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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Dias de gula, dia de herói

Oi, todo mundo!

Que dia lindo foi esse domingo. Ok, tava meio nublado e aqui no Reino Unido essa comemoração é em outra data, mas pra mim segundo domingo de agosto vai ser sempre dia dos pais! Não é clichê. Eu tenho, de fato, o melhor pai do mundo. O mais engraçado, o mais protetor, o incansável, o mais companheiro. Ele aposta nos meus sonhos, ele tem as histórias mais legais, ele é o melhor cozinheiro do mundo, ele é meu companheiro de time (bora, Fogão!), ele é meu super-herói.

Muito do meu interesse por música vem do meu pai. Ele não só canta muito, como também sempre gostou de cantar comigo - e eu com ele, claro. Então é bem óbvio que minha homenagem pra ele nesse dia fosse musical como nós dois!


Entãaaooo... feliz dia dos pais (meio atrasado... hehe) pros pais de todos vocês, gente! Pra os presentes, pra os ausentes, praqueles que vão ficar com o coração apertadinho por viverem um ano de saudade de seus filhos intercambistas! Todos são especiais!

Bom, mudando de assunto... Eu to realmente preocupada com a quantidade de postagens minhas relacionadas a comida. Sério, gente! É muita alma de gorda pra uma pessoa só! Na sexta-feira eu tava aqui, de boa na lagoa, quando alguns dos meus colegas de apartamento sugeriram fazermos sushi. Pra que, né? Fazer comida japonesa pela primeira vez foi bem divertido, e comer foi uma delícia! Mais um pouquinho e eu virava uma sereia - digo, baleia, de tanto peixe que eu comi!

No sábado, programação super saudável: fazer uma caminhada de cerca de 4km por uma trilha feita a partir de uma rota de trem que está desativada. Fomos eu, Stephanie (minha amiga das amoras) e a prima dela, Sarah. Maravilha, estava me sentindo a rainha do fitness! Enquanto caminhava, pensei que deveria fazer coisas assim mais vezes. No fundo, eu gosto de me exercitar. Só é difícil começar...


Pelo caminho, havia vários arbustos de amora. Foi difícil concentrar na caminhada e resistir a elas. Já mostrei por aqui o quando sou fraca quando o assunto é amora, né?


Mas aí tudo mudou. Tínhamos planejado comer em um pub depois da caminhada - porque passava da hora do almoço. Acabamos nos perdendo e indo na direção errada. Ó, destino cruel! Nos levou para a frente de um restaurante turco! Se você viu meu post sobre a Turquia, sabe que eu me acabei em comida por lá. E o meu favorito foi esse prato aqui, o Iskender:


Pois adivinhem o que estava lá, saltando do cardápio, vindo em minha direção??? Ele mesmo...


Geeeente, que pecado. E o que dizer da sobremesa? Steph, Sarah e eu dividimos uma porção de baklava, um docinho folhado com calda e pistache. Sério, num mundo perfeito um dia eu comerei baklava sem engordar, sem enjoar, sem me sentir cheia. É um pedaço do céu!


Calma que não acabou não. A garçonete que estava nos atendendo sugeriu um chá. Fiquei toda animada com um tipo de chá que tinha flor dentro, e pedi um deles. Nem me pergunte o nome da flor, mas o chá se chamava Oriental Beauty IV - também não sei onde estavam a I, II e III. Tava bem bom, mas meu povo, foram 450ml de chá. Acho que vou passar uns bons meses sem querer chegar perto!


Poderíamos ter voltado pra casa rolando, de tanto que comemos. Mas fomos tradicionais e voltamos de metrô. O balanço estava quase me fazendo "descomer", mas consegui chegar em casa viva :)

Esta semana é de bastante trabalho! Não sei se consigo aparecer aqui de novo, mas o vídeo do mês sai ainda por esses dias, com certeza!

