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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Personal statement - o agora ou nunca do CsF

Oi, todos!

Faz um tempinho que eu não posto especialmente pro pessoal do Ciência sem Fronteiras. Tá na hora, né? O post de hoje é atendendo a uma sugestão que o Mário, leitor do blog, me enviou. Além disso, a Priscila, minha grandissíssima amiga de infância (que em breve vai estar aqui pertinho!) também tem conversado comigo sobre o assunto ultimamente.

Bom, uma das etapas mais importantes pra quem está tentando o Ciência sem Fronteiras é a produção do Personal Statement. Basicamente, é uma carta às universidades em que você tem a oportunidade de dizer por que você é essa Coca-Cola toda e eles têm que te aceitar como aluno.

Aqui no Reino Unido não existe vestibular, e o PS é com certeza uma das etapas de maior peso na seleção de alunos para as universidades. Ainda agora fui ali na cozinha e vi um livro em cima da mesa, com o título Como entrar para uma faculdade de medicina - o guia completo pra escrever seu Personal Statement. Imaginem a importância do negócio. E não era um livro fininho não, tá? Tinha umas 200 páginas fácil fácil.

Então está entendido: o PS é a sua vitrine e o seu grande argumento dessa seleção. Lembre-se que as Universidades não vão ter acesso a suas notas do Brasil. Ainda que você seja um gênio da lâmpada na sua área de estudo, infelizmente ninguém vai saber a menos que você faça um PS porreta. Pense bem: depois da homologação do CNPq, TUDO o que conta é isso e as notas de proficiência. Sabe aquele carinha que passou raspando em todas as matérias, não fez os trabalhos, faltou metade do semestre mas é fera em inglês? Pois é, se o PS dele for melhor que o seu, fim. Eu sei, a vida é injusta.

Tem milhões de guias por aí sobre como escrever um bom PS, mas o que realmente me ajudou foi o guia da UCAS, disponível neste site. Mas pra não dizerem que eu to com preguiça, juntei aí algumas dicas que podem ser úteis:


Não minta
Ainda que seja tentador, é antiético e pode te colocar em risco caso eles peçam alguma comprovação disso. No caso de Indústria Criativa, por exemplo, dizer que você tem uma vasta experiência e apresentar um portfólio pobre é uma contradição.

Se ame na medida.
Procure ter certeza de que sua auto-estima está em níveis normais na hora de escrever o PS. É claro que você tem que se promover, mas cuidado pra não virar a Narcisa Tamborindeguy na tentativa de vender seu próprio peixe.

Seja humano... também na medida
Apesar do maior objetivo do PS ser mostrar suas capacidades acadêmicas e experiências e aspirações profissionais, também é válido incluir coisas que falem sobre suas preferências e projetos pessoais. Mas vamos com calma, nada de dizer que você quer uma casa no campo e se casar com o Hugh Jackman (ops, essa sou eu!).

Segure esses very
Intensificar um ou outro adjetivo é legal, mas cuidado pra não sair colocando very na frente de tudo quanto é coisa, ou seu PS vai ficar very shitty e very superficial. E se no final das contas o resultado não for bom, você vai ficar very sad por ter perdido essa oportunidade very good.

Revise incansavelmente
Um trilhão de vezes. E quando terminar, revise de novo. E depois, mais uma vez. Uma segunda opinião também é legal. Mostrei o meu PS pra mamãe, e ela me ajudou bastante a dar uma enxugada no texto, que originalmente estava bem maior do que o que eles pedem.

Conecte frases e parágrafos
Eu não deveria nem mencionar isso, porque é super básico pra qualquer produção de texto. Mas conselho nunca é demais. Cuidado pra não sair com algo do tipo: Ok. Vou falar um pouco de mim. Nasci aos 7 meses. Amo ciências. Sou vegetariano. Quero ir pro Reino Unido porque assisti todos os filmes do Harry Potter. (e pelo amor de Deus, se você quer vir pra cá por isso, fique por aí! kkkkk...)


Bom, agora que todos os fãs de HP estão querendo me matar, eu já vou me despedindo. Deixo com vocês o meu PS, lembrando que eles mantêm um banco de dados com os textos de alunos, e plágio é imperdoável por aqui. Na minha universidade, por exemplo, copiar algo de alguém em um artigo científico dá expulsão :) Mas é claro que vocês não vão copiar o meu! Que os de vocês sejam bem melhores \o/ Arregacem as mangas e boa sorte!

***

Choosing a career was not an easy decision until my early teen years. I had interests in many different areas. All my doubts vanished at once when I was 14 years old – that was when I entered a TV studio for the first time. Even though I had always appreciated television and cinema, I could never imagine I would fall in love with the cameras the way I did.

