Mostrando postagens com marcador especial CsF. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador especial CsF. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de maio de 2014

Escolhendo a universidade

Oi, todo mundo!

Em primeiro lugar, vocês notaram a barra de endereço do navegador? Vocês notaram que é naterradebeth.COM? Sim, estamos mais finos do que nunca. Somos um site! Aêeeee! Estou adorando essa ryqueza.

Mas vamos ao tema. É uma das coisas mais difíceis de todo o processo. É a parte em que as decisões parecem impossíveis de serem tomadas, porque são tantos fatores a considerar que os cabelos caem e a gente sai pesquisando na internet tudo quanto é guia universitário. Que faculdades colocar na sua lista de opções? E como organizar as prioridades? Já recebi essa pergunta algumas vezes no ask.fm...


Não tenho mesmo uma fórmula pra isso, mas tenho a minha experiência - que foi mega feliz. Não me arrependo nem um pouco da universidade que escolhi. E aí vão as coisas que eu levei em consideração:

***

Definir o curso

Como eu já disse um catupilhão de vezes, eu estudo Rádio e TV na UFRN. Mas meu sonho era estudar Cinema. Eu sabia que seria mais fácil entrar em cursos como Media Studies, Media Production e coisas mais relacionadas a Comunicação Social. Porém, se essa era a oportunidade da minha vida para estudar Cinema, eu não ia deixar de me inscrever por medo.
Uma coisa que notei no Reino Unido é que as Universidades muitas vezes oferecem cursos de graduação bem mais específicos dentro de uma área. Para o curso de Arquitetura, por exemplo, algumas das opções possíveis são Architectural Technology, Interior Architecture, Landscape Architecture, Urban Planning. Lembro de uma vez ter visto um curso chamado algo do tipo Psicologia Aplicada a Video Games. Oi? Segmentação nível hard, né?

Então por mais sacal que isso possa parecer, você vai precisar olhar currículos, ementas, etc e tal pra descobrir se qual curso te oferece o que você quer. Considere também a relação teoria x prática. Dificilmente você vai conseguir uma universidade perfeita, mas com certeza alguma, mesmo com as limitações, vai conquistar seu coração.


Comparar Curso x Localidade

Imagine que você quer estudar Moda. E que você quer ir pra Itália. Você também gosta de vinho, paisagens maravilhosas e coisas rústicas. Mas me fala uma coisa: pra estudar Moda, é melhor ir para os campos verdejantes da Toscana ou para Milão?

Esse tipo de relação pode não fazer sentido pra todo mundo, mas se você valoriza a prática, não deixe de considerar isso. Como estudante de Cinema, eu não iria pra nenhuma outra cidade a não ser Londres. E quando estava lá vi que tinha razão na minha escolha. Tive acesso a facilidades e eventos que em outros lugares eu não teria.

Nesse meio, tem uma pergunta importante a se fazer, e que deve ser respondida com honestidade pra você mesmo: o que você quer mais que tudo? Estudar determinado tema ou morar em determinado lugar? Não é errado querer aproveitar o intercâmbio para dar ênfase a uma vivência que você espera ter no nível pessoal, por exemplo. Contanto que você esteja fazendo sua parte nos estudos, isso realmente não é um problema. Se você ama os campos verdejantes da Toscana mais do que tudo - mais do que estudar Moda - dá um chute no bumbum de Milão e vai com tudo viver uma Passione bancada pela Dilma por lá. Mas não conta pra minha mãe que eu falei "bumbum".


Curso x Universidade

Você escolheu o curso, sabe em que cidade quer ficar. E quando tem mais de uma opção de universidade? É aí que entram os guias e as visitas incontáveis aos sites das instituições. Páginas como o Complete University Guide classificam as universidades em rankings, os quais levam em conta também a percepção dos alunos que estudam ou se formaram lá.
Considere também as ementas dos cursos descritas nas páginas das universidade, e procure saber das instalações: como é a biblioteca? E a acomodação? O campus é legal? Bem localizado? Te oferece o que você precisa?

***


Sempre tem mais coisa, gente, mas acho que levar isso em conta é um bom começo. Eu lembro que, quando encontrei universidades que tinham o curso que eu queria, fiz uma tabela lindíssima no word, mais ou menos assim:


Aliás, essa aí foi a minha ordem de escolha mesmo ;)

Gente, espero ter ajudado. É uma decisão chatinha, mas importantíssima. O seu nível de satisfação com a universidade e o curso vai interferir muitíssimo no aproveitamento do seu intercâmbio. Então dedique tempo mesmo procurando as melhores alternativas e vai com tudo!

Falar disso deu uma saudade monstruosa da minha Roey linda...


Primeiro dia visitando a universidade

É isso, gente. Um beijo pra vocês e até a próxima \o/

sábado, 29 de março de 2014

Dividindo Apartamento: dramas e alegrias

Oi, gente!

Há algum tempinho eu vinha pensando em falar sobre acomodação, mas hoje li uma coisa que me fez coçar na cadeira pra fazer esse post. Ontem eu já estava em umas reflexões profundamente filosóficas sobre como a ignorância é um veneno pra sociedade. Aqui no Nordeste a gente usa muito essa palavra quando quer falar sobre 'brutalidade':
- Fulano fechou a porta do carro com tudo! Ô sujeito ignorante!

Esse tipo de ignorância é chato mesmo, mas tem pior. E não tem nada mais perigoso do que a ignorância que deságua em preconceito: eu acho que é assim, ou eu não gosto à primeira vista ou do que me disseram, então não tenho obrigação de tratar (essa pessoa ou esse tema) com respeito. Não. Está indiscutivelmente errado. Muitos desses pensamentos ignorantes se manifestam quando a gente tem ou está prestes a entrar em contato com outras culturas. E se você está se preparando para viajar ou fazer um intercâmbio como o Ciência sem Fronteiras, sugiro que pare com isso agora! 

Ta, mas por que essa longa introdução? Porque foi a primeira coisa que eu pensei quando li uma ~dica~ por aí. Parafraseando o que a pessoa disse, é algo mais ou menos assim:

Aconselho que você queira ficar em um flat com brasileiros. Se não, você pode acabar morando com asiáticos sujos, europeus que roubam comida e fazem barulho à noite, pessoas do oriente médio que fazem besteiras pelas quais você pode ter que pagar.

Então. Eu não posso mudar o que essa pessoa pensa, mas eu posso tentar ajudar você a fazer diferente e pensar diferente. Olha aí algumas considerações pra quando você for escolher, se é que puder escolher, seu tipo de acomodação e colegas de apartamento no Ciência sem Fronteiras.


A questão da diversidade
Independente da modalidade de intercâmbio da qual você vai participar, se ela for em um país ou região diferentes dos seus, ela também se tornará um intercâmbio cultural. E você não é nem dooooido de deixar a parte do 'cultural' de fora. Dividir apartamento com pessoas de outras nacionalidades pode ser divertido ou não, mas vai com certeza te ensinar muitas coisas, nem que seja ~apenas~ sobre tolerância e respeito. Pessoas naturalmente pensam e agem diferentemente. Se você coloca isso em escala global, o ganho pode ser imenso! Estigmatizar culturas e achar que pessoas deste ou daquele país se comportam desta ou daquela forma pode ser bem perigoso. Eu já caí nessa e quebrei a cara.

Ao longo da minha vida, já morei ou dividi quarto com 4 paquistanesas, uma menina de Bangladesh, quatro americanas, uma norueguesa, uma espanhola, duas suecas, duas argentinas, dois australianos, uma romena, uma moça da Zâmbia. Sobrevivi, estou feliz e fiz amigos incríveis. ENTÃO VOCÊ NÃO VENHA FALAR MAL DE NACIONALIDADES INTEIRAS CONSIDERANDO APENAS AS PESSOAS COM AS QUAIS VOCÊ TEVE CONTATO PORQUE ISSO É FEIO E ME DEIXA IRADA.


