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sábado, 18 de maio de 2013

Quem me fez querer ficar...

Oi, todos!

Eu sei, to mega atrasada com as postagens... mas é que Bucareste tava tão legal que não deu nem tempo de parar pra blogar. Desculpem não responder ainda as perguntas do ask.fm e os comentários daqui também, mas eu vou me organizar e colocar tudo isso em dia :) Na verdade, eu estou postando de Sofia (capital da Bulgária). No próximo post conto como foi - ou como não foi - a passagem  por aqui! Por enquanto, vamos continuar com a Romênia!

Bucareste me surpreendeu por ser bem maior do que eu esperava, mas o ponto alto mesmo foi poder ser acolhida por amigos maravilhosos que eu não via há três anos! Jorge e Virgínia e seus filhos Filipe e Elisa são missionários na Romênia desde 2010. Incrível ver o quanto eles já estão adaptados e já falam do país como sendo a sua casa. Falam a língua com uma naturalidade incrível, mesmo sem nunca terem estudado antes. Bom demais vê-los assim, tão integrados.

Cheguei na quarta à noite e entramos pela madrugada colocando a conversa em dia. Na manhã seguinte, eles sugeriram que eu visitasse o palácio do parlamento romeno, que é chamado pelos locais de Casa Poporului (Casa do Povo). Ele começou a ser construído em 1984, a mando do ditador comunista Nicolae Ceauşescu. Apesar do povo nas ruas viver com um pouquinho mais que nada, ele queria que seu palácio fosse um luxo. Na visita, a guia contou que ele mandou derrubar e refazer as mesmas partes várias vezes porque tudo tinha que estar impecável. Em 1989, quando o comunismo ruiu e ele foi executado, a obra estava cerca de 70% completa, e o novo governo resolveu completá-la e fazer dela a sede do parlamento. Interessante, né? Uma construção que foi feita pra ser a casa de uma ditadura opressora, acabou virando a casa da democracia.

A Casa Poporului é o segundo maior prédio do mundo, atrás apenas do Pentágono, e é o edifício administrativo mais caro e pesado da história - custou entre 3 e 5 bilhões de euros. Gente, de fato, é a obra mais linda que eu já vi na minha vida! Deixou o Versailles e qualquer outro palácio ou castelo que já visitei no chinelo. Os detalhes são impressionantes! Toneladas de mármore, seda, cristais, muitas decorações feitas com ouro e madeira da mais cara. Eu não sabia pra onde olhar primeiro :P Era tudo impressionantemente lindo!

E agora você me pergunta: cadê as fotos? Bem... não podia tirar foto lá dentro. Só se pagasse uma taxa na hora de comprar o ticket. Como de fato eu não tava levando tanta fé no que tinha dentro e essa taxa era quase 3 vezes o valor da entrada, resolvi não pagar. Mas se arrependimento matasse, eu já estaria a 7 palmos desse chão. Porque só de lembrar... que coisa mais linda! Muita gente sem acabou tirando foto mesmo sem o adicional, mas eu não sou muito boa em infringir regras! hehehe... Mas pra não perder de zero, lá vão as que eu tirei sem precisar da permissão:


Vista da sacada

Já incorporei fotos assim como parte da minha tradição de viajante :)
Desculpem a tremedeira! Foi de dentro do carro!
Depois do palácio, a tarde foi para brincar no parque com as crianças! Foi difícil acompanhar a energia praticamente inesgotável deles, mas nos divertimos muito!!!





No dia seguinte, passeamos pelo centro histórico e vimos pontos importantes da cidade. Prédios e monumentos ligados ao comunismo e a revolução falam muito sobre a história do lugar. To saindo desse mochilão com a sensação de que voltei pra escola por esses dias!




Memorial aos mártires da revolução
Meus guias lindos demais!
À tarde, mais um parque. O lindo Herăstrău! Conversamos muito sobre como é bom ter essas coisas em cidades europeias. Parquer são excelentes opções de lazer, e os daqui são gratuitos e muito bem conservados. E pra mim, que sou fã de fotografar flores, foi um verdadeiro paraíso!








Aaaah, e pra quem acha que eu ia sair da Romênia sem comer algo típico, ta muito enganado! Parque combina com doce, né? Que delícia esses tais de Gogoși! Parecem doughnuts, só que menores, mais docinhos e com a massa um pouco menos densa também. Minha alma de gorda deu pulinhos de alegria ao conhecer essa iguaria romena...



Não vou mentir, a despedida foi difícil. Principalmente porque as crianças e eu grudamos! Eles ficaram admirados pelo fato de eu estar viajando sozinha, fizeram mil perguntas e até me convidaram pra uma aventura na Amazônia com eles daqui a alguns anos. É claro que está mais do que topado, né? Lindos demais! E o carinho de pastor Jorge e Virgínia... sem palavras! Atenciosos nos mínimos detalhes - do chocalatinho em cima da cama quanto eu cheguei aos momentos maravilhosos de conversas, oração e conselhos. Já to com saudade!