By that time I was a student of a technician Tourism course and High School. A deep interest for languages and traveling guided my choice, and during that time I could study Spanish and French, besides improving my English. In my very first year, some friends encouraged me to apply for an audition to host a television program of that school. One week later I found out I had been chosen, even though I had no prior experience at all.

Seven years have passed from that first time to now, and as I look back I can see how many wonderful opportunities I have had throughout these years. I have hosted 4 programs, participated in 3 television pilots and presented 2 documentaries. By working on TV I had the chance to develop several tasks: hostess, newscaster, producer, interviewer, reporter, script editor, video editor and camera operator. That has given me vast experience for both behind-the-scene tasks and front-camera activities. And as a undergraduate student of Social Communication, I have participated in many projects at the University.

Besides working and having an intense academic life, one thing I really enjoy doing is volunteer work. Every year, I travel abroad to work for an international non-profit organisation. I have been to Switzerland, Argentina and Kenya for volunteering, besides visiting France, Italy, Germany, Uruguay and South Africa. Being a volunteer has changed a lot my perspective of life. Now I feel more prepared to deal with people from different backgrounds. The many assorted areas in which I have worked as a volunteer made me learn more about myself and my skills. And since I always travel on my own, those experiences have helped me become more independent. I reckon that will certainly make the difference when I arrive in the UK as an exchange student.

The United Kingdom has been in my life in many different ways. I grew up watching Charlie Chaplin, always mesmerised by his brilliancy. At the University, I am constantly doing research on the UK's admirable Communication and Media system, home for the best TV and Radio stations in the world, and for their amazing Cinema industry that goes from Alfred Hitchcock's masterpieces to incredible Harry Potter. And in my most rewarding experience in drama, the UK was there too. I played Hermia in Shakespeare's acclaimed classic “A Midsummer Night's Dream”.

After so long admiring the UK over long distance, I finally had the chance to be there. Last summer, I was chosen by a major technology and communications multinational to work as a blogger for the London 2012 Olympic Games. My job was to develop web content for that company, along with other participants from all over the world. I really learned a lot!

Now it's time for me to start investing deeper in my future and pursuing the goal of woking with Cinema, linking my experience on TV with my interest for filmmaking. I know the United Kingdom is the best place to be as I seek my objectives, and I will definitely make the most of the opportunity of acquiring high-quality education that will help me play a significant role as a professional of the creative industry.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Do you speak English?

Oi, todos! Como estão?

Espero que a semana de vocês tenha começado bem linda. Por aqui, ainda muita neve. Mas hoje ficou tudo mais especial porque, apesar das ruas estarem branquinhas, o céu tava um azul lindo. Minha universidade - que já é um espetáculo - ficou encantadora.


Bem, mas o post hoje é pra responder uma pergunta que bastante gente tem feito:
- Você está tendo dificuldades com a língua?

Vamos lá. Quem me conhece ou já leu um pouquinho sobre mim aqui, sabe que eu me formei no CCAA depois de estudar lá por 7 anos, e fui professora por mais 5. Calma, não sou velha! Comecei a dar aula aos 17. Por essa experiência e por já ter viajado pro exterior algumas vezes antes do Ciência sem Fronteiras (inclusive pra Londres), acaba ficando mais fácil pra mim. 

Nas minhas viagens, eu sempre fazia trabalho voluntário em missões com pessoas dos mais diversos países. Acabei me acostumando a vários sotaques diferentes. Por isso, mesmo aqui sendo inlgês briânico, entender as pessoas falando não é dificuldade nenhuma. É verdade que o ritmo e o sotaque são bem diferentes do que eu conhecia enquanto aluna e depois como professora. Mas as experiências anteriores acabaram me salvando bastante!

Tem uma coisa na qual eu realmente preciso melhorar: adquirir mais vocabulário específico da minha área. Como estou em um contexto de universidade, os temas são bem diferentes das conversas cotidianas. No início, eu me retraí um pouco, tentando ouvir muito e falar quase nada. Mas agora já estou me soltando. Hoje tagarelei a aula toda (respondendo às perguntas, tá? Nada de conversa paralela) e fui bem elogiada pelo professor. Aêeeeee!!!

Fico feliz em saber que tem gente realmente preocupada com a língua e não só com falar - mas com falar BEM. Lembrem-se que, quando estiverem aqui enquanto alunos, vocês vão precisar participar nas aulas, escrever artigos, apresentar seminários. Então cabe a pergunta: meu nível de conhecimento da língua é suficiente pra eu corresponder às exigências da vida acadêmica?

