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sábado, 2 de novembro de 2013

Por onde andei

Oi, todo mundooo!

Há algum tempinho estou devendo a lista de albergues em que fiquei nas minhas viagens, e o que eu achei de cada um deles. Pra minha grande sorte, em muitas cidades que eu visitei, eu fiquei na casa de amigos - que são sempre anfitriões bem melhores do que os albergues possam oferecem! Mas aí vão as minhas reviews desse ano:


Praga, República Tcheca
Pontos fortes: Ótima localização! Em alguns passos eu já estava na Old Town, que é onde tudo acontece em Praga! Além disso, o staff era super amigável e prestativo. Ah, eles oferecem café da manhã. Não é uma maravilha, mas dá pra dar uma economizada.
Pontos fracos: O albergue é meio velhinho, e as portas do banheiro onde tem o chuveiro não têm trancas.
Minha acomodação: Quarto para 4, misto, sem banheiro.
Preço: €19.90

Minha experiência: As indicações de como chegar ao albergue não ficaram muito claras pra mim. Quando cheguei, acabei preferindo pegar um taxi de onde eu estava. Sabia que era muito perto, mas não queria me perder. O motorista fez o favor de ficar dando voltas pro preço ficar maior - e eu nem pude nem tive coragem de reclamar! Chato, muito chato... ainda mais quando, depois de acomodada, saí pra dar uma volta e vi o quanto era ridiculamente perto. Ah, não consegui reservar um quarto só feminino. Foi o primeiro albergue da minha vida, e eu dividi o quarto com três homens - um deles fez o favor de estar só de cueca duas vezes. Oh, well...
Recomendo? Sim. Tem albergues melhores e por preços mais baratos, mas achei que esse valeu a pena, principalmente pela localização.




Viena, Áustria
Pontos fortes: Localização excelente. Excelente! Fica na rua da estação ferroviária principal, onde também passam milhões de linhas de metrôs e ônibus. Você só se perde se estiver muito disposto! Além disso, o albergue é super limpo, bem decorado e com tudo novinho! E o café da manhã... nossa... custa uns 3 euros, mas dá vontade de passar o dia lá comendo.
Pontos fracos: Justamente por ser tudo de bom, o Wombats é muito cheio! Tinha sempre mil pessoas bebendo, jogando sinuca ou fazendo festa no bar.



Minha acomodação: Quarto para 6, feminino, com banheiro.
Preço: €20
Minha experiência: Amei, amei e amei. Me senti totalmente livre pra sair e voltar a hora que eu quisesse, porque sabia que não me perderia por lá. Pessoal super prestativo também. Única fraqueza é que a internet era péssima no quarto, mas pode ter sido só o meu.
Recomendo? Totalmente, com mil estrelas.




Bratislava, Eslováquia
Pontos fortes: Fica relativamente perto da Cidade Antiga, e o staff é bem prestativo!
Pontos fracos: A localização não é das melhores para a chegada, principalmente se você chega lá de trem. Tive que dar uma andadinha boa, por umas ruas nem tão agradáveis. Ah, não tem café da manhã também. Dá pra comprar coisas no balcão, mas não é uma café de verdade e tal.
Minha acomodação: Quarto para 6, feminino, com banheiro.
Preço: € 14,90


Minha experiência: Preferia não ter tido que andar tanto... E o quarto era beeem simples também, mas pelo menos era suíte!
Recomendo? Se, assim como eu, você estiver perambulando pela Europa com uma mochila de 120 litros nas costas e uma menor na frente, não!




Budapeste, Hungria
Pontos fortes: Bem decorado, pessoal gente boa. O hostel é pequeno, então não tem problema de muito barulho ou banheiros lotados. Eles oferecem serviço de lavanderia - que é pago, mas é uma mão na roda!
Pontos fracos: Não tem café da manhã, e a localização ta meio longe de ser boa... além disso, o albergue fica no segundo andar de um prédio que parece abandonado. Macabríssimo!