O lugar do bom senso
Pessoas podem ser maravilhosas. Mas elas também podem ser sujas, mal-caráter, mentirosas, desrespeitosas, falsas, egoístas. Qualquer pessoa, de qualquer lugar, pode ser assim. Seria muito bom se todos percebessem que, quando o assunto é viver em comunidade ou compartilhar uma casa, algumas coisas são inegociáveis para o bem-estar comum. Vou dar o exemplo da higiene. Em um dos lugares onde tive que dividir quarto por um tempo, uma menina tinha alguns ~probleminhas~ com isso. Ela usava toalhas de banho de outras pessoas, deixava suas calcinhas (i-m-u-n-d-a-s) espalhadas pelo quarto, devolvia roupas emprestadas completamente sujas, usava a mesma meia por uma semana inteira (só isso explica o cheiro que aquelas botas exalavam...) e o pior, a imagem que nunca sairá da minha cabeça: cortava as unhas dos pés e deixava seus restos cima da cama (pra quêeeee? Existe alguma Fada da Unha, como tem a Fada do Dente?). Não importa de onde ela era. Importa que isso não se faz. Se você quer ter práticas assim sozinho, fique à vontade; mas quando se concorda em morar com outras pessoas, a gente precisa fazer esforços que podem significar abrir mão de alguns hábitos.

Em um dos apartamentos onde morei, ninguém tinha problemas com deixar a louça secando em cima da pia. Ou, se tinha, alguém resolveu abstrair, porque nunca discutimos esse assunto. É uma coisa que eu mesma faço. Lavo a louça que você quiser, mas não supoooorto secar, principalmente por causa dos pelinhos do pano de prato. Três outras meninas faziam assim também - guardavam sua louça depois que elas secavam naturalmente. Mas havia duas que sempre preferiam guardar as suas em vez de deixá-las no seu espaço na pia. A prática delas não incomodava a nossa, nem a nossa interferia na delas. Além do politicamente correto ou incorreto, o que vale é não deixar que o seu hábito afete o bem estar do outro. Não importa o quanto seus colegas de apartamento sejam diferentes. Sempre é possível encontrar um meio termo.


Flat bom é você quem faz
Não estou romantizando nada. É verdade. A maneira como você encara as coisas faz toda a diferença, e sua atitude pode interferir muito na qualidade do ambiente onde você está. Se você mora com 5 pessoas que agem de determinada maneira e você discorda completamente, você pode chegar três tipos de conclusão: a) você não consegue mesmo tolerar. É melhor mudar de apartamento porque você não se encaixa com aquele grupo; b) você não gosta da prática das outras pessoas, mas resolve que não faz mal você abrir mão do que você considera ideal em benefício da boa convivência entre todos; c) você não concorda com o que os outros fazem. Eles não prestam, você sim. Você fala mal deles pelas costas e até dá uma 'sabotadinha' aqui ou ali.

Amigos, não escolham a letra c. Por. Favor. Isso é veneno - pra você e pros outros. Não sacrifice a felicidade do seu intercâmbio com esse tipo de picuinha.

Se você escolherem a a, fazer o quê? Acontece mesmo. Em algumas situações eu faria isso. Exemplo: eu não fumo e não consigo tolerar fumaça de cigarro porque, além de não gostar do cheiro, ela me causa alergia e dor de cabeça. Se eu for minoria em um apartamento onde pessoas fumam, não tem escolha pra mim. 

E a b é a experiência que eu tive muitas vezes. Tive algumas colegas de apartamento muito barulhentas. Não por mal, mas porque elas falavam extremamente alto, e elas mesmas disseram que é algo comum na cultura de seus países (tá vendo a diferença? Não inferi nada sobre ninguém...). Elas conversavam com o volume nas alturas, e no início eu ficava meio irritada porque dava pra ouvir até do meu quarto! Conforme o tempo foi passando, descobri que elas eram tão fofas e especiais em outros aspectos que não valeria a pena começar uma briga ou me mudar por isso. Foi uma ótima decisão, porque tive momentos maravilhosos vivendo ali!


Por que não morar com brasileiros
(no caso de um intercâmbio no exterior, como o CsF)
Eu morei com muitos. Aliás, por alguns meses durante o intercâmbio, eu morei só com brasileiros. Nos dávamos muito bem e cozinhávamos coisas juntos - sempre tinha alguma delícia rolando por aí, e uma das meninas fez um 'cantinho do doce' que era uma maravilha! Apesar de todos os momentos lindos e felizes e maravilhosos, quando tive a oportunidade, optei por morar com pessoas de outros países. Por um motivo só: brasileiro fala português.

Não adianta você falar que mesmo morando com brasileiros vocês vão tentar falar a língua do país e tal. É uma ilusão. O tempo que morei com outras pessoas da Terra da Dilma foi, naturalmente, o período em que menos falei inglês. E você não quer perder nenhuma oportunidade de se desenvolver na língua do país onde está, né? Tem coisas, gente, que a gente praticamente só fala em casa. Como você vai aprender a dizer Ei, me empresta sua espátula e seu escorredor de macarrão? ou Este ralo está um horror, vou desentupir hoje e você faz isso da próxima vez em outra língua se não morar com alguém de fora, hein?


E como falar de tudo isso me deixou cheia de saudade dos meus colegas de apartamento e de quarto, aí vão algumas fotos com esses lindos e maravilhosos que vão ficar pra sempre no meu coraçãaaaaao!

Charlotte, que também aturou nossa colega que deixava unhas à solta.
(Suíça, 2008)
Raquel, representando todos os brasileiros. (Suíça, 2010)
Cecilia, minha irmã argentina e parceira na cozinha. (Argentina, 2011)
Mulenga, minha irmã da Mamma África. (Quênia, 2012)
Primeiras colegas de apartamento do CsF.
Amigonas do Paquistão e de Bangladesh! (Inglaterra, 2013)
Minhas lindas e últimas colegas de apartamento na Roehampton.
Brasil, Noruega, EUA e Espanha. A-M-O essas meninas! (Inglaterra, 2013)

Bom, Acomodação é um assunto quase inesgotável! Fiquem à vontade pra mandar suas dúvidas pelo ask.fm ou pela página do blog no Facebook ;)

AAAAH! Ia esquecendo! Façam uma boa ação, por favor, e respondam a uma pesquisa que eu to fazendo pra universidade, pleeeease? É só clicar neste link!

Beijo e até a próxima!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Dinheiro na mão...

...é vendaval.

Paulinho da Viola tem toda a razão. Coisa difícil é controlar dinheiro! Não sou a mestre da economia, mas ultimamente mais e mais pessoas têm me perguntado o que eu faço pra controlar meus gastos. Alguns até pedem informações bem específicas - e por mais que eu esteja completamente à disposição pra dar dicas e valores gerais, não estou mesmo disposta a revelar os dígitos em si. Não me levem a mal, mas é que algumas coisas têm que ficar só pra gente, né? Enfim, vamos ao que interessa.