Separei algumas dicas que podem dar uma mãozinha...:

Não se faça de doido
Se não entendeu, pergunta! Não é vergonha nenhuma dizer que não conhece uma ou outra palavra. Ao contrário! Assim as pessoas se sentem mais abertas pra te ajudar na língua.

Procure os nativos
Estar com um grupo de brasileiros o tempo todo é muito cômodo. Saia sozinho, sente um pouco mais longe dos conterrâneos. Assim você vai se ver "obrigado" a exercitar ao máximo a língua, e vai ter a chance de ouvir (e absorver) o inglês bem falado dos nativos, sem sotaque e com vocabulário bem mais variado.

Leia sem parar
Sim! Leia o tempo todo, a todo tempo. Não precisa ser um livro (apesar de essa ser a melhor opção!). O exercício vale também pra folders, propagandas, capas de revista, manchetes de jornal. É incrível como nosso vocabulário e competência gramatical se expandem quando começamos a ler em inglês!

Tenha o pai dos burros sempre por perto
Tô falando do dicionário, né, genteee? Pra quem tem smartphone/tablet, vale muito a pena baixar um dicionário de inglês. Isso já me salvou várias vezes na aula! Outro dia, pra responder uma pergunta, precisei da palavra "metonímia". Em um segundo consultei no celular e deu tudo certo! Se você não tem smartphone ou tablet, sem traumas. Compra um dicionário de bolso que ajuda demais!

Anote em inglês
Durante a aula, é tentador dar uma de espertinho e fazer as anotações em português! Nada disso! Quando se traduz, muita coisa se perde. Anote em inlgês de maneira que você compreenda, mas sendo fiel ao vocabulário usado pelo texto ou pelo professor.

Esqueça as legendas
Se você quer mesmo morar em um país que fala inglês, já ta mais que na hora de deixar pra lá esse negócio de filme legendado. Dublado nem se fala, né? Mesmo que você tenha que voltar a cena mil vezes, ainda assim vale a pena assistir sem legendas.

Concentre-se na sua área
Faça um esforço ainda maior pra adquirir vocabulário específico. Leitura é o meio principal pra isso. Não se esqueça de anotar termos técnicos e usá-los assim que tiver oportunidade.

Solte o verbo
Estar enferrujado no inglês não é motivo pra deixar de falar. Ao contrário, sem prática é que o negócio fica feio mesmo! Lembre-se que, quando se trata de língua, a gente aprende muito mais quando fala do que quando ouve.


É claro que muitas dessas coisas são pra serem aplicadas quando você já estiver no exterior. Mas dá pra começar a praticar algumas delas, como ver filmes sem legendas e ler bastante em inglês - principalmente textos relacionados à sua área do conhecimento.

Bom, espero que o post tenha ajudado!

Um beijão pra vocês e até mais!!!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Toda universitária...

Hi, people!

Gente, que dia. QUE - DIA!

Comecei com o pé esquerdíssimo, pra falar a verdade. Ontem tínhamos combinado de nos encontrarmos na recepção do condomínio às 7:55 da manhã. Ok, né? Coloquei o despertador pras 7:00 e depois pras 7:10, e NADA! Não posso nem afirmar que ele não tocou, porque eu estava tão exausta ontem que é bem capaz que não tenha ouvido.

O fato é que abri os olhos na mesma hora que a Vanessa, outra estudante brasileira, veio me acordar. Já eram 8:20 e estava todo mundo lá embaixo, exceto eu e outro garoto. Me arrumei na velocidade da luz, catando tudo que vi pela frente. Preciso fazer uma confissão: nem escovei o dente! kkkkkkkkk... Sério, gente, eu tava com tanta pressa e raiva de mim que simplesmente engoli um enxaguante bucal e pronto. Bom, ninguém reclamou no meu hálito, então eu vou presumir que não tava com aquele bafo de onça.

To rindo agora enquanto eu escrevo, mas na hora eu fiquei completamente sem chão. Nossa, que horror. Atrasar assim, no primeiríssimo dia! Acreditam que isso aconteceu também no meu primeiro dia como blogueira da Samsung aqui em Londres, durante as Olimpíadas? Daquela vez foi a Elize que me salvou :) Que bom encontrar amigos, né? Então fica uma lição pra vocês: não contem comigo em "primeiros dias".

Bom, mas o dia foi tão intenso que nem deu pra ficar remoendo minha culpa por muito tempo. Chegamos na Universidade e fomos direto para um lugar onde recebemos orientações gerais sobre a cidade e a Roehampton. Depois tivemos um intervalo, e ele nos ofereceram bebidas quentes. Tomei um café super chique, com chantilly e marshmallow!