E olhem... se eu soubesse o que a viagem até a Bulgária me esperava, eu provavelmente teria ficado por lá mesmo! Mas essa já é uma história pra amanhã :)

Até lá!
Beijos

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Medias: com amor, sem vampiro

Oi, todo mundo!

Como vocês estão? Esses dias aqui em Mediaş estão ótimos! Clima friozinho, natureza linda, a companhia de uma grande amiga e uma ótima oportunidade pra descansar também. As milhares de andanças do mochilão estavam ótimas, mas eu tava realmente precisando descansar um pouco :) Hoje dormi até 10:30! Que maraviiiilha! Tava com saudade disso...

Acho que ainda não falei esse detalhe, mas aqui em Mediaş eu to hospedada na base da Jocum (YWAM), que é aquela mesma organização com a qual eu já fiz vários trabalhos voluntários. Elisa é missionária da Jocum, e foi numa dessas viagens que eu a conheci - como já disse no post passado. Toda terça-feira à tarde, o pessoal daqui vai distribui sanduíche e chá para os pobres e sem-teto. Aproveitei a oportunidade pra ir com eles, claro! Foi muito bom e muito lindo!

Andando pela estação de trem, encontramos uma mãe carente com um montão de filhos. Entre os 4 ou 5 meninos, havia uma menina apenas. Fiquei especialmente tocada ao vê-la. Na Hillsong, igreja que frequento em Londres, eles apoiam uma campanha chamada A21 contra tráfico humano, especialmente para prostituição infantil. Lembrei das várias coisas que já ouvi sobre o assunto e comecei a orar em pensamento pela vida de Petruța, pedindo a Deus que lhe desse um futuro melhor do que o das tantas crianças cujas famílias acabam entregando para a prostituição por não terem dinheiro.

Depois pedi a Elisa que nos apresentasse, lhe dei um abraço bem apertado e pedi que ela nunca esquecesse que ela é especial para Deus. Pela forma como ela correspondeu ao abraço, fiquei pensando qual foi a última vez que recebeu um carinho de alguém - porque ela quase não me soltava mais! Linda! Orei com ela junto comigo e depois lhe dei meus brincos de presente. Olhem que princesa!


Elisa com algumas das crianças que encontramos na estação
Quando o trabalho terminou, Elisa e eu ficamos pra ela me mostrar a cidade. Conversando com ela eu descobri que Romênia fica na região da Transilvânia - onde viveu Drácula. Sim, minha gente, ele existiu! Não era um vampiro, claro, mas acho que era bem pior... Drácula era outro nome para o Príncipe Vlad III, que viveu aqui no século XV. De príncipe, ele só tinha o título. O cara era tão cruel que era conhecido como O Empalador. Não me prontifico a explicar o que é empalar, porque só de pensar eu já tenho calafrios. Mas se a curiosidade for grande, pesquisa aí no Google :D Apesar das histórias terríveis de Drácula (o vampiro e o real), Mediaş é uma fofura!




Depois do tour debaixo de chuva, Elisa e eu saímos pra comer uma pizza. Bom demais estar com ela! Pena que já ta acabando... Meu trem pra Bucareste, que é a capital da Romênia, saiu daqui a algumas horas. To animada pra conhecer uma nova cidade e rever amigos lá também!

Beijo pra vocês e até a próxima :)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Romênia pra matar saudades

Oi, gente!

Caramba, incrível! Tem acontecido tanta coisa ultimamente que deixar de postar um dia no blog parece uma eternidade. Já estou em outras terras agora: Romênia! Não fui direto pra capital, que é Bucareste. Estou agora em Mediaş, visitando uma amiga linda que conheci durante a viagem ao Quênia, em Janeiro do ano passado. Elisa e eu estivemos juntas por apenas 3 dias, mas desde então estamos sempre em contato. Ela é um amor!

Elisa e eu em Machakos, no Quênia, em Janeiro/2012.
Bom, mas deixa eu contar um pouquinho de como foi ontem! Logo de manhã, me despedi de Carolina depois de tomarmos café da manhã no Mc. Dessa vez a gente realmente conseguiu chegar a tempo \o/ Já combinamos de nos vermos de novo daqui a algumas semanas, quando ela vai estar em Londres. Esse negócio de fazer amigos do mundo inteiro e no mundo inteiro é bom demais! Quem diria... conhecer uma costarriquenha em Budapeste e combinar um encontro em Londres, sendo que sou brasileira. Eu não sou uma pessoa de muitas ambições, mas ser cidadã do mundo sempre esteve liderando o ranking dos meus desejos. Que coisa boa ver isso acontecer!

Não é novidade dizer pra vocês que ontem eu não tinha um plano definido, né? Mas acordei com o espírito meio rebelde, resolvi ignorar o tempo nublado e sair por aí de short e havaianas. Gente, eu não aguentava mais calça e tênis todo dia! O melhor de tudo foi que, com esse disfarce, ninguém sabia que eu era turista - até porque eu não levei a câmera também. Então nada de gente me abordando na rua perguntando se eu queria fazer passeio disso ou daquilo.