Comecei a trabalhar aos 14 anos - uma vez por semana apenas, mas pra mim era trabalho! Inicialmente eu recebia o pagamento ao final de cada dia, e depois passei a ganhar por mês. Desse tempo pra cá, me lembro de uma vez em que perdi o prumo. O dinheiro da minha conta ia só diminuindo, e eu não sabia por quê. Não conseguia me lembrar de alguma compra que pudesse ter feito meu dinheiro ir pelo ralo daquele jeito. Comecei a suspeitar de que alguém tivesse clonado o cartão. O que eu ganhava era bem pouquinho, na verdade, mas dinheiro é dinheiro, né? Finalmente, pedi pra papai tirar um extrato detalhado pra mim. Quando ele chegou, colocou o papel em cima da mesa, e disse:

- Eu realmente não tenho ideia do que houve... dá aí uma olhadinha!

E adivinhem só? No extrato, uma lista interminável de compras de casquinhas de sorvete do Bob's. Eu estudava na frente de um shopping, e sempre que podia dava uma escapada pra comer alguma coisa! De R$1,50 em R$1,50, eu empobreci naquele mês. E basicamente, é assim que eu sou mesmo: amarrada pra comprar qualquer coisa, menos comida. Na época do incidente das casquinhas, eu tinha uns 16 anos, e esse foi a primeira e única vez que meu dinheiro "sumiu" e eu não sabia para onde.

Desde que comecei a trabalhar, eu sempre gostei de fazer planejamento financeiro. Se você abrir qualquer caderno meu - seja da matéria que for - vai sempre encontrar uma infinidade de folhinhas e rabiscos sobre o quanto eu tenho, o quando vai pra isso ou praquilo. E isso não foi algo que meus pais me ensinaram (pelo menos não conscientemente). Essa coisa de ter que rabiscar papel pra organizar minhas contas é bem pessoal mesma. E daqui que eu começo as minhas dicas mais práticas.

***

- Regra de três
Eu tenho sempre três orçamentos: um mensal, um diário e um de supermercado. O mensal inclui os gastos fixos, como transporte e telefonia (no meu caso, também o dízimo), e é sempre o primeiro que eu faço. Essa budget raramente varia de mês para mês, e esse é o dinheiro que eu sei que eu preciso ter independente de qualquer coisa!

O orçamento de supermercado é o que eu uso pra fazer compras de produtos mais duráveis, como macarrão, arroz, molhos e temperos, manteiga, óleo, cereais, geleias, etc., produtos de limpeza e higiene pessoal e a primeira compra do mês de carne. São geralmente coisas que eu consigo usar durante um mês inteiro, muitas vezes mais! Essa budget quase nunca passa das £50.

O orçamento diário é quanto eu me permito gastar por dia. Isso, aliás, é algo que eu já fazia há alguns anos no Brasil. Aqui, meu "teto" para mim mesma são £10 por dia. Andar com notas pequenas, de 10 ou 20, ajuda muito a controlar isso! Mas lembrando, esse é o meu limite - isso não significa que todos os dias eu gaste £10. É bem raro isso acontecer, aliás. Vou dar mais detalhes ali embaixo, na parte do Calendário. Esse dinheiro é pra comprar o que eu quiser e os produtos perecíveis também. Por exemplo: ontem fui ao mercado com meu teto do dia comprar apenas verduras, legumes, frutas e sucos. Quando vou comprar carne, é esse dinheiro que uso também (geralmente, 3 bandeijas de cortes de carne/frango, totalizando mais ou menos 800g, custam £10 se compradas juntas em promoção).


- Prioridades no lugar
Dizer isso deveria ser totalmente desnecessário e repetitivo, mas é incrível a quantidade de gente que, por nunca ter morado longe dos pais, não sabe o que são prioridades. Já vi muitas geladeiras lotadas de cerveja mas nada de comida, ou gente viajando pra lá e pra cá e depois sem dinheiro pra se locomover na cidade onde morar. Isso não é ser vida-loka-maneiro-curtição-total. Isso é irresponsabilidade. Seu futuro precisa de você bem de saúde e maduro, então não comprometa o dinheiro que deve ser destinado às necessidades básicas. 


- O tal do DIY
Quando você encontrar aqui no Reino Unido algo sendo vendido com o selo "DYI", prepare-se para colocar a mão na massa. A sigla significa Do it yourself, ou Faça você mesmo. Apesar do termo estar mais ligado a arte e coisas de casa, eu aplico pro máximo de coisas que eu posso. Cozinho pra mim mesma praticamente todas as minhas refeições, me depilo, faço sobrancelha e unhas em casa, quando meu cabelo ta um horror eu compro os produtos e dou um jeito por mim mesma. Lembre-se que tudo que é pronto é mais caro. E tudo que você pode fazer e é vendido como serviço também custa mais.


- Antes ou depois
Parcelar compras é a cara dos brasileiros. Mas na Europa, isso não rola. É tudo numa lapada só, como diriam na minha querida Natal. Portanto, se você quer comprar algo mais caro um pouco e que foge do seu orçamento, há duas possibilidades: juntar até comprar, ou comprar e apertar depois. Isso depende muito da sua capacidade de controlar seu próprio dinheiro. A primeira opção é sempre mais segura, mas também um exercício de ansiedade. Fora que o preço pode mudar, e se for pra mais dá vontade de voltar no tempo e ter comprado antes. A segunda opção é mais arriscada porque exige bastante controle depois, mas garante o preço e não tem o problema da espera que a primeira opção traz. Eu geralmente uso a segunda, mas porque sei que se eu disser a mim mesma que vou precisar viver com cinquenta centavos por dia, eu vou dar um jeito e vai dar certo!


- Calendário
Além dos planejamentos financeiros, eu sempre tenho milhões de calendários. Nenhum comprado. Eu gosto mesmo é de fazer à mão! Fiz esse aqui na contagem regressiva pra vir pra Londres...


...e este é o meu de outubro, que aos poucos vai sendo preenchido:


A ideia do calendário complementa muito a do orçamento diário. Vendo o que eu vou fazer e quando, eu sei se realmente preciso gastar dinheiro em determinados dias - não é sobre ter o dinheiro, mas sobre a necessidade de gastar. Exemplo: na segunda, dia 14, é aniversário de uma amiga minha, e provavelmente sairemos pra comemorar. Já sei que, nos dias 12 e 13, o ideal é que eu não gaste nada. Dessa forma, quando for sair no dia 14, minha budget diária será £30, em vez de £10. 

Ah! E tem uma coisa! Sair não é sinônimo de gastar dinheiro! Pra mim, é crucial evitar estar na rua em horários de refeições, porque a tentação é grande... Tendo seu transporte garantido (...porque isso é prioridade!) é possível sair e se divertir bastante sem gastar absolutamente nada! Londres tem uma infinidade de atrações gratuitas ;)


- Diversificando
Faço minhas compras em 5 supermercados diferentes. Não estou brincando! Vou ao Asda, ao Tesco, ao Sainsbury's, à Pondland e à Iceland caçar itens diversos. Frutas/verduras? Asda. Carnes? Sainsbury's. Laticínios? Tesco. Ovos? Poundland. Comida de emergência (aquela lasanha que salva vidas de vez em quando)? Iceland. Além de adorar ver supermercados diferentes, é incrível o quanto dá pra economizar quando não compra tudo em um lugar só! O que em alguns lugares é mais caro, em outros vale muito mais a pena. [E se você vem pro Reino Unido, uma dica: passe longe sequer da porta do Waitrose. É ridiculamente caro.]


- Regra do dia seguinte
Essa regra eu também tenho seguido há um tempo, e aplicado não só para as finanças. Mas no caso do dinheiro, é o seguinte: sempre que eu quero comprar algo que sai do meu orçamento, eu falo pra mim mesma "eu volto amanhã" e saio da loja/site. Esse tempo me permite processar se eu realmente preciso e se vale a pena comprar o que vi. Na maioria das vezes, no dia seguinte eu simplesmente não volto - e depois nunca me faz falta. Quando a gente vê alguma coisa pela qual se interessa, é difícil ponderar na hora. Por isso o melhor é deixar pra depois.