Depois disso fomos confirmar nossas matrículas e ver em que matérias estávamos inscritos. Eu vou pagar Formas de Cinema, Crítica Audiovisual e Mídia, Cultura e Sociedade. To muito animada \o/ Em seguida, fomos fazer nossas carteirinhas de estudante. Parei no banheiro, retoquei a maquiagem, dei uma ajeitada na juba e ensaiei um sorriso. Enfim eu teria uma foto boa numa carteirinha. Mas gente... eu não sei o que acontece comigo nessas horas. Eu saí tenebrosa, assustadoramente horrível! Foi um trauma...

Bem, terminada a matrícula, foi a hora do rango. Comi o típico peixe com batata frita na companhia de novos amigos.




Tinha até um labrador delicioso no refeitório, que me fez suspirar de saudade do meu bebê, Calixto...


Enquanto caminhávamos pela universidade, era impossível não parar toda hora pra tirar uma foto ou pelo menos admirar a paisagem. Gente, que lugar lindo! É sério, to muito encantada *---* Eu e a Lara nos perdíamos do grupo toda hora, parando pra fotografar, e depois tínhamos que correr pra alcançá-los. Foi muito legal! Mas a Roehampton é bem maior do que o que vimos hoje, então certamente muitas fotos ainda virão por aí...











Achei até um esquilo! Fiquei muito apaixonada, foi a primeira vez que eu vi um! Minha ideia de esquilo era a personagem Sandy Bochechas, do Bob Esponja:



...mas agora eu tenho uma visão bem mais real! 


Bem, terminada a programação da universidade, fomos até um centro comercial pra conhecer e comprar alguns itens básicos dos quais ainda precisávamos. Encontramos um paraíso chamado Poundland. Paraíso mesmo! Eles vendem absolutamente tudo por 1 libra (+/- R$3,50). Depois de fazermos a festa lá, fomos até uma loja também muita legal, chamada Argos. Eu precisava de um adaptador de tomada e um secador de cabelo. Quase que eu dou um abraço no vendedor quando descobrimos que o secador custava 4 libras! Quatrooooo! Fiz até uma cara de "meu Deus, que barato!" só pra vocês:


Mas calma, gente. Eu devo algumas explicações: eu não alisei o cabelo, ta? Fiz um tratamento pra reduzir o volume, e ele ainda vai levar uns dias pra cachear. Mas não pensem que eu abandonei o grupo das encaracoladas não! Jamais! Comprei o secador mais porque aqui é muito frio, então sair de casa com ele molhado é quase suicídio, né?

Bem, terminamos as compras com aquele friozinho belíssimo, e pegamos um busão de volta pro alojamento. Hoje eu tava "com a mulesta", como dizem em Natal, pra tirar fotos. E sempre dava a desculpa que era pro blog. Então olha aí mais algumas:



Nos arrumamos rapidinho no alojamento e voltamos pra Roehampton. Sim, uma verdadeira maratona. Mas é que eles prepararam tantas coisas pra receber a gente que não dá nem vontade de perder esse pique, apesar de todo o cansaço. Fomos para um jantar de boas-vindas, onde o pessoal do grêmio falou de algumas atividades preparadas para os alunos. Fiquei sentada ao lado da Vanessa, o anjo que me acordou hoje de manhã.


O pessoal fez uma brincadeira chamada Bingo Humano, foi super legal! O objetivo era encontrar pessoas que tinham feito coisas extraordinárias, ou que nunca tinham feito coisas super comuns. Só deixei em branco três categorias: achar alguém que nunca foi no Mc Donald's, alguém que nunca bebeu e... vixe, esqueci a outra :P Ah, mas o que importa é que foi bem massa, deu pra rir bastante.


Ai, gente... eu to amando muito a universidade e o cuidado que eles têm tido com a gente. Apesar de eu não ter ido a nenhuma aula ainda, me sinto feliz por saber que tem pessoas que sabem meu nome, de onde eu sou e que podem me ajudar se eu tiver alguma dúvida. Outra coisa super legal: aqui tem um pedacinho do mundo todo! Sério, gente de vários países. Só esse semestre, serão 270 estudantes internacionais na Roehampton. Não é segredo pra ninguém que eu amo cultura e estar com gente de diferentes países, então achei o lugar perfeito, né?

Eles até prepararam um mapa onde podíamos marcar nossos lugares de origem. Fiquei feliz por estrear o adesivo em cima de Natal. Na verdade, não achei mais ninguém do Nordeste, por enquanto... Que responsabilidade representar tanta gente, né?



E é isso! To indo dormir mais cedo hoje porque... vocês sabem, né? kkkkkkk...

Um beijão!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Lar, doce lar!


Oi, gente!

Nossa, achei que não ia dar tempo de postar hoje... o dia foi super corrido!

