobre onde aprendi inglês. Quando respondo que paguei 7 anos por um curso fora da escola, as pessoas ficam realmente perplexas, sem acreditar. E se eu faço a mesma pergunta pra eles, a resposta é uma só: “aprendi na escola”.

A grande verdade é que a gente sai do Ensino Médio sabendo – e muito mal – os pronomes pessoais, o verbo to be, e uma expressão ou outra muito mal falada. O que passa disso é um luxo. Aprender novo vocabulário é olhar figuras e decorar e traduzir listas enormes. Gramática geralmente se resume a um monte de regra que a gente tem que engolir, sem que alguma coisa precise fazer sentido. Produção textual é uma raridade! Em todo o meu ensino fundamental, não fiz nenhuma! E o que dizer na conversação?! Essa, coitada, é deixada de lado sem o menor pudor... 

É triste que nossas escolas não deem ao inglês o valor que ele merece, mas é bem verdade que a maioria dos alunos não está nem aí pra ir além do que se passa na sala de aula. Muitas das vagas que sobram a cada edital do Ciência sem Fronteiras são a lacuna deixada por alunos que muitas vezes têm excelentes notas e até participam de projetos de pesquisa, mas não sabem nada além de What is your name. Tudo bem que nem todo mundo tem como pagar por um curso, mas será que custa muito ir até uma biblioteca e pegar um livro, ou mesmo adquirir práticas simples e tão benéficas como ouvir mais músicas e inglês, ver um filme legendado?

É chato que essa seja a realidade da gente. Como professora de inglês, amante dos idiomas e admiradora e adepta do auto-didatismo, eu sei que sou mesmo suspeita pra falar. Mas gente é fato que conhecer novas línguas não só aumenta nossas oportunidades na vida acadêmica e profissional, mas também são uma porta aberta pra conhecer a fundo novas culturas, se relacionar com pessoas do mundo inteiro e expandir a mente. 

Como a escola não cumpre sua parte, a maioria das pessoas se acomoda – até que a realidade bate à porta e o mercado te obriga a mostrar uma segunda língua. O que mais tive durante meus 5 anos de professora foram alunos adultos desesperados, morrendo de pressa pra aprender inglês. Ou pessoas que chegavam falando das grandes oportunidades que perderam por não falarem um outro idioma. Isso sem contar os jovens universitários desesperados, sem conseguir acompanhar os livros estrangeiros passados pelos professores. Essa coisa de correr atrás na última hora é tipicamente brasileira... e um péssimo exemplo.

Quando eu era criança, não tinha desenho ou vídeo game que me fascinasse mais do que as fitas de inglês que mamãe colocava pra gente assistir. Aprender outra língua sempre foi algo que minha família considerou como parte integrante de uma boa educação, e não um simples diferencial. Sou muito grata mesmo pelo investimento que meus pais fizeram!

Se você é aluno, larga de preguiça e vai estudar. Se você é pai, lá vai um conselho: um curso de inglês vai fazer muito mais diferença na vida do seu filho do que a mesada que você dá a ele ou a camisa da Hollister que ele não para de pedir.

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Quer ver um post lindo e completo sobre o IELTS? Tá aqui, no blog da Lara!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Ciência sem Fronteiras

Oi, todo mundo!

Bom, como prometido, vou explicar um pouquinho pra vocês como funciona o programa que vai me levar pra viver esse sonho em Londres!

O Ciência sem Fronteiras é uma iniciativa do Governo Federal que tem o objetivo de "promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional". Estão envolvidos no programa o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Educação (MEC), por meio do CNPq e da Capes (seus órgãos de fomento).

Até 2015, serão concedidas até 101 mil bolsas de estudo de Graduação e Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado), sendo 75 mil financiadas pelo Governo Federal e 26 mil pela iniciativa privada. Os países de destino incluem Portugal, Estados Unidos, França, Canadá, Austrália, Coreia do Sul, e outros.