***

Lendo isso, você deve achar que eu levo uma vida chatíssima. Mas a realidade é que eu nem me dou conta das minhas contas - de tão natural que isso é pra mim. Acho que ter conseguido visitar 15 países em 9 meses prova que o método dá certo, né?

Finalmente, se você é ou vai ser bolsista do programa e ta lendo esse post, quero te encorajar a resistir à tentação de pedir um SOS à família. O dinheiro que o governo dá não é um valor arbitrário. Você não vai passar fome nem frio, e também não vai deixar de sair e se divertir se usar o recurso com consciência. É claro que emergências podem acontecer - um celular roubado, um problema no cartão... - mas ficar na aba de Dilma e não soltar a barra da saia de papai/mamãe não rola. Até porque um dos grandes aprendizados em experiências como o Ciência sem Fronteiras é dar conta da sua vida financeira por si só.

Enfim... o post ta parecendo uma enciclopédia, de tão grande, mas espero que ajude vocês ;)

Um beijo e até a próxima!


***
Já curtiu a página do Na Terra de Beth no Facebook?

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Sobre auxílios IV: para deslocamento

PARA TUDO!!!

Antes de começar este post oficialmente... quero compartilhar um susto e uma grande alegria que tive esta manhã, ao entrar no blog e ver que ele passou das 100.000 visualizações! GENTEEEEE!!! Só ontem foram quase 1.100! Fiquei um tempão olhando a barrinha da estatística sem acreditar. Minha nossa. Sei que tem gente com blogs bem mais legais e acessados do que o Na Terra de Beth, mas fico realmente feliz com esse desempenho - e pensar que minha pretensão inicial era só manter os amigos e a família informados! Obrigada mesmo, gente. Cem mil trezentas e setenta vezes obrigada :D


Agora sim :) Hora do quarto e último post da série sobre os auxílios concedidos pelo Ciência sem Fronteiras para os bolsistas do programa. Começamos com o seguro-saúde, depois o de instalação, material didático, e finalmente o de deslocamento agora. 
 
***

Nome:
Auxílio Deslocamento

Valor e concessão:
O valor do auxílio deslocamento varia de acordo com o continente para onde você conseguiu a bolsa. Esse auxílio é repassado duas vezes: a primeira é antes da viagem. O valor é depositado na conta que você fornecer ao CNPq/CAPES quando você ainda estiver no Brasil. Para a volta, a segunda parcela vem junto com as últimas mensalidades da bolsa. E atenção aqui! Para alguns editais, é preciso fazer o requerimento desse segundo repasse pelo menos 30 dias antes da sua data de retorno. Em outros casos, o valor vem automaticamente junto com suas últimas mensalidades. Se informe no seu edital quanto a isso. Abaixo está a tabela de valores, de acordo com o site do Ciência sem Fronteiras, consultado em 6 de setembro de 2013 - lembrando não é metade na ida e metade na volta. É a totalidade desse valor repassada duas vezes. (clique na imagem para aumentar):


Finalidade:
O auxílio deslocamento deve ser usado para a compra de passagens por qualquer meio de transporte para te levar até a cidade onde você irá morar e estudar. Ele não se resume a comprar passagens de avião. Até porque, dependendo da localidade, você vai precisar pegar trens, ônibus ou outros meios para chegar na sua nova casa.

Prestação de contas:
A escolha da companhia aérea e da rota é totalmente ao ser critério, mas você vai precisar comprovar a compra de uma passagem que te leve diretamente ao país de destino, isto é, sem conexões longas que o CNPq ou a CAPES possam consideram como viagem de turismo - nesse caso, você precisaria ressarcir o valor ao órgão de fomento! Explicando melhor: você pode fazer (e provavelmente fará) escalas e/ou conexões nacionais e internacionais para chegar até seu destino, mas as paradas não podem ser prolongadas de propósito. Acho que vai dar pra entender melhor quando você ler a minha experiência, aí embaixo :) Essa prestação de contas é feita via email, enviando para o CNPq ou a CAPES o canhoto do seu cartão de embarque usado (aquela parte menor que fica com você). Para isso, você deve escanear (ou fotografar, contanto que esteja bem legível) o cartão e enviar pela plataforma que o programa fornecer. Por favor, cuidem desse cartão de embarque como se fosse o próprio filho de vocês. Ele geralmente é pequeno e fácil de perder, mas caso isso aconteça você vai literalmente ter que dançar o samba do crioulo doido pra conseguir uma comprovação de embarque junto à companhia aérea. Ou isso, ou restituir ao programa o valor da passagem. Ninguém quer arriscar, né? E sobre a volta, a informação que eu tenho é que não precisa enviar comprovante nenhum. Realmente não confirmei isso ainda, mas devo fazer isso em breve e repasso o que eu souber pra vocês.

Minha experiência:
É só falar que eu vou pisar na Europa que eu já abro um sorrisão no rosto. Tendo família morando na Suíça, antes de me informar sobre a necessidade de prestar contas sobre a compra da passagem aérea, minha ideia era ir passar uns diazinhos por lá. Quando soube que teria que enviar o cartão de embarque, mudei de plano: como uma das minhas opções de voo faria escala em Lisboa, pensei em passar um ou dois dias com amigos que tenho em Portugal.

Na época que fui comprar minhas passagens, vários alunos estavam com planos parecidos. Alguns pra ver amigos e família, alguns pra passear mesmo. Mas bolsistas que já estavam no programa disseram pra gente que não era possível fazer conexões ou paradas prolongadas e propositais (de mais de um dia) em algum outro país. Mandamos email para o atendimento do CNPq e eu inclusive liguei, e eles confirmaram a informação: as passagens têm que ser o mais diretas possíveis.

Muita gente estava confusa em relação a escalas e conexões - algumas pessoas não sabiam a diferença entre elas ou como isso poderia interferir na comprovação para o programa. Então vamos lá: escala é uma parada em um aeroporto onde passageiros podem desembarcar e outros novos embarcarem. É comum, por exemplo, quando viajo de Natal para o Rio de Janeiro, precisar parar em Recife ou Salvador. Nesse caso, eu não desço do avião - já que nenhuma dessas cidades é meu destino final. Uma conexão demanda que você faça uma troca de avião, logo, é preciso passar por dentro do aeroporto. Da primeira vez que viajei para a Suíça, por exemplo, precisei parar em Lisboa. Desci do avião, entrei no aeroporto e fui para outro portão de embarque para o segundo trecho. Mesmo com essa parada, eu só paguei por uma passagem e recolhi minha bagagem apenas ao chegar no destino final (apesar de que, dependendo do trecho e da companhia aérea, você possa precisar pegar suas malas durante a conexão e despachar no guichê do aeroporto onde você está fazendo a conexão).

Desculpe se essa informação é redundante ou desnecessária para a maioria de vocês, mas é que realmente isso gera bastante dúvida. Ainda sobre esse mesmo tema, lembre-se que o ideal é comprar o trecho total por uma só companhia ou agência. Além de ser bem mais barato, as opções de horário geralmente são melhores.

A passagem mais barata que encontrei foi saindo de Recife e fazendo conexão em Frankfurt (Alemanha) para depois chegar até Londres. Minha conexão durou poucas horas, por isso eu nem saí do aeroporto. E atenção aqui: lembre-se que sair de um aeroporto em outro país significa passar por todo o processo com a polícia de imigração. Isso quer dizer filas geralmente gigantescas para apresentar seu passaporte. Quando as conexões são curtas, não é aconselhado sair do aeroporto. Você pode acabar perdendo seu voo para o destino final. Abaixo estão os cartões de embarque que eu enviei pro CNPq comprovando que vim direto para Londres - sem parada de "turismo".