Antes de dormir, ontem, coloquei o relógio pra despertar às 10:30, porque tava morta de cansada. Acabou que nem consegui dormir tudo isso. Às 8:30 eu já tava de pé, super ansiosa pro meu segundo dia em Londres. Arrumei minhas coisas bem devagar, tomei um banho longo e conversei com minha irmã pela internet.

Desci pra tomar café da manhã achando que era 10:45. Engano meu. Quando parei por um dos computadores do lobby, vi que ele marcava 11:45. Achando impossível, olhei pro meu relógio de pulso. Sim! 11:45!!! Eu tinha ajustado o relógio do celular errado. Isso significava que eu tinha 15 minutos pra tomar café, fechar minhas malas e fazer o check-out, ou então teria que pagar outra diária.

Peguei um croissant e comi na velocidade da luz, coloquei tudo dentro da mala sem nenhum cuidado e desci pra fazer o check-out. Cheguei no balcão às 11:59! Meu bolso agradece muito...

Ok, passado essa correria, agora o desafio era outro: conseguir carregar três malas até o ponto do ônibus. Seria cômico, se não fosse trágico. Toda hora eu tinha que pegar uma e deixar outras duas, ou vice-versa. Não tinha como dar 5 passos sem deixar pelo menos uma malinha cair :D Fiquei no ponto por alguns minutos, num frio de rachar. Não tive outra opção a não ser enrolar o cachecol no rosto antes que meu nariz congelasse. Uma lindeza só!


Cheguei no aeroporto e fui recebida por pessoas super simpáticas da minha universidade. Outros alunos do Ciência sem Fronteiras e outros programas ao redor do mundo também esperavam a hora do ônibus nos levar até a faculdade. Foi ótimo encontrar colegas que antes eu só conhecia pelo Facebook!

A recepção na universidade foi uma fofura! Todos eram muito atenciosos e nos deram um kit bem completo: um guia falando sobre a cidade, uma carta informando qual o nome do nosso médico (sim! Eu tenho um médico só meu!!!), um chip de celular (!!!) e uma sacolinha contendo sanduíche, suco, chocolate e fruta. Desculpem, mas quando lembrei de tirar uma foto, já tinha comido tudo! Hihihihihi... então vai só o kit das coisas não comestíveis mesmo :D


Bem, depois das instruções sobre como funciona a University of Roehampton, fomos levados até a universidade que vai nos hospedar, que é tipo parceira da nossa. Eu e os outros 12 estudantes brasileiros que estavam comigo fomos recebidos com muita simpatia também. Teve apenas um problema: 2 dos alunos estavam sem quarto. E é claro que um deles era eu!!! kkkkkkkkkk...

Depois de esperar uns 40 minutos, finalmente nos deram as chaves do nosso quarto. Aêeeeee!


O quarto é muito fofo e tem tudo o que eu preciso. O melhor de tudo é que é uma suíte! Que luxooooooo! Tudo bem que se eu engordar muito, só vai dar pra entrar no banheiro se for de lado, mas pelo menos isso é um estímulo a mais pra eu me segurar na comilança. Olha as fotos aí!





Apesar de ter um quarto só meu, divido o mesmo corredor com outros 5 alunos. Até agora só conheci uma, que é uma paquistanesa que está aqui estudando Biomedicina. Ela foi super gente boa comigo e me deu muitas dicas boas. Por estarmos no mesmo corredor, compartilhamos uma cozinha super bem-equipada! Adorei!


Pra completar também, chegou o kit de cozinha que eu pedi pela internet! Agora só falta a cozinheira, né? Vamos ver se morando sozinha eu melhoro meus dotes...


Quando descemos novamente, o instrutor estava nos esperando com uma pilha de pizzas! PIZZAS, genteeeee!!! Eu já tava toda impressionada com o cuidado e atenção com que fomos recebidos, mas esse mimo me conquistou de vez.



Pra fechar o dia, uns colegas e eu fomos até o mercadinho aqui perto comprar umas coisas que faltavam. Não resisti ao ver que tinha uma prateleira cheia de Kinder Ovo! E do tradicional, o ovo mesmo! Só comprei dois dessa vez, mas sei que vou precisar de muita força de vontade pra não acabar passando nesse bendito mercadinho todo dia...


Bom, por hoje é só... Eu to morta de cansada, e amanhã as atividades começam cedo por aqui!

Um beijo pra vocês!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Em L-O-N-D-R-E-S!

Oi, gente! Finalmente estou postando de Londres \o/

Meu voo de conexão pra cá foi super tranquilo. Uma hora e meia de viagem, só. Eu sei que sempre tiro essa mesma foto, mas é que não resisto à vista maravilhosa das nuvens. O céu tava lindo demais!