Até lá!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Luxemburgo: meu passeio arruinado

Continuando a saga por Benelux, minha próxima parada depois de Bruxelas foi Luxemburgo, capital de Luxemburgo (sim, a cidade e o país têm o mesmo nome). Apertadinho entre Bélgica, Alemanha e França, Luxemburgo é o sexto menor país da Europa. E como já mencionei, conhecê-lo foi ideia do meu irmão. E olha só como Deus orquestra as coisas de maneira tão legal: há pouco mais de um mês, eu tava num encontro com algumas meninas da Hillsong e comecei a conversar com uma que eu não conhecia. Ela perguntou como estava sendo a vida em Londres e se eu tava conseguindo viajar bastante. Falei do quanto tenho adorado tudo e contei também do mochilão. Em seguida ela perguntou quais os planos para a próxima viagem, e eu disse "Bélgica, Holanda e Luxemburgo". Isy arregalou o lindo par de olhos azuis dela e me disse que ela era de Luxemburgo e que nunca tinha ouvido ninguém dizer que queria ir pra lá. Continuando a conversa, descobrimos que eu tava planejando a viagem justamente pra época em que ela estaria no país, passando férias com a família. Não paramos de nos falar desde então, e com certeza a melhor parte de Luxemburgo foi ter passado tempo com ela!

Na terça-feira, depois de pouco mais de 3 horas em um trem lotado de umas dezessete mil quatrocentas e cinquenta caravanas de crianças escoteiras (sofri demais e repensei minha ideia de ter 5 filhos), desci na estação onde Isy me encontrou. Almocei com ela e seus irmãos e ja tava adorando tudo. Céu limpinho, conversa boa e lasanha! Fazia uns mil anos que não comia lasanha, todas as minhas células gritavam de felicidade. De lá, começamos o passeio...

A cidade de Luxemburgo é bem pequena tanto em tamanho quanto em número de habitantes. Isy falou que lá, o fluxo de pessoas é mais ou menos 1 milhão (em todo o país!) de segunda a sexta, mas a população real é algo em torno de 600 mil habitantes. Por ser tão pertinho de França, Alemanha e Bélgica e por causa dos altos salários que o país oferece, muita gente vai pra lá só para trabalhar, mas sem fixar residência. Interessante, né?

Outra coisa que me fascinou em termos de cultura é que todo Luxemburguês fala pelo menos três línguas, que são as oficiais do país: francês, alemão e luxembourguish. Isso até o primeiro ano do ensino médio, quando eles também aprendem inglês (de qualidade) na escola. Eu aqui me virando em 5 com minhas três línguas e meia (porque meu francês me salva mas é absolutamente bizarro), e as criaturas com 17, 18 anos falando quatro línguas obrigatórias. Some a isso os interesses pessoais por idiomas distintos, e no final você tem um país cheio de jovens capazes de falar 5 ou 6 línguas. Genial!

Ah! E uma curiosidade sobre comunicação lá: ao saudar alguém ou começar uma conversa, se deve falar "Moien", que é oi em luxembourgish. O idioma do resto da conversa é determinado por quem responde à saudação. Pode ser luxembourgish, francês ou alemão. Chique, né?

Luxemburgo começou nos meados dos anos 900, com a construção de um castelo. Pouco a pouco foram povoando os arredores, até que a nação se estabeleceu. Por sem bem pequeno e estar localizado entre forças colonizadoras da época, principalmente França e Alemanha, o país teve que fazer muito pra não ser integrado a um dos vizinhos. E apesar de ter perdido parte do território original, eles resistiram! Uhul! Muito disso se deve à fortaleza imbatível que eles construíram, em forma de zigue-zague. É possível caminhar por Luxembourg City pelas ruínas dessa fortaleza. A cidade é bem cheia de subidas e descidas, e tem um vale no meio por onde passa o Rio Alzette. Verde e pontes são o que não faltam por lá. Não vou nem dizer que é lindo, porque as fotos vão comunicar isso melhor do que eu.


Isy e eu andamos muito e torramos no sol que tava fazendo. E é claro que sempre tinha que ter um intervalo pro rango. Adorei descobrir que ela tem alma de gordinha como eu - com a diferença é que eu sou, de fato, e ela continua magra não importa o que aconteça. Mundo cruel! Lá vão as iguarias que degustamos nas andanças...:
Sorvete mexicano frito com coquetel de frutas
Roulle de boeuf - o bom e velho bife à rolê
Torta de maçã
No final do segundo dia, íamos encontrar uns amigos dela no Museu de Arte Moderna, que é onde uma das amigas trabalha. Gente, eu tentei. Eu tentei fazer pose e parecer inspirada, mas alguém me explica o que é isso?


Eu admiro arte, mas pra mim tem que ser 2+2=4. Essas coisas que exigem muita alucinação e transcedência pra entender são difíceis demais pra mim... Ainda assim, valeu! Até porque o museu é lindo, e a construção moderna é integrada às ruínas - e as misturas de contemporâneo e antigo (nesse caso, medieval!) realmente me conquistam facinho.