Comprei pela companhia aérea Condor. Nunca tinha viajado por ela antes, e contei minha experiência toda neste post. Se não me engano, a passagem custou algo em torno de R$2.700. Comprei apenas o trecho de ida porque as passagens aéreas de volta geralmente expiram se você não usar dentro inferior a 365 dias da ida (essa informação sobre o número de dias não está exata, mas é com certeza algo em torno disso!). Como minha ideia era (e é!!!) ficar no Reino Unido e na Europa o máximo que eu puder, pra mim não valia a pena comprar os dois trechos de uma vez. Muita gente, entretanto, tem feito isso e simplesmente embolsado a segunda parcela que o CNPq fornece. Não há nenhuma informação oficial que diga que não é permitido fazer isso, mas certamente não vai ser o meu caso :D

***

Bom, gente, acaba aqui a série sobre os auxílios então! Espero que tenha ajudado a responder algumas perguntas de vocês. Como um "disclaimer", quero lembrar que os posts são baseados na minha experiência pessoal e nas regras do programa da época em que eu consegui a bolsa, além de consultas a documentos oficiais. O ideal mesmo é sempre se certificar de tudo, consultando sempre o edital e as cartilhas do CNPq e da CAPES, além do site do Ciência sem Fronteiras.

E, qualquer coisa, no que eu puder ajudar, é só mandar as dúvidas pelo http://ask.fm/naterradebeth!

Abração e até mais!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sobre auxílios III: para material didático

Oi, gente!

Continuando a série sobre os auxílios :) Os retornos estão sendo bem positivos, com muitas visualizações e likes no Facebook! Ebaaaa! Por favor, não se esqueçam de avaliar o post no final (na seção Dê sua nota!), assim eu posso medir se eles estão num bom nível ou há algo que dê pra melhorar. Desde já, muito obrigada! Bem, depois de escrever sobre o seguro-saúde e o auxílio-instalação, vamos ao de material didático.

***

Nome:
Auxílio Material Didático

Valor e concessão:
O auxílio para a compra de material didático também é repassado uma vez só, antes da viagem. Ao contrário do de transporte e seguro saúde, este você só pode usar quando já estiver no país onde vai estudar. Abaixo está a tabela de valores, de acordo com o site do Ciência sem Fronteiras, consultado em 5 de setembro de 2013 (clique na imagem para aumentar):


Finalidade:
O auxílio material didático é pra ser usado na compra de materiais escolares e/ou equipamentos que sejam necessários para você como estudante. Lembre-se que essa necessidade varia de curso para curso. Obviamente, as ferramentas que um aluno de Arquitetura precisa não são as mesmas que eu, estudante de Cinema, vou utilizar. É obrigatória a compra de um computador e/ou um tablet.

Prestação de contas:
O CNPq e a CAPES exigem comprovantes do uso do auxílio para a compra de um computador, um tablet ou os dois. A quantia que sobrar depois dessa aquisição é sua e você não precisa comprovar como gastou o dinheiro. Para cumprir com a exigência dos órgãos de fomento, é necessário que você compre o computador e/ou tablet quando sua bolsa já houver sido implementada e você já estiver no país onde vai estudar. As notas fiscais ou outros comprovantes de compra precisam ser do país onde você é bolsista e datarem depois da sua chegada - sem esses dois requisitos eles são inválidos e você pode precisar restituir o valor ao programa. Notas ou comprovantes são enviados pela internet e têm um prazo para chegarem ao CNPq/CAPES. Esses prazos são estipulados por eles mesmos e variam de acordo com o edital, mas geralmente é algo em torno de um mês a partir do momento da chegada no novo país.

Minha experiência:
Quando cheguei em Londres, meu computador tinha acabado de completar seis meses de uso. Não vi necessidade nenhuma de comprar um outro - até porque havia investido em um ótimo computador pra dar conta do trabalho que preciso fazer na minha área. Acabei comprando um tablet só pela obrigação imposta pelo programa. Escolhi um Galaxy Note 10.1 porque já conhecia a Samsung bem e gosto muito da marca. Não sou muito entendida de tablets, mas esse é fácil de mexer e tem várias funções legais. Paguei algo em torno de £350. Apesar de saber que existem alguns mais baratos, preferi desembolsar mais e pagar por algo que na época era de última geração e de uma marca na qual eu confio.

Eu nunca tinha tido um tablet, e realmente foi bem útil. Meu curso demanda muita leitura, e era super fácil levar o tablet pra lá e pra cá e ler sempre que tinha um tempinho extra. Fora isso, usava bastante durante as aulas também e uma vez até acabei "salvando" um professor que não estava encontrando um texto no seu arquivo. Ofereci a ele meu tablet e ele ficou sendo meu amiguinho para sempre depois dessa! Hehehe...

Mas muita atenção aos espertinhos. Essa observação pode até parecer sem sentido, mas é que muita gente (mesmo!) já me perguntou se Kindles (e outros leitores) se encaixavam na categoria. E a resposta é não! Não mesmo. O Kindle é bem mais barato que um tablet, seria muito conveniente se desse mesmo para substituir, mas o Ciência sem Fronteiras não aceita que você não adquira pelo menos um computador ou um tablet. Isso significa que você pode sim comprar um Kindle - claro - mas isso não vai anular a obrigação de comprovar a compra de um computador ou tablet.

Bom, além do Galaxy Note 10.1, eu comprei também uma câmera fotográfica DSLR da Canon. É claro que eu queria a câmera para fins pessoais, mas como estudante de Comunicação Social e Cinema, perdi a conta de quantas vezes tive que pedir câmera emprestada para fazer algum trabalho. Então, apesar de não precisar prestar contas do que fiz com o que sobrou da compra do tablet, eu de fato adquiri a câmera pensando nela como um material didático e ferramenta de trabalho para mim. E foi um dos melhores investimentos que já fiz! No Brasil teria sido incomparavelmente mais caro, sem dúvidas. Na ocasião custou algo em torno de £450 (quase chorei ao ver o preço agora, que tá beeem menor!).

Fiz minhas compras de eletrônicos pela Amazon do Reino Unido, e não precisei pagar taxa de entrega nenhuma. Tudo chegou num prazo curtinho e sem defeitos. Para os demais materiais escolares (canetas, pastas, cadernos) eu fui nas lojas mesmo. Esse tipo de coisa eu prefiro ver do que comprar online mesmo :D

Ah, para o pessoal que é entusiasta de produtos da Apple, estudantes têm desconto comprando nas lojas oficiais da marca! Então é uma boa chance de comprar um MacBook ou um iPad. Muita gente fez assim, mas não foi o meu caso. Mesmo com o desconto, os produtos de lá continuam sendo mais caros. De qualquer forma, acho um ótimo investimento!

***

Amanhã tem o último post da série, com o Auxílio Deslocamento! Se você tiver mais perguntas sobre o auxílio para material didático ou outros, passa lá no ask.fm/naterradebeth.

Té mais!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sobre auxílios II: o de instalação

Olá!

Post número dois da série sobre os auxílios! Segunda-feira falei sobre o seguro-saúde, e hoje está na pauta o auxílio-instalação. Espero que ajude a responder algumas perguntas!