Imagem ilustrativa :D
Minha acomodação: Quarto para 4, misto, sem banheiro.
Preço: €16
Minha experiência: O único ponto positivíssimo é que minha colega de quarto acabou virando amiga - passamos dois dias juntas lá e corremos de um cara na rua juntas também, hehehe. Realmente, o interior do hotel é uma fofura, mas pela localização e o prédio em si, eu não voltaria pra lá.
Recomendo? Não. Dá pra achar melhores.






Istambul, Turquia
Pontos fortes: Muito bem localizado e limpo. Fica pertíssimo da Blue Mosque e outros pontos importantes. Tem um café da manhã deliciosamente maravilhoso não só pela comida em si, mas porque o restaurante fica no terraço do hotel, com uma vista incrível!
Pontos fracos: Pouco banheiro pra muita gente. Escadas sem fim para chegar até o restaurante (mas vale a pena!).
Minha acomodação: Quarto para 6, misto, sem banheiro. Quarto para 8, feminino, sem banheiro. [Fiquei três noites - uma no misto, e duas no feminino]

Preço: £18
Minha experiência: O recepcionista queria sair comigo a qualquer custo. Fiquei meio assustada, e depois de saco cheio. As filas pra usar o banheiro de manhã e à noite também me incomodaram. Mas ainda assim, gostei. Eles têm serviço de transfer de/para o aeroporto, e a localização realmente era muito maravilhosa pra deixar passar!
Recomendo? Sim, sim. Vai com tudo!






Cardiff, País de Gales
Pontos fortes: Muito bem localizado. Não é extremamente perto do centro, mas nada que 5 minutos andando não resolvam. Ele fica numa área bem quieta. O café da manhã era uma delícia, eles têm uma salinha com milhõooes de filmes (assisti Thor com um broto francês lá) e o staff é uma fofura - como todo mundo que conheci em Cardiff, na verdade! Lá teve até pizza de graça!!!
Pontos fracos: Fiquei no último andar, e tinha uma clarabóia no quarto. No começo achei super fofo, até fazer um sol de lascar e o quarto virar uma fornalha. Nunca esperei ligar um ventilador no Reino Unido (não tinha ar condicionado!), mas precisei mesmo dessa vez.


Minha acomodação: Quarto para 4, feminino, sem banheiro.
Preço: £17
Minha experiência: Na verdade, minha primeira reserva tinha sido pro Nomad Hostel. Cheguei em Cardiff e andei horrores até encontrar o bendito e descobrir que ele não só era no fim do mundo, mas num beco - literalmente! Nem entrei. Dei meia volta, liguei pra uma amiga que já tinha se hospedado em Cardiff, e peguei a sugestão dela de ficar no Riverhouse. Liguei pra lá e graças a Deus eles tinham acomodação disponível! Ah, e na volta pra casa, saí de lá de madrugada. A fofa da recepcionista insistiu pra eu levar uns croissants e umas frutas pra não ficar com fome no meio da noite.
Recomendo? Com certeza!




Belfast, Irlanda do Norte
Pontos fortes: Albergue muito bonitinho e limpo.
Pontos fracos: O albergue às vezes parecia ter um funcionário só - o mesmo carinha que atendia na recepção era o que trocava as roupas de cama dos quartos e o que estava fazendo uns reparos no teto. Isso me incomodou um pouco. Não é tão bem localizado assim... O café da manhã é fraquinho - mas pelo menos tem, né? :D
Minha acomodação: Quarto para 6, misto, sem banheiro.
Preço: £15

Minha experiência: Esse foi mais um que me frustrou quanto à localização. Não era o fim do mundo, mas quando você só tem um dia e meio pra conhecer uma cidade, não quer perder tempo se deslocando muito pra chegar nos lugares.
Recomendo? Não. Vi outros com localização muito melhor.






Cidade de Luxemburgo