As informações a seguir são bem gerais mesmo! Está tudo detalhado no site do programa, o www.cienciasemfronteiras.gov.br.

Quem pode ir?
Os pré-requisitos básicos para se inscrever no Ciência sem Fronteiras são os seguintes:

-Ser brasileiro ou naturalizado;
-Estar regularmente matriculado em instituição de ensino superior no Brasil em cursos relacionados às áreas prioritárias do Ciência sem Fronteiras;
-Ter sido classificado com nota do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM - com no mínimo 600 pontos;
-Possuir bom desempenho acadêmico;
-Ter concluído 20% do currículo previsto para o curso de graduação.

Conforme o tópico 2 diz, o programa estabelece um lista de áreas prioritárias. Se você cursa graduação ou pós-graduação em uma das universidades participantes e se seu curso se encaixa em uma das áreas abaixo, você já cumpre um requisito para ser candidato ao Ciência sem Fronteiras.

-Engenharias e demais áreas tecnológicas
-Ciências Exatas e da Terra;
-Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde;
-Computação e Tecnologias da Informação;
-Tecnologia Aeroespacial;
-Fármacos;
-Produção Agrícola Sustentável;
-Petróleo, Gás e Carvão Mineral;
-Energias Renováveis;
-Tecnologia Mineral;
-Biotecnologia;
-Nanotecnologia e Novos Materiais;
-Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais;
-Biodiversidade e Bioprospecção;
-Ciências do Mar;
-Indústria Criativa;
-Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva;
-Formação de Tecnólogos.

No meu caso, meu curso se encaixa dentro da área de Indústria Criativa.


O que faz o bolsista do CsF?
Basicamente, o aluno selecionado pelo Ciência sem Fronteiras vai continuar seus estudos no exterior, aproveitando as matérias como um incremento para sua graduação/pós-graduação. Além disso, em alguns casos é possível realizar estágios remunerados, desde que isso não interfira na rotina de estudos.

Ao aceitar a oferta da bolsa, o aluno também se compromete a ficar no Brasil por um período mínimo ao término do programa. No caso do meu edital, esse período é de um ano, mas esse número varia de acordo com o país de destino.

Dependendo do programa, também, o bolsista tem a oportunidade de passar por um curso do idioma local antes de iniciar suas aulas na universidade.


Quem paga a conta?
Quem é aprovado pelo Ciência sem Fronteiras pode passar de 12 a 15 meses estudando em uma das universidades que têm parceria com o programa, com tudo custeado pelo CNPq ou pela CAPES. Além da mensalidade da bolsa, eles também fornecem auxílio-instalação, acomodação, auxílio para compra de material didático, passagens aéreas e seguro saúde. Os valores variam de acordo com o país de destino, e estão detalhados aqui, é só clicar.


A Cesar o que é de Cesar
Com licença, que agora eu vou babar um pouquinho o governo brasileiro.

Pra quem não sabe, cursei meu Ensino Médio no IFRN, antigo CEFET. Foram 4 anos estudando lá, mas desde as primeiras aulas eu pude perceber a diferença da qualidade de educação oferecida pela escola. Quando entrei na universidade, essa marca foi ainda mais gritante. Vi que, em muitos aspectos, eu estava à frente de outros colegas que tinham vindo de outras instituições de ensino. No ano em que minha turma do CEFET fez vestibular, o índice de aprovação foi cerca de 85%!

Além de aluna, tive a honra de trabalhar no CEFET como bolsista e estagiária de comunicação entre 2005 e 2012, com poucos intervalos. Como repórter e apresentadora do jornal da escola, aprendi muito sobre a instituição, e a admiração que eu já tinha ganhou firmes fundamentos por estar mais a par de assuntos internos.