***

Nome:
Auxílio-instalação

Valor e concessão:
Os valores concedidos variam de acordo com o país de destino, e são fixados pelo próprio programa. Lembrando que este também é um valor repassado em única parcela - quando você ainda está no Brasil! Abaixo está a tabela de valores, de acordo com o site do Ciência sem Fronteiras, consultado em 4 de setembro de 2013 (clique na imagem para aumentar):


Finalidade:
O auxílio-instalação é muitas vezes mal interpretado - coitado! Ele não tem nada a ver com pagar pela sua moradia, como muitos bolsistas pensam. O objetivo desse auxílio, na verdade, é te ajudar a cobrir as despesas iniciais relacionadas a se instalar na sua nova casa. Isso pode incluir comprar coisas de cama, mesa e banho, pagar por itens únicos como carteiras de estudante, investir em roupas apropriadas para a estação, fazer a primeira compra de supermercado (que é sempre maior que as outras) ou o que mais você julgar necessário.

Prestação de contas:
Não é preciso retornar ao CNPq ou CAPES o que sobrar desse auxílio. Você também não precisa enviar nenhum comprovante de como utilizou esse valor.

Minha experiência:
Vim para a Inglaterra em Janeiro, pleno inverno. Sabendo que os preços aqui eram melhores, trouxe apenas roupas para os primeiros dias e usei uma parte do valor do auxílio-instalação para comprar todo o resto aqui. Não me arrependi dessa escolha! Além de ter carregado menos coisas na vinda, eu encontrei roupas muito mais baratas e de melhor qualidade do que acharia no Brasil. Lá eu moro no nordeste, e nosso "frio" é verão pros padrões europeus. Então achar roupas próprias daria muito trabalho e eu provavelmente teria que vender um rim e uma córnea pra conseguir pagar por tudo o que eu precisaria.

Pro pessoal que vem no verão, em Setembro, a situação é outra. Dá pra trazer mais itens do seu guarda-roupa brasileiro e usar por aqui durante esse primeiro mês. Ainda assim, em Outubro as temperaturas já começam a esfriar. Eu fiz minhas compras de roupa no segundo dia que estava aqui - não deu nem tempo de ser tentada a gastar com bobagens! Mas aconselho que quem vem em Setembro se prepare para dar uma segurada nas despesas e guardar uma parte do auxílio-instalação pra quando o inverno chegar.

É claro que isso é bem pessoal e varia também de acordo com seu lugar de origem. Certamente o pessoal do sul/sudeste pode considerar trazer algumas peças mais quentinhas já de casa, pra evitar gastos a mais. De qualquer forma, quem não quer roupas novinhas made in Europe, né? :) Vale a pena guardar!

Outra coisa que fiz foi pedir a minha carteira NUS Extra, que é uma carteirinha de estudante que dá desconto em alguns estabelecimentos. Eu uso mais para ir ao cinema ou pra descolar umas coisinhas grátis no Mc Donald's (siiim! Comprando um menu, você ganha uma batatinha a mais, um Mc Flurry ou um hamburguer/cheeseburguer. Minha alma gorducha viiibra!!!). Também já consegui descontos na Eurolines com ela.

Pra quem vai morar fora de Londres mas pretende vir pra cá com frequência, ou quem quer viajar bastante pelo Reino Unido, vale a pena fazer usar a carteira pra fazer um Railcard 16-25, que custa £30, e ter desconto na compra de passagens de trem. Eu não fiz, e até agora não tenho sentido falta. Mas, novamente, isso é algo bem pessoal e depende de onde você está morando e pra onde quer ir no tempo em que estiver no UK.

Mais uma coisa que comprei com o auxílio-instalação: antes mesmo de vir para cá, encomendei pelo Click2Campus um kit de cozinha com um conjunto de louça, talheres, algumas panelas e outros utensílios. Além desses pacotes para cozinha, o Click2Campus tem kits de várias outras categorias, como coisas de cama, computação, e até material escolar. As taxas de entrega variam de acordo com a localidade dentro do Reino Unido.

E isso compensa? Bem, em termos de preço, eu acho que não. É possível achar coisas mais baratas e melhores do que as que vêm no kit. O que pesou pra mim foi a comodidade de eles entregarem direto da universidade, e de chegar lá tendo uma coisa a menos com que me preocupar. Porque, como eu já falei algumas vezes aqui, eu não suporto compras! Então pra mim valeu!

Ironicamente, se eu não suporto loja, eu amo supermercado. E pra mim não foi problema nenhum fazer a primeira compra indo lá e passando um bom tempo explorando os corredores e prateleiras do Sainsbury's, que era o mercado mais próximo de onde eu morava. Mas a verdade é que eu não fui muito esperta em relação a isso. Explico porquê: a primeira compra é sempre maior, já que você compra coisas que duram por alguns meses, como óleo, sal, produtos de limpeza... Lembro que dessa primeira vez eu paguei algo em torno de £90 por tudo o que comprei! Das vezes seguintes, raramente chegou a £60.

Acontece que, na minha empolgação, eu acabei sofrendo pra carregar as sacolas na volta pra casa. Umas duas ou três pessoas me ofereceram ajuda na rua, e o motorista do ônibus ficou com tanta pena que me deixou na porta de casa! Então o que eu faria diferente? Iria ao mercado, daria uma olhada nos produtos (porque pra mim faz diferença ver e tocar antes de comprar), e depois faria meu shopping online! A maioria dos supermercados tem entrega de graça quando o valor da compra é alto. O Tesco é o mais famoso para compras pela internet, então vale a pena entrar no site e dar uma olhada nos preços. Você pode até simular um carrinho de compras pra ver quanto daria mais ou menos :)

Outra coisa que paguei com o auxílio-instalação foi o Oyster Card de estudante - o cartão de transporte que uso em Londres. Custou £10 libras, e a economia é gigantesca comparada ao valor normal da passagem. Aliás, mesmo que você vá morar no interior, se planeja vir a Londres com frequência eu com certeza aconselho fazer um Oyster - nesse caso, o cartão normal mesmo.

Com certeza deve ter havido algumas coisinhas a mais para as quais eu precisei usar o auxílio-instalação. Mas lembro que deu pra guardar uma quantia legal e usar pra viajar depois. É claro que isso depende do que você compra - aqui tem preço pra todos os gostos! Como eu sou do bonde da economia, sempre sobra um cadinho ;)

***

Bom, espero que o post tenha ajudado a tirar algumas dúvidas! Se você tiver mais perguntas sobre auxílio-instalação, passa lá no ask.fm/naterradebeth.

Até a próxima!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sobre auxílios I: o seguro-saúde

Oi, gente!

Bom, com tanta gente fazendo as malas pra começar o Ciência sem Fronteiras agora em setembro, muitas dúvidas têm surgido em relação aos auxílios que o programa oferece. São quatro, ao todo: instalação, material didático, seguro-saúde e deslocamento/transporte. Em primeiro lugar, vale salientar que essas auxílios são concedidos uma vez, no momento da aprovação da bolsa. Para alguns, o programa exige prestação de contas, pra outros não.

Durante essa semana, vou falar um pouco de cada um deles, e espero poder responder as dúvidas em relação ao uso desses valores! Então vamos lá, começando pelo auxílio pro seguro-saúde, porque saúde é o que interessa :D


***
Nome:
Auxílio para Seguro-saúde

Valor e concessão:
Os valores concedidos variam de acordo com o país de destino, e são fixados pelo próprio programa. Abaixo está a tabela de valores, de acordo com o site do Ciência sem Fronteiras, consultado em 2 de setembro de 2013 (clique na imagem para aumentar):


Finalidade:
O objetivo desse auxílio é que o bolsista contrate um seguro que lhe dê assistência médica por todo o período em que ele estará no exterior. Não é como um plano de saúde, e como é destinado a estrangeiros no exterior, a maioria das seguradoras oferece também alguns itens de cobertura para a viagem em si (incidentes como extravio de bagagem, perda de documentos e cancelamento de voos). Independente da eficiência do sistema público de saúde do país para onde você vai, contratar um seguro saúde é obrigatório para bolsistas do Ciência sem Fronteiras. O único requerimento quando ao seguro é que ele te cubra por todo o período que você vai estar fora do Brasil.