Vi várias coisas lindas de novo, mas o ponto alto foi a quase uma hora que eu passei pensando na vida, com os pés mergulhados no Rio Danúbio, sem me preocupar com a hora de nada, sem pensar em nenhuma obrigação. Essa é uma daquelas pequenas coisas que marcam muito mais do que conhecer um grande monumento ou algo assim... Que delícia!



Na margem desse mesmo rio, muitos judeus foram mortos durante o holocausto. Por muitos anos, a única coisa que se guardou deles foram alguns pares de sapato. Muitos anos depois do fim da Segunda Guerra, um certo grupo de militares resolveu desses pares um memorial aos judeus executados no holocausto. Que homenagem simples e tocante! Os sapatos foram cobertos em bronze e colocados na margem do Danúbio, quase em frente ao parlamento. Nem preciso dizer que eu chorei, né?! Tem nem mais graça...




Nem sei quantos litros de lágrimas já deixei pra trás nessa viagem, mas acho que faz parte :)

Andei horrores, minha gente. Já eram quase 15h e tudo o que eu queria era sentar e almoçar. Alguém deveria ter me alertado que, aos domingos, Budapeste simplesmente para. Achar um restaurante foi uma novela mexicana! E eu tava em um dia mão de vaca, então nem ônibus queria pegar pra lugar nenhum. Quando finalmente encontrei um lugar, resolvi pedir o tal do gulyás, que é basicamente um guisado de carne com legumes. Sopa, em outras palavras! hahaha... só que com muito, MUUUITO condimento. Saí do restaurante cuspindo fogo que nem um dragão! Ah, e a foto ficou péssima porque eu tava com tanta fome que não quis esperar muito :D


Comi... passei o resto do dia no albergue socializando (tô super orgulhosa de mim!) e quando foi umas 22:45 eu saí pra estação de trem. Resolvi ir de taxi por cause da hora, e fui o caminho inteiro agradecendo a Deus por ter um seguro de saúde. Limite de velocidade e sinal vermelho são coisas inexistentes no vocabulário daquele motorista, pode anotar! Eu já podia me imaginar toda enfaixada em um hospital húngaro, mas não é que cheguei viva?!

O trem ia atrasar uns 20 minutos pra chegar e sair da estação - o que eu descobri por intuição, porque estava absolutamente tudo em húngaro. Fiquei lá mofando até que finalmente ele chegou. Assim como no trem de Praga pra Vienna, minha cabine havia sido tomada por um grupo de meninas chulezentas. Aí o agente se compadeceu de mim e me colocou em outra cabine onde tinha uma mulher um pouquinho mais velha e um...

SIM, um broto! Ah, viagem linda! Conversamos um pouquinho - só eu e o broto, porque a menina não falava inglês - e depois fomos dormir. Um tempo depois, chega a polícia húngara pra carimbar nossa saída. Depois de apresentar meus documentos, recebi meu passaporte com esse carimbo:


Desesperei, porque não dava pra ver a data, e isso podia me da problema depois! Fui até o policial novamente, e ele foi um fofo. Primeiro disse que aquilo não iria me prejudicar, mas depois me chamou pelo nome e carimbou de novo. Tava menos pior...


Então, para efeitos oficiais, eu basicamente saí duas vezes da Hungria, num intervalo de 5 minutos! hihihi... Na estação seguinte, mais uma parada: dessa vez, pra polícia romena carimbar a entrada. Vi que a tinta do carimbo tava bem fraca também, e achei que fosse porque a luz tava baixa. Fora isso, os policiais foram tão brutamontes que eu não quis pedir pra carimbarem de novo. Quase caí pra trás de manhã, quando acordo e vejo isso:

Sim. Essa linha retangular bem fraquinha é pra ser
um carimbo de passaporte.
Acho que nem com microscópio, bola de cristal ou qualer outro artifício alguém vai conseguir saber a) em que país eu cheguei e b) quando eu cheguei. Maravilha. Vamos deixar esse estresse pra quando eu sair da Romênia, né? Se eu ficar pensando nisso, não vivo :) Voltei a dormir tentando, e depois de algumas horas acordei com um cenário lindo: a Romênia verdinha me dando um oi!

Ah, e só pra vocês terem ideia de como era a cabine, lá vai uma foto. Tirei de manhã, então já tava super bagunçada, mas basicamente são 6 leitos - 3 de cada lado. Cada um é tão pequeno que não dá pra ficar sentado sem bater a cabeça! Eu dormi nesse aí do meio, e o broto em baixo. A menina tava do outro lado e os outros leitos desocupados.



Com mais de 2 horas de atraso, finalmente cheguei em Mediaş por volta das 12:45. A cidade é pequenininha pelo que vi, mas de fato eu to aqui mais pela companhia de Elisa do que qualquer outra coisa :) Então mesmo que seja pra passar o dia batendo papo, as 13 horas de trem pra chegar aqui vão ter valido muito a pena!



E acho que é só... Um beijo pra vocês e até amanhã!