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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Medias: com amor, sem vampiro

Oi, todo mundo!

Como vocês estão? Esses dias aqui em Mediaş estão ótimos! Clima friozinho, natureza linda, a companhia de uma grande amiga e uma ótima oportunidade pra descansar também. As milhares de andanças do mochilão estavam ótimas, mas eu tava realmente precisando descansar um pouco :) Hoje dormi até 10:30! Que maraviiiilha! Tava com saudade disso...

Acho que ainda não falei esse detalhe, mas aqui em Mediaş eu to hospedada na base da Jocum (YWAM), que é aquela mesma organização com a qual eu já fiz vários trabalhos voluntários. Elisa é missionária da Jocum, e foi numa dessas viagens que eu a conheci - como já disse no post passado. Toda terça-feira à tarde, o pessoal daqui vai distribui sanduíche e chá para os pobres e sem-teto. Aproveitei a oportunidade pra ir com eles, claro! Foi muito bom e muito lindo!

Andando pela estação de trem, encontramos uma mãe carente com um montão de filhos. Entre os 4 ou 5 meninos, havia uma menina apenas. Fiquei especialmente tocada ao vê-la. Na Hillsong, igreja que frequento em Londres, eles apoiam uma campanha chamada A21 contra tráfico humano, especialmente para prostituição infantil. Lembrei das várias coisas que já ouvi sobre o assunto e comecei a orar em pensamento pela vida de Petruța, pedindo a Deus que lhe desse um futuro melhor do que o das tantas crianças cujas famílias acabam entregando para a prostituição por não terem dinheiro.

Depois pedi a Elisa que nos apresentasse, lhe dei um abraço bem apertado e pedi que ela nunca esquecesse que ela é especial para Deus. Pela forma como ela correspondeu ao abraço, fiquei pensando qual foi a última vez que recebeu um carinho de alguém - porque ela quase não me soltava mais! Linda! Orei com ela junto comigo e depois lhe dei meus brincos de presente. Olhem que princesa!


Elisa com algumas das crianças que encontramos na estação
Quando o trabalho terminou, Elisa e eu ficamos pra ela me mostrar a cidade. Conversando com ela eu descobri que Romênia fica na região da Transilvânia - onde viveu Drácula. Sim, minha gente, ele existiu! Não era um vampiro, claro, mas acho que era bem pior... Drácula era outro nome para o Príncipe Vlad III, que viveu aqui no século XV. De príncipe, ele só tinha o título. O cara era tão cruel que era conhecido como O Empalador. Não me prontifico a explicar o que é empalar, porque só de pensar eu já tenho calafrios. Mas se a curiosidade for grande, pesquisa aí no Google :D Apesar das histórias terríveis de Drácula (o vampiro e o real), Mediaş é uma fofura!




Depois do tour debaixo de chuva, Elisa e eu saímos pra comer uma pizza. Bom demais estar com ela! Pena que já ta acabando... Meu trem pra Bucareste, que é a capital da Romênia, saiu daqui a algumas horas. To animada pra conhecer uma nova cidade e rever amigos lá também!

Beijo pra vocês e até a próxima :)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Romênia pra matar saudades

Oi, gente!

Caramba, incrível! Tem acontecido tanta coisa ultimamente que deixar de postar um dia no blog parece uma eternidade. Já estou em outras terras agora: Romênia! Não fui direto pra capital, que é Bucareste. Estou agora em Mediaş, visitando uma amiga linda que conheci durante a viagem ao Quênia, em Janeiro do ano passado. Elisa e eu estivemos juntas por apenas 3 dias, mas desde então estamos sempre em contato. Ela é um amor!

Elisa e eu em Machakos, no Quênia, em Janeiro/2012.
Bom, mas deixa eu contar um pouquinho de como foi ontem! Logo de manhã, me despedi de Carolina depois de tomarmos café da manhã no Mc. Dessa vez a gente realmente conseguiu chegar a tempo \o/ Já combinamos de nos vermos de novo daqui a algumas semanas, quando ela vai estar em Londres. Esse negócio de fazer amigos do mundo inteiro e no mundo inteiro é bom demais! Quem diria... conhecer uma costarriquenha em Budapeste e combinar um encontro em Londres, sendo que sou brasileira. Eu não sou uma pessoa de muitas ambições, mas ser cidadã do mundo sempre esteve liderando o ranking dos meus desejos. Que coisa boa ver isso acontecer!

Não é novidade dizer pra vocês que ontem eu não tinha um plano definido, né? Mas acordei com o espírito meio rebelde, resolvi ignorar o tempo nublado e sair por aí de short e havaianas. Gente, eu não aguentava mais calça e tênis todo dia! O melhor de tudo foi que, com esse disfarce, ninguém sabia que eu era turista - até porque eu não levei a câmera também. Então nada de gente me abordando na rua perguntando se eu queria fazer passeio disso ou daquilo.