Prestação de contas:
O valor concedido pelo programa é mais que suficiente pra contratar um bom seguro. Não é preciso devolver ao órgão de fomento (CNPq ou CAPES) o que sobrar da contratação, mas é preciso enviar depois de um prazo estabelecido pelo próprio programa o comprovante da compra (que é emitido mesmo que você faça tudo pela internet). Então é só não esquecer de guardar esse comprovante!

Minha experiência:
Nunca precisei usar o seguro que contratei no exterior, então não tomem isso com uma propaganda - não tenho como saber se ele realmente é bom. Tomei minha decisão depois de ler o depoimento de um bolsista que tem um amigo que precisou acionar o seguro e ele funcionou bem! Além disso, conheço pessoas que usam essa mesma empresa como seguradora de seus carros e casas, e quando precisaram eles também atenderam bem. Então... contratei o Mundo 365 Ouro da Porto Seguro. Paguei R$1671,22 pela cobertura por 365 dias. No site da Porto Seguro você consegue fazer uma cotação preenchendo os dados da sua viagem na aba 'Simule e Solicite', do lado direito da tela. Lembrando que isto não é uma propaganda - eu nunca precisei usar o seguro, por isso não sei se ele realmente funciona!


Existem sim vários seguros mais baratos do que esse que eu contratei, mas realmente não quis arriscar. Mesmo sabendo que o Reino Unido tem um sistema público de saúde excelente, eu preferi contratar um mais completo tendo em mente que eu posso precisar de alguma coisa enquanto estou viajando. Nesse caso, quem garante que qualquer emergência poderia esperar até eu voltar pra casa? O Mundo 365 Ouro cobre acidentes e incidentes em qualquer país do mundo. Então se daqui pro final da viagem eu decidir dar um pulinho no Camboja, ainda estou assegurada :)

Com a cotação da época, que não estava lá muito favorável, lembro que 'sobrou' mais ou menos R$1500 depois da contratação do seguro. E o que eu fiz com esse dinheiro? Paguei o meu visto! O valor do visto Tier 4 (que é o de estudantes) para o Reino Unido, é algo em torno de mil reais mesmo. Então aproveitei a "economia" com o seguro para pagar o UKBA e algumas despesas que tive para ir ao Rio de Janeiro, onde tirei meu visto.

***

Bom, espero que o post tenha ajudado a tirar algumas dúvidas! Se você tiver mais perguntas sobre Auxílio para seguro-saúde, passa lá no ask.fm/naterradebeth!

Um abração e até mais!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O número da perfeição

Oi, amiguinhos!

Olhaê, vídeo 7 finalmente saindo! Eu sei que já é quase Setembro, mas esse ainda é de Julho :D E esse mês to falando um pouco sobre as minhas impressões sobre a universidade onde estudo, já que muita gente tem perguntado sobre isso. Espero que vocês gostem!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

6 meses e um dia de amor

2 de janeiro de 2013. Eu desembarcava no aeroporto de Heathrow por volta das 11 da manhã. Muita ansiedade pelo que viria, mas uma certeza inabalável de que eu estava a caminho da melhor experiência da minha vida. Em quase 23 anos, essa foi a primeira vez em que eu de fato decidi onde queria viver. Eu não sabia que tipo de gente ia encontrar pelo caminho, como seria a universidade onde iria estudar ou mesmo o apartamento que seria meu novo lar. Mas a consciência de estar em Londres, o lugar onde eu escolhi estar, era suficiente pra me fazer muito feliz.

De lá pra cá, já se foram seis meses... e um dia. E eu to escrevendo agora literalmente com os olhos cheios d'água, enquanto ouço o trecho que diz Oh, let's go back to the start (Vamos voltar para o início), da música  The Scientist, de Coldplay. Pensar que já se foi metade do caminho realmente faz meu coração ficar apertado. Acho que a palavra mais honesta pro que eu sinto é medo. Medo de acordar do sonho que todos os dias eu vivo.

A sensação de ser completamente responsável pelo que eu faço, o que como, pela hora que chego e saio, pela organização dos meus estudos e da minha casa, pelo meu dinheiro e como passo os meus dias é algo que eu não queria perder. Morar sozinha tem me proporcionado uma consciência de mim tão real que sinto como se fosse palpável. Das coisas mais simples às mais complexas, eu entendo mais do que nunca os meus limites, conheço mais do que nunca os meus gostos.

Um intercâmbio como o Ciência sem Fronteiras é uma saída da zona de conforto. O que pode parecer irônico, já que nos mudamos pra países de primeiro mundo. A tendência de quem olha apenas pela perspectiva do lugar em si, é achar que tudo é muito simples e muito fácil. Mas pra cá, a única coisa que é possível trazer por inteiro é a si mesmo, e cair como que de pára-quedas em um mundo completamente diferente: da língua à comida, do clima à cultura. Se adaptar a essa realidade compreende muito mais do que se pode imaginar. Cada detalhe é um desafio, e as pequenas conquistas, como andar pelo supermercado sabendo o corredor onde fica o leite ou a quantidade de arroz que você precisa pra um mês, dão um prazer enorme.

Fora o Brasil, eu tinha conhecido 9 países antes da Inglaterra. Agora já são 18, e posso dizer que o único lugar onde meu coração já quis ancorar foi Londres. Pra alguém que tem espírito de viajante, falar isso não é tão banal quanto se pensa - pode acreditar. Se hoje me dissessem que eu estou "presa" aqui, eu sei que poderia viver plenamente feliz por estar na cidade que eu mais amo no mundo. E eu tenho mil motivos pra achar isso.

Londres é gigante horizontalmente. Você não se sente sufocado pela altura dos prédios; a cidade se estende pelos lados. Londres não é cinza; é verde. Há sempre um parque enorme ou mesmo uma pracinha pra onde escapar. Londres comporta o mundo. Todos os continentes se encontram nas ruas ou num vagão de metrô, não há limites para a pluriculturalidade daqui. Londres é inesgotável. Em termos de oportunidades e lugares pra conhecer, você nunca vai ter visto tudo o que tem pra se ver nesta cidade. Londres, Londres, Londres...

Apesar da realidade incômoda de que já se foi metade do caminho, eu quero olhar para os próximos 6 meses com a expectativa de quem acabou de chegar. Amor é sempre melhor assim, quando a gente olha pra cima e pra tudo de bom que pode acontecer. E como eu tô um poço de sentimentalismo hoje, é melhor parar por aqui, mas ficam algumas fotos do que foram meus Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio e Junho.

JANEIRO: Tudo novo.  Cada experiência era um acontecimento, até
brincar na neve!
FEVEREIRO: Cada vez mais animada com as minhas aulas
e a oportunidade de estudar com gente do mundo todo em Londres. 
MARÇO: Entrei definitivamente para a equipe de produção
da Hillsong. Fazendo o que eu amo para quem eu amo.
ABRIL: Minha família veio me visitar. Apresentei Londres como
sendo a minha cidade, e ouvi do meu pai as palavras que eu nunca vou
esquecer: "Filha, se você quiser ficar, tem todo o meu apoio.
Na verdade eu não te vejo voltando pro Brasil."
MAIO: Mês de colocar o pé no mundo. Apesar de ter visto tanta
coisa linda, pela primeira vez senti saudade de "casa" - e sim,
estou me referindo a Londres.
JUNHO: Enquanto o Brasil ia às ruas, eu descobria meu lado mais
patriota. Adoro ser brasileira. Mas adoro mais ainda ser brasileira
estando com os pés no mundo inteiro.