Íamos encontrar os amigos de Isy às 18h, e acabamos ficando direto do passeio do dia inteiro. Mortas e torradas de sol, resolvemos procurar uma sombra e comer uma Nutella porque ninguém é de ferro. Faltavam ainda 1 hora e meia pro encontro quando nos sentamos, e por um momento lamentamos termos planejado meio mal. Mas o fato é que o tempo voou! Fizemos nosso pique-nique chocólatra no meio das ruínas (e carinhosamente o apelidamos de pique-nique arruinado) e depois iniciamos uma sessão digna de modelos das mais renomadas passarelas: nos maquiamos, mudamos o look dos cabelos (ela que fez o meu! Amei!) e entupimos o cartão de memória da câmera com fotos nossas. Isso regado a muitos risos e conversas sobre todas as coisas do mundo. Não vou e nem quero esquecer do mais incrível pique-nique arruinado entre uma brasileira e uma luxemburguesa que se conheceram em Londres. Sério, essas coisas lindas são verdadeiros presentes de Deus pra mim!

 

Aliás, presente também foi a generosidade de Amy, amiga americana de Isy, que me recebeu na sua casa por uma noite. Fiquei encantada com a hospitalidade da família e ganhei uma nova amizade!


A noite do segundo dia eu passei em um albergue mesmo. Fora o fato de que meus 4 companheiros de quarto dormiam de cueca - e o que estava no beliche exatamente de frente pra minha cama, em cima, era mais lindo do que meu nível de concentração podia suportar -, foi tudo bem. Se acalmem, pai e mãe. Não ataquei ninguém e ninguém me atacou. Albergue é assim mesmo, a gente nunca sabe com quem vai dividir o quarto. Mas se todos forem iguais àquele coleguinha, serei eternamente grata e jamais precisarei fazer exames de vista.

E assim foi Luxemburgo. De verdade, tem cidades que eu vou uma vez e me dou por satisfeita. Paris, por exemplo. Já fui duas vezes, mas uma teria sido suficiente. Berlim é outra, realmente não penso em voltar. Mas Luxemburgo entrou para o seleto hall de lugares pra onde eu espero um dia ir de novo. E na próxima, meu irmão não escapa de ir comigo. Foi ele quem me falou de lá pela primeira vez, afinal. Eu falava dele umas mil vezes por dia, pensando no quanto Filipe iria (vai!) amar Luxemburgo. E se você estiver lendo isso, rato, nem pense em escapar de mim!

E amanhã tem o final da jornada. Amsterdam!


Beijo e até lá ;)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Made in China e muito mais

Oi, todos!

Bloguisticamente falando, Junho foi meu pior mês. 4 postagens, minha gente! Só quatrooo! Vocês nem devem acreditar mais em mim quando eu digo que vou postar mais frequentemente, né? Mas eu vou tentar :) Londres continua linda, o sol continua dando o ar de sua graça e eu continuo aproveitando todas as pequenas e grandes coisas que aparecem pela frente.

O último fim de semana foi cheio de coisas especiais pra mim! Sexta fui numa festa promovida pelo pessoal de Hillsong pra comemorar o fim das aulas. Tive minha identidade checada duas vezes porque não acreditavam que eu tinha mais de 18 anos. Devo encarar isso como um elogio, né? Foi aí que me dei conta de que já fazem 5 anos que eu tive 18. Meu pai, como o tempo passa rápido! Enfim, a festa foi mega animada e eu atestei que, apesar de ser a balofinha sedentária que sou, quando se trata de dança eu tiro energia de cada célula que eu tenho. Passei quatro horas e meia dançando sem parar, à base de água apenas. Tudo é uma questão de perspectiva, né? Se me dissessem que eu ia ter que ficar em pé e sem comida por quase cinco horas, eu provavelmente teria um piti. Mas acho que as palavras pista de dança exercem um efeito diferente sobre mim. Me exercitei mais nessa noite do que somando todo o tempo desde que cheguei aqui!