Vi várias coisas lindas de novo, mas o ponto alto foi a quase uma hora que eu passei pensando na vida, com os pés mergulhados no Rio Danúbio, sem me preocupar com a hora de nada, sem pensar em nenhuma obrigação. Essa é uma daquelas pequenas coisas que marcam muito mais do que conhecer um grande monumento ou algo assim... Que delícia!



Na margem desse mesmo rio, muitos judeus foram mortos durante o holocausto. Por muitos anos, a única coisa que se guardou deles foram alguns pares de sapato. Muitos anos depois do fim da Segunda Guerra, um certo grupo de militares resolveu desses pares um memorial aos judeus executados no holocausto. Que homenagem simples e tocante! Os sapatos foram cobertos em bronze e colocados na margem do Danúbio, quase em frente ao parlamento. Nem preciso dizer que eu chorei, né?! Tem nem mais graça...




Nem sei quantos litros de lágrimas já deixei pra trás nessa viagem, mas acho que faz parte :)

Andei horrores, minha gente. Já eram quase 15h e tudo o que eu queria era sentar e almoçar. Alguém deveria ter me alertado que, aos domingos, Budapeste simplesmente para. Achar um restaurante foi uma novela mexicana! E eu tava em um dia mão de vaca, então nem ônibus queria pegar pra lugar nenhum. Quando finalmente encontrei um lugar, resolvi pedir o tal do gulyás, que é basicamente um guisado de carne com legumes. Sopa, em outras palavras! hahaha... só que com muito, MUUUITO condimento. Saí do restaurante cuspindo fogo que nem um dragão! Ah, e a foto ficou péssima porque eu tava com tanta fome que não quis esperar muito :D


Comi... passei o resto do dia no albergue socializando (tô super orgulhosa de mim!) e quando foi umas 22:45 eu saí pra estação de trem. Resolvi ir de taxi por cause da hora, e fui o caminho inteiro agradecendo a Deus por ter um seguro de saúde. Limite de velocidade e sinal vermelho são coisas inexistentes no vocabulário daquele motorista, pode anotar! Eu já podia me imaginar toda enfaixada em um hospital húngaro, mas não é que cheguei viva?!

O trem ia atrasar uns 20 minutos pra chegar e sair da estação - o que eu descobri por intuição, porque estava absolutamente tudo em húngaro. Fiquei lá mofando até que finalmente ele chegou. Assim como no trem de Praga pra Vienna, minha cabine havia sido tomada por um grupo de meninas chulezentas. Aí o agente se compadeceu de mim e me colocou em outra cabine onde tinha uma mulher um pouquinho mais velha e um...

SIM, um broto! Ah, viagem linda! Conversamos um pouquinho - só eu e o broto, porque a menina não falava inglês - e depois fomos dormir. Um tempo depois, chega a polícia húngara pra carimbar nossa saída. Depois de apresentar meus documentos, recebi meu passaporte com esse carimbo:


Desesperei, porque não dava pra ver a data, e isso podia me da problema depois! Fui até o policial novamente, e ele foi um fofo. Primeiro disse que aquilo não iria me prejudicar, mas depois me chamou pelo nome e carimbou de novo. Tava menos pior...


Então, para efeitos oficiais, eu basicamente saí duas vezes da Hungria, num intervalo de 5 minutos! hihihi... Na estação seguinte, mais uma parada: dessa vez, pra polícia romena carimbar a entrada. Vi que a tinta do carimbo tava bem fraca também, e achei que fosse porque a luz tava baixa. Fora isso, os policiais foram tão brutamontes que eu não quis pedir pra carimbarem de novo. Quase caí pra trás de manhã, quando acordo e vejo isso:

Sim. Essa linha retangular bem fraquinha é pra ser
um carimbo de passaporte.
Acho que nem com microscópio, bola de cristal ou qualer outro artifício alguém vai conseguir saber a) em que país eu cheguei e b) quando eu cheguei. Maravilha. Vamos deixar esse estresse pra quando eu sair da Romênia, né? Se eu ficar pensando nisso, não vivo :) Voltei a dormir tentando, e depois de algumas horas acordei com um cenário lindo: a Romênia verdinha me dando um oi!

Ah, e só pra vocês terem ideia de como era a cabine, lá vai uma foto. Tirei de manhã, então já tava super bagunçada, mas basicamente são 6 leitos - 3 de cada lado. Cada um é tão pequeno que não dá pra ficar sentado sem bater a cabeça! Eu dormi nesse aí do meio, e o broto em baixo. A menina tava do outro lado e os outros leitos desocupados.



Com mais de 2 horas de atraso, finalmente cheguei em Mediaş por volta das 12:45. A cidade é pequenininha pelo que vi, mas de fato eu to aqui mais pela companhia de Elisa do que qualquer outra coisa :) Então mesmo que seja pra passar o dia batendo papo, as 13 horas de trem pra chegar aqui vão ter valido muito a pena!



E acho que é só... Um beijo pra vocês e até amanhã!