E é isso. Já se passaram 6 meses. 6 meses de estar tão apaixonada com esta cidade que a ideia de ir embora parte meu coração. Metade da minha jornada se foi, e ainda há muito o que fazer, ver, experimentar. Deus me deu muito mais do que eu mereço ou poderia esperar. Quero abraçar com as melhores expectativas cada minuto restante de viver este sonho. E se me deixassem fazer um pedido, seria um só: ficar aqui.

Pra sempre.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mala sem alça!

Oi, todos!

Eu sei que a gente ainda ta meio que no clima mochilão aqui no blog, mas resolvi tirar a tarde hoje pra gravar um vídeo mais detalhado sobre como arrumar as malas pro Ciência sem Fronteiras :) Espero que ajude o pessoal que tá se preparando pra vir!

Os posts sobre o planejamento do mochilão, conforme eu prometi, vão saindo aos pouquinhos, ta?

Beijo!


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Coisas maiores do que eu


Oi, todo mundo!

Desculpem o desaparecimento. Quando eu tô na Suíça, eu meio que desligo de tudo :D Ainda mais com três sobrinhos lindos pra cuidar. Ser tia cansa, minha gente! Mas que delícia tem sido passar esse tempo com eles. Como as idades são tão diferentes, os interesses também são. Não consigo não pensar no que eles se tornarão um dia... e mesmo sem saber, tenho certeza que vou amá-los do mesmo jeito  A despedida já ta chegando, e só de pensar o coração aperta. Fazer o que, né?

Bom, mas eu vim aqui porque hoje é mais um daqueles dias em que eu me surpreendo lembrando o quanto Deus tem sido bom comigo. Eu, que por muito tempo me acostumei a fazer notícia trabalhando num programa de TV, estou agora sendo notícia. Ok, pode não parecer muita coisa pra um monte de gente... mas que coisa linda e legal ver minha carinha gorda nessa matéria do G1! [é só clicar na foto que abre :)]



AAAAAH! E estar na Suíça é sinal de cantoria, claro! Então lá vai mais o cover de Linger (The Cranberries) que eu fiz com minha irmã Mariana e minha amigona Raquel.


Beijo, gente!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Preguicinha

Oi, gente!

Vossa blogueira aqui é muito chique, e hoje vai postar uma entrevista.

Mentira. Vou postar uma entrevista sim, mas é por preguiça mesmo! Hihihihi... Eu to tentando acertar as contas com mais um trabalho da faculdade (que é pra amanhãaaaaa, socorroooooo!), então não dá pra fazer aquele post elaborado!

Bom, trata-se de uma entrevista que minha amiga Priscila Vaz, estudante da UFF, estava fazendo sobre o Ciência sem Fronteiras. Talvez algumas das perguntas sejam as dúvidas de alguns de vocês. Então lá vai!

Beijos e ótima semana pra vocês!

***


1) Qual foi a principal razão para você ter resolvido fazer um intercâmbio?
Sempre gostei de conhecer países diferentes, então fazer um intercâmbio estava nos meus planos há bastante tempo – só não achava que seria possível vir para estudar. Outras motivações foram o conhecimento e interesse pela língua inglesa e a sensação de que a universidade onde eu estava estudando estava deixando muito a desejar em qualidade.

2) O que está sendo mais desafiador? Morar em outro país, estudar em outra lingua?
O mais desafiador, na verdade, é manter o foco. Como acabei de chegar, minha vontade é sair por aí desbravando não só o Reino Unido, mas a Europa inteira. Ao mesmo tempo, a quantidade de matéria pra estudar é muito maior do que eu tinha no Brasil. O mais difícil, então, está sendo me disciplinar para essa nova rotina.

3) Por que você decidiu optar pelo Reino Unido?
Vim para cá em Agosto de 2012 trabalhar por 10 dias, e me apaxionei por Londres. Além disso, como estudo Cinema, poucos lugares possuem tanta bagagem histórica e produção de conteúdo acadêmico nessa área como o Reino Unido.

4) Teve dificuldades em se ambientar ao local? Em quais aspectos? Culturas, clima, comida?
Comida, apenas. Além deles não terem muitos pratos que acompanham os brasileiros por toda a vida (arroz, feijão, farofa, bife com batata frita...), com a bolsa não se pode dar ao luxo de comer fora todo dia. Cozinhar pra mim mesma é um pouco desafiador.

5) A bolsa oferecida cobre suas despesas? Você levou dinheiro extra para a viagem?
Cobre sim! Não trouxe nenhum dinheiro extra, mas acho que vou conseguir juntar alguma coisa para viajar. Meu estilo de vida, também, é muito simples: sou econômica, não saio todo dia e nem gasto com coisas que sei que não preciso.

6) Quais são as opções de entretenimento no Reino Unido?
Muitas! Além dos parques e museus lindos, há muitas opções para quem gosta de atividades culturais. Shows de bandas mundialmente famosas acontecem o ano inteiro, assim como clássicos do teatro como O Fantasma da Ópera, que estão sempre em cartaz por aqui.

7) Quais são as principais vantagens da faculdade onde você está?
Minha universidade tem uma estrutura incrível, além de ser linda. As salas são confortáveis, bem-equipadas e bem aquecidas. Os professores mostram um nível de preparo altíssimo, e estão sempre nos estimulando a buscar fontes alternativas de conhecimento. A biblioteca tem simplesmente tudo o que precisamos, e por aqui há sempre alguém para dar a informação que você precisa na hora em que precisa. Isso sem contar com a recepção ainda mais especial para alunos que vêm do exterior. Eles são super atenciosos.

8) Que tipo de dificuldades você encontrou no intercâmbio e que não tinha na sua faculdade de origem?
Fora me adaptar ao volume de conteúdo muito maior, nenhuma.

9) Sua rotina de estudos é parecida com a da sua faculdade de origem? No que elas se diferenciam e assemelham ?
Muito diferente. Os professores aqui são mais exigentes, a maioria das minhas aulas têm 4 horas de duração e o volume de leitura que temos que fazer por semana é bem superior.

10) Você pretende continuar seus estudos fora do país? (Pós, mestrado, doutorado...)
Na verdade, eu não tenho interesse em fazer pós/mestrado/doutorado assim que terminar os estudos. Quero respirar dos livros, trabalhar e viajar um pouco. Mas se fosse fazer em algum lugar, definitivamente não seria no Brasil. Ao final deste 1 ano de bolsa, temos que voltar para o Brasil e concluir pelo menos a graduação lá. Não sei se, nesse caso, eu conseguiria juntar dinheiro o suficiente para estudar aqui novamente. Mas tentar conseguir outra bolsa é uma possibilidade!

11) Qual aspecto do intercâmbio você destacaria como sendo o mais importante para sua formação acadêmica?
O nível do conteúdo que a faculdade e os professores têm oferecido pra mim, somado à incrível experiência de estudar com gente do mundo todo. Nada é mais enriquecedor do que estar em contato com culturas diferentes. Ainda mais na minha área, de indústria criativa. Acho impossível realizar qualquer trabalho de qualidade sem conhecer quem o outro é, o que ele faz, por quê faz...

12) Você acha que vai ser difícil voltar para o Brasil, para sua antiga rotina? Por quê?
Vai ser um trauma! Acho que vou do aeroporto direto pro psicólogo. Em Londres as coisas funcionam, o clima me agrada, as pessoas são educadas e não invasivas. Em termos de estudo, vai ser ainda mais difícil. A minha universidade no Brasil está muito longe do nível que temos aqui, vai ser um choque sim.