Gente, nosso país tem sim muitos problemas a serem resolvidos - e muitos deles na área da educação. É verdade que os níveis básicos ainda não estão recebendo tanto apoio quanto precisam, mas o crescimento na oferta e qualidade de educação profissional é uma realidade do nosso país. De 2005 pra cá, só no Rio Grande do Norte, o número de Institutos Federais cresceu de 02 para 19!

E quando, na história do Brasil, se viu um programa como o Ciência sem Fronteiras? É muito investimento, muita oportunidade! Imagine que impacto isso vai ter na educação do nosso país nos próximos anos...! É verdade, ainda tem muita coisa pra se fazer, mas não posso deixar de dar meu testemunho como alguém que acompanhou um pouco dos bastidores do investimento que se tem feito na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica.

Deixo pra vocês dois vídeos de reportagens que eu fiz com alunos do IFRN que também foram aprovados pelo programa Ciência sem Fronteiras. Fazer essas matérias foi inspirador pra mim, e espero que elas sejam assim pra vocês também :)


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pra chegar até aqui...

É uma tranquilidade vir aqui e dizer que passei, que eu vou, que está consumado. Mas gente, como diz a música, "você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...". Preferi não dizer a muita gente que eu estava concorrendo a uma vaga no Ciência sem Fronteiras, por isso quase ninguém sabe de tudo que aconteceu ao longo dos últimos meses. Lá vai um pouquinho dessa trajetória:

A ideia
Alguns amigos já haviam falado sobre o Ciência sem Fronteiras (assunto do próximo post, com detalhes sobre o programa!). Cheguei a me inscrever pelo site uma vez, mas não dei continuidade ao processo porque me envolvi em outros planos. Em Agosto, quando voltei de Londres, decidi que voltaria pra lá de qualquer jeito. Só faltava uma oportunidade.
Na mesma semana, um aluno meu falou sobre um colega de faculdade que estava nos Estados Unidos, pelo Ciência sem Fronteiras. Sabe quando te dá aquele estalo interno, e tudo começa a fazer sentido? Cheguei em casa, liguei o computador e vi inscrições abertas para o Reino Unido. Maravilha, né?

O primeiro milagre
Além da inscrição pela universidade, é preciso fazer uma prova de proficiência em inglês (ou outro idioma, dependendo do país) para o programa. Entrei no site do British Council, por um dos computadores da Universidade, e vi que tinham inscrições abertas para o IELTS. No caminho de volta pra casa, comecei a conversar com Deus sobre como eu queria essa chance, mas deixando muito claro que, acima de tudo, a vontade dele fosse feita :)
Passaram uns dias, e quando eu fui realizar minha inscrição para a prova, vi que as vagas tinham acabado. Não fiquei nem perto de nervosa. De alguma forma, eu estava muito calma. Orei mais uma vez, confiando que aquela não era a resposta definitiva.
No domingo seguinte, dia 2 de setembro, eu estava deitada na minha cama - com enxaqueca, pra variar. Do nada (mesmo! porque não costumávamos tocar nesse assunto), mamãe perguntou sobre o exame, e eu disse a ela que tinham acabado as vagas. Comecei a me culpar por dentro, lembrando que durante a semana eu não tinha verificado nada no site.
Eu sabia que a próxima data disponível era 15 de setembro, e havia uma regra de que só se pode fazer a inscrição pelo menos 15 dias antes da prova. Ou seja, "game over". Disse a mamãe que não dava mais, mas ela não se contentou com essa resposta. Pegou o computador e pediu que eu abrisse o site.
Estava lá, gente. Vagas abertas para Campina Grande (bem pertinho aqui de Natal). Fizemos a inscrição ali mesmo, e mamãe falou: "Filha, Deus tem alguma coisa pra você com isso." E não é que tinha?!