Nem parecia inverno, com esse céu azulão... e pra completar, os comissários ainda serviram um iogurte com frutas e cereais maravilhoso da Mövenpic. Alma de gorda aqui não resistiu!


No desembarque também, nenhum problema. Minhas malas chegaram sãs e salvas, não precisei passar pela alfândega, e agora tenho um carimbo lindo do Reino Unido no meu passaporte. Enquanto me deslocava até o hotel, vim no taxi tentando olhar Londres com outros olhos. Tentando me acostumar à ideia de que, pelo menos por um ano, esta vai ser a minha cidade, a minha casa. Deu um friozinho bom na barriga...

Cheguei no hotel e sofri quando abri a porta do quarto. Olha que tristeza essa cama de casal bem fofinha só pra mim! Já coloquei meu ursinho Golias posicionado, esperando a hora do nosso ronco.



Bom, mas apesar dessa vista tentadora, o descanso demorou a chegar! Eu sabia que tinha uma missão pra hoje: comprar roupa. Peguei um busão até o aeroporto, um trem até o centro de Londres, parando na estação de Paddinton. Essa feinha aqui, ó:


De lá, peguei um metrô até a Rua Oxford, que é onde todas as lojas possíveis e imagináveis ficam. Quando cheguei lá, passava um pouquinho das 14h, mas pelo céu não dava pra saber nunca que era tarde... Engraçado, há alguns meses estive neste mesmo lugar, e o cenário era totalmente diferente!


Mas gente, não é brincadeira não, hoje eu vi que, definitivamente, eu odeio comprar roupa. Não tem quem me faça gostar. Não é questão de ter ou não ter dinheiro suficiente. Hoje eu tava com um orçamento lá em cima, já que não trouxe roupa praticamente nenhuma, e em 4 horas andando não consegui chegar nem à metade do que precisava comprar. Na segunda loja, eu já tava de saco cheio, querendo que alguém me tirasse dali. Se eu pudesse escolher uma pessoa pra me salvar naquele momento, seria minha irmã Mariana. Tenho certeza que, no meu lugar, isso não seria problema nenhum pra ela.

E além da falta de paciência gente, tem uma questão importante: eu sou uma assassina da moda. Sério, é raro eu conseguir me vestir realmente bem. E aqui em Londres, as pessoas são simplesmente lindas e maravilhosas, muito, mas muito bem vestidas! Daí minha estratégia é a seguinte: eu comprei algumas coisas só pra ir sobrevivendo. Na segunda, quando começarem as aulas, eu vou fazer anotações sobre como as meninas se vestem, e depois me aventurar na tortura de novo. Haja paciência!

Já passava de 18h e eu estava morta de cansada. Desde ontem, às 9h, eu não dormi praticamente nada! Foram uns cochilinhos ou outros no avião, mas nada que passsasse de meia hora, tenho certeza. Já são mais de 34 horas no ar, né? E pra completar, a gênia aqui resolveu usar uma bota de salto hoje. Ok, o salto é baixo, mas é salto. E quem me conhece sabe que eu nasci pras Havaianas e tênis. Meu pé tava doendo muito, e eu já tava morrendo de fome! Meu almoço hoje não foi bem um almoço. A não ser que você considere bolinho de chocolate branco com framboesa e cappuccino uma refeição de verdade! Mas que tava bom, tava!



Bom, peguei novamente o metrô, o trem pra chegar ao aeroporto, e finalmente o ônibus do aeroporto pro hotel. Eu estava crente e abafando que já era a rainha do transporte público, né? Mas minha gente, escrevam uma coisa: Ana Luiza não consegue sobreviver sem uma encrenca de vez em quando. Sim, com menos de 12 horas aqui, eu já consegui arranjar uma história pra deixar minha mãe de cabelo em pé!

Simplesmente perdi a parada do ônibus! Percebi que alguma coisa estava errada no caminho, porque já estávamos numa rua super afastada das avenidas dos hoteis. Perguntei ao motorista qual era a melhor opção pra voltar. E ele disse que a ÚNICA era caminhar de volta. Imagina a cena e o estresse... Eu, às 20 horas, no frio e no escuro, numa rodovia onde não tinha uma alma viva além dos motoristas nos carros, cheia de sacola na mão, com o pé pedindo arrego, morrendo de fome e de vontade de fazer xixi (ah, eu falo mesmo! Quem não tem?). Na boa, gente... eu devo ter andado uns 2km! Mas ó, não precisa ninguém se preocupar, to viva!

Cheguei no hotel esbaforida, e ao entrar no elevador tive um ataque de riso. Eu estava simplesmente horrível! Além da cara de morta, eu tava toda descabelada. Não resisti e tirei uma foto do meu momento “diva”.