Domingo foi dia de aventura gastronômica! Uns amigos da equipe de produção com a qual trabalho me convidaram para almoçar em um restaurante de culinária cantonesa (sim, porque o termo "cozinha chinesa" é pequeno demais pra tudo o que eu provei aqui). Fomos ao Gerrard's Corner, que fica em Soho, um bairro bem legal aqui em Londres. E dentro de Soho, tem essa área chamada Chinatown - não preciso explicar por que, né?

Nesse restaurante, não se pede porções grande de nada. Todas as iguarias vêm em porções pequenas - o que nos deu a oportunidade de provar várias coisas diferentes. Eu tava animadíssima, sem saber por onde começar! Nunca comi nada parecido com as coisas que provei no Gerrard's Corner. Não queria nem saber se era feio, bonito ou do que era feito. Empurrei o pé em tudo o que vi pela frente. Uma das lições que aprendi bem direitinho da minha família é que não se rejeita comida. Falei mais mandarim do que em toda a minha vida, enquanto me deliciava com  叉烧包, 虾饺, 糯米饭, 奶黄包 e muito mais... 

Dumpling de churrasco de porco (叉烧包)
Dumpling de camarão (虾饺) 
Arroz glutinoso com folha de lótus (糯米饭) 
Doce esponjoso de creme (奶黄包)
Esses daí de cima foram alguns dos meus favoritos, principalmente o último. Teve muito mais!






Eu já comi muitas coisas estranhas na minha vida, justamente por ter essa filosofia de provar tudo o que eu puder nos lugares onde for. Mas nada se comparou à minha cara quando comi língua de pato apimentada e fria, a 麻辣鴨舌. Não só porque o gosto era horrível, mas também porque, ironicamente, a caminho do restaurante, eu parei pra tirar uma foto fazendo cara de pato na frente de um ganso (é tudo da mesma família, né?). Horas depois, lá estava eu comendo a língua do coitado. Que desumana!



Ah, e nada de suco ou chá gelado, como eu geralmente tomo. Dessa vez foi chá chinês mesmo! Sem açúcar e tudo. Tô uma mocinha!


Agora o orgulho maior está expresso na foto a seguir. Lembro de, há uns 6 ou 7 anos, ter matado aula junto com um amigo pra provar sushi pela primeira vez. Ele tentou me ensinar a comer com hashi (aquelas dois pauzinhos que os orientais usam). Eu fui um fracasso total, e desde então nunca havia tentado de novo. Mas eu tava ali me sentindo na própria China, minha imersão cultural tinha que ser por completo. Enquanto a comida não chegava, pedi ajuda dos meus amigos e fiquei treinando por longos minutos. E tcharaaaaammmmm... consegui!


Maravilha, né? Saí do Gerrard's Corner quase rolando, de tanto que comi, mas também super feliz! De lá, fui assistir o culto e depois encontrei com outros amigos para um pique-nique improvisado, aproveitando os últimos raios de sol lá pelas 8 da noite. Depois disso, outro compromisso sagrado: assistir Brasil e Espanha com amigos da universidade (amigos, amigos, amigos... tô escrevendo aqui e pensando no quanto sou "sortuda" por tudo isso...).

Eu já falei isso aqui antes, mas não custa repetir que se tem uma coisa que me faz perder a compostura, isso se chama futebol. Eu viro uma ogra quando estou torcendo. Gritei e xinguei tudo e todos até a quarta geração enquanto assistia nosso Brasilzão "dançar flamenco com castanhola na cara dos Espanhois", como disse meu irmão. Destaque para o maravilhoso David Luiz. Fiquei tão animada com ele que noite passada sonhei que ele queria namorar comigo. Aaaaai, Ana Luiza. Aterrisaaaa!

Na volta, as meninas e eu paramos pra sentar na grama florida da faculdade e admirar as estrelas na madrugada. Delícia!



Ah, gente. Hoje também tive um momento super fofo. Voltando pra casa depois de encontrar um amigo, resolvi parar um pouco na ponte pra admirar o rio no fim da tarde. Daí deu uma vontade louca de descer até a margem. Terminei de atravessar a ponte, só que onde eu estava a beira do rio é toda murada, e tinha um portão chato no caminho. Despertei o meu lado subversivo, pulei o portão e dei aos meus pés o presente que eles queriam: pisar descalços nas pedrinhas da beira do Tâmisa. Pequenas coisas me fazem muito feliz...


Um beijo pra vocês e até breve. Com chuva ou sol, amanhã eu posto de novo... por um motivo muito especial que eu quero dividir com vocês.

Beijos! \o/