Um porém
Fui até a Secretaria de Relações Internacionais da UFRN conversar sobre o processo. O Rannieri, que me atendeu, ficou super animado. Disse que meu IRA (Índice de Rendimento Acadêmico = notas) era excelente, e que como eu era professora de inglês as chances de ser aprovada eram muitas. Daí ele perguntou se eu tinha alguma bolsa em programas de iniciação científica. Quando disse que não, ele praticamente murchou: "Vixe... porque isso conta muito, sabe?".
E quando o negócio aperta é que eu gosto. Fui pra casa decidida a conseguir uma bolsa. Postei no Facebook que tava precisando, mesmo que não fosse remunerada. Uma amiga linda me indicou a um professor e em 15 minutos estava tudo resolvido. No dia seguinte, meu nome já estava cadastrado no sistema da UFRN como bolsista. Comecei a acreditar que isso era realmente pra mim...

Furando a greve
Um dos documentos que precisávamos preencher pedia nosso número de passaporte, que deveria ser válido até 2014, pelo menos. E o meu expirava em maio do ano que vem! Todo mundo sabe que pra agendar a emissão do passaporte na Polícia Federal leva pelo menos um mês. Mas eu definitivamente não tinha esse tempo.
A Secretaria de Relações Internacionais da UFRN me entregou um documento comprovando que eu tinha urgência na retirada de um passaporte. Entrei no portal da PF, agendei a retirada pra um dia qualquer, paguei o boleto e fui pra Polícia na cara e na coragem.
Cheguei lá e vi uma faixa gigante, amarela: Polícia Federal em greve. "Que maravilha!", eu pensei. Mas não me detive. Entrei, e uma moça me perguntou se eu tinha agendado. Disse que sim (cara de pau!) só que láaaa pra dali a um mês.
- Mas minha filha, você não viu que a gente ta em greve? - disse ela. - Tem pouco atendente aqui pra muita demanda, a gente não pode sair encaixando ninguém, e bla bla blaaaaa...
Daí eu reuni toda a minha coragem:
- Moça, eu não posso perder a chance da minha vida por causa de um agendamento, ou por causa de uma greve. Eu vou estudar no exterior ano que vem. Por favor, tira meu passaporte!
E o final foi feliz: em dois dias já estava com o número do documento em mãos :)

O peso de um nome
Eu diria que 99% das pessoas que me conhecem acham que eu estudo Jornalismo. Mas por favor, não. O nome do meu curso (que amo, por sinal!) é Rádio e TV. Existe, porém, uma outra nomenclatura mais antiga, que a UFRN ainda adota: Radialismo.
Das poucas vezes que disse às pessoas que eu estudava Radialismo, ouvi algumas atrocidades do tipo:
- Ah, é tipo aquele negócio de tirar Raio X?
Radialismo se refere ao serviço de radiodifusão, que é prestado pelos veículos de comunicação como rádio e tv. Mas perdi a paciência de explicar isso pras pessoas, e digo logo que faço Rádio e TV.
Quando a Secretaria de Relações Internacionais traduziu meu histórico, o nome do curso ficou como "Radialism". Pesquisei na internet e vi que esse termo praticamente não existe em inglês, e não é usado na área acadêmica. Fiquei com medo de isso se tornar um problema no processo. Vasculhei a internet em busca de um documento do Ministério da Educação confirmando que Radialismo e Rádio e TV são a mesma coisa. Imediatamente mandei um email pra SRI, pedindo a alteração no nome do meu curso.
O resultado: eu sou a única pessoa na UFRN que oficialmente estuda Rádio e TV, e não Radialismo :D


Bom, o processo de inscrição foi oficialmente encerrado no dia 01 de outubro. De lá até dia 12 de novembro, quando recebi o resultado, vivi à base de muito chocolate pra deter a ansiedade. Foi difícil demais esperar, mas quando li o email dizendo que fui selecionada, parece que todo o nervosismo foi embora. É sempre maravilhosa a sensação de um sonho se tornando realidade, né? E eu to assim, nas nuvens...

Beijo e até mais!
~ Faltam 46 dias