Bom, eu comprei um lanchinho enquanto ainda estava no centro, pra não ter que jantar no restaurante do hotel. Certamente eu teria que vender um rim meu pra pagar pela comida... Minha ideia era pra economizar, só que com toda a demora pra voltar, a comida já estava gelada! Gelada mesmo, incomível. E aí eu tive uma ideia extraordinária: esquentei o wrap com o secador de cabelos. E não é que deu certo?


E olha, se tem uma coisa que eu não gosto são esses dilemas fisiológicos, tipo quando a gente ta com fome e sono ao mesmo tempo. Hoje meu problema era a fome e a vontade de tomar um banho. Cada um falava mais alto que o outro. Mas como eu não gosto de deixar ninguém chateado, enchi a banheira e jantei lá dentro mesmo. Fina demais, né não?


E é isso... Depois desse dia que rendeu um monte de história, eu vou finalmente dormir!

Um beijo pra vocês e até amanhã :)

Um "Hallo" pra vocês!

Hallo, genteeee! To falando assim, chique, porque to aqui em Frankfurt, na Alemanha, esperando meu voo de conexão pra Londres. Vou contar como é que foi a chegada até aqui :)

Quando fui comprar minha passagem, vi que os voos saindo de Natal na primeira semana de janeiro estavam carérrimos! Alguns chegavam a passar dos R$6.000. Tudo bem que Mãe Dilma ta me dando uma mensadinha gorda, mas esse valor realmente extrapolava demais o auxílio-deslocamento previsto pelo programa. A solução foi achar uma passagem saindo de Recife. Comprei meu bilhete pela Condor – um voo com conexão em Frankfurt, saindo dia 1 de janeiro. 1 DE JANEIRO! Me fala, quem é a doida que faz a família viajar mais de 300km no primeiríssimo dia do ano??? Eu, claro.

Depois de uma maravilhosa noite de ano novo ao lado de bons amigos, minha família e eu fomos descansar as poucas horas que nos restavam até a viagem. Saindo de casa mais ou menos às 10h da manhã. Mesmo com o Revéillon na noite anterior, alguns amigos lindos foram em dar um abraço de despedida, e minha super-amiga Xu até topou ir com minha família me levar até Recife.

A viagem foi tranquila. Chegamos no aeroporto com folga no tempo. Na fila gigantesca do almoço, me dei conta de que a roupa que eu tinha levado pra trocar tinha ficado em casa. Eu estava de short, com uma blusa velhérrima e havaianas no pé. Se você me visse por lá, não ia acreditar nunca que esta criatura que vos fala estava realmente indo pra Londres. Glamour zero, né?

Comi o pior sanduíche do Subway da minha vida, enquanto ainda pensava em como iria arranjar uma vestimenta decente. Cheguei a cogitar trocar de roupa com Xu, mas me caí na real e me lembrei que ela tem pelo menos 15kg a menos do que eu. Tavez ficasse um pouquinho apertada... mas só um pouquinho! Me recordei da blusa de manga comprida, da meia calça e do sneaker que tinha colocado na mochila. Pronto. Já tinha minha roupa! Meu look final foi meia calça preta por baixo do meu short jeans velhinho, um casaquinho preto e minha bota. Fiquei belíiiissima – só que não.

Antes de me trocar e virar essa diva da moda, entretanto, teve todo o auê do check-in. Minha gente, QUE TRAUMA! Enquanto eu ainda estava na fila, teve uma confusão de família feia! Rolou até um gordinho partindo pra cima de um alemão 2m maior que ele. Corajoso, né? Mas não chegaram a se estapear mesmo não. Depois de uns xingamentos e chororôs, parece que ficou tudo bem. E é óbvio que minha família, eu e Xu ficamos devagando sobre o conflito. Criamos a versão de que o cara que partiu pra briga era pai de uma das crianças que estava com a mulher do alemão – que seria, no caso, a ex-mulher dele. Ele não queria que o filho partisse com o “novo papai” e tentou reter o passaporte dele, gerando a confusão. Fala aí se a gente não tem dom pra roteirista!

Chegou a minha vez de despachar as bagagens, e estava eu bela demais com shortinho, camiseta e havaianas (como disse, até então eu não tinha me trocado). Quando entreguei meu passaporte, o atendente pediu que eu lhe desse o número da reserva. Encontrei no celular e passei pra ele o número. Ele autorizou que eu colocasse minhas malas na esteira, pra logo em seguida dizer que eu estava excedendo meu limite de 20kg. Para tudo, né? Viagem internacional saindo do Brasil nos dá direito a 2 bagagens de até 32kg cada. Pelo menos disso eu sabia bem.

Na fértil imaginação daquele homem, ele começou a fantasiar em voz alta, me dizendo que eu era residente da Europa, provavelmente tinha vindo passar férias no Brasil, e por isso só tinha direito a 20kg. Com minha paciência ainda fresquinha, eu disse a ele que eu era brasileira, morava no Brasil e que a última vez que havia estado na Europa tinha sido em Agosto. Eu não estava “voltando pra casa” - era uma viagem completamente diferente.

Mas ele insistiu em sua teoria louca e o clima esquentou. Ele falou, com a educação de um cavalo selado, que eu teria que apresentar o bilhete impresso pra comprovar que eu tinha direito aos 32kg. Aí eu já tinha virado um siri na lata, esquentei mesmo e ele “””””””delicadamente“”””””” disse que estava cancelando o atendimento, e que eu só voltasse quando tivesse o bilhete impresso em mãos – coisa que nenhuma companhia aérea pede!

“Meu bem” - disse eu silenciosamente -, “de onde você quer que eu faça nascer um computador e uma impressora pra imprimir o bilhete?”. Mas foi aí que entrou em cena meu irmão-heroi. É sério. Ninguém precisa de Super Homem quando se tem Filipe por perto. Numa velocidade inacreditável, ele encontrou uma lan house e imprimiu o bilhete pra mim. Sério, gente, acho que ele não levou nem 5 minutos! Lindo, lindo, lindo! Brigada, Rato, por me salvar!

Fui enfrentar de novo aquele doce de pessoa, e como eu já estava com o juízo em chamas, minha vontade foi de pedir pra ele ler o papel em voz alta. Ele ainda teve a audácia de ser extremamente grosso com meus pais, acreditam? Foi realmente um bruto. No final de tudo, ele estava erradíssimo. Não digo isso nem por ele querer confirmar a informação (apesar de que eu tinha provas demais de que não era residente da Europa, que não estava retornando pra lugar nenhum), mas principalmente pela forma como ele nos tratou.

Passou. Como recompensa pelo estresse, papai pagou por 2 preciosos minutos naquelas cadeiras de massagem pra mim e pra Filipe. Renasci, gente. Passou o mau-humor num instantinho. Fui me trocar e começaram as despedidas. Eu estava tão feliz que não tive nenhuma vontade de chorar. Estou consciente da saudade que me aguarda, mas a alegria de estar embarcando pra viver um sonho era tão grande que as lágrimas passaram longe.





Cheguei na sala de embarque, e logo começaram a chamar pro nosso voo. Olhei pro cartão de embarque e vi que meu assento era o 9E. Pela letra, eu sabia que ou estaria num assento no meio ou no corredor – tudo o que, até então, eu menos queria.


Mas gente, eu quebrei a cara! E como! Entrei no avião e fiquei instantaneamente impressionada com o espaço entre as cadeiras. Olhei mil vezes ao redor pra ver se estava no lugar certo. Vi também que a cadeira do meio, onde eu estava, era a mais confortável da fileira. Alguma coisa estava muito errada... e estava mesmo! Minha gente, eu fui elevada à classe Premium! MUITA, MUITA, MUITA fineza!!!

Depois fiquei pensando que o atendente pode ter se arrependido e me colocou naquele lugar mara... Aproveitei todas as horinhas preciosas daquele luxo que ganhei de presente. Minha alma gorda não deixou barato pra nada do que foi servido. Quase fiquei com vergonha de ter comido mais que os dois homens que estavam ao me lado. Quase. Chutei o pau da barraca e comi com fé, como se não houvesse amanhã. O rango estava maravilhoso.

Apesar de todo o conforto e espaço de sobra, eu não consegui dormir mais que 30min durante todo o voo, que teve mais de 9h. Eu não estava entendendo o porquê, mas então lembrei que à tarde eu tinha tomado meu remédio pra enxaqueca. Como ele tem muita cafeína, sempre tenho insônia quando tenho :( Resultado: tomei o remédio pra não ter dor e agora to com dor de cabeça porque não dormi. Que beleeeeeeza!

Desci do avião e meu maxilar congelou imediatamente. E ainda mais estando com essa meia calça ~super~ quente, tá uma maravilha. Do avião até o portão central do aeroporto, o sistema de aquecimento é zero. E a temperatura tá uma belezinha: 2˚C. Mas calma, mãe, onde eu to agora tá até quentinho, na medida do possível! Procurei logo um lugar em que me sinta em casa... olha aí o M mais lindo do mundo!!!


Bom, agora é só esperar. Daqui a pouco menos de 2h vou estar a caminho do meu destino final.

Beijo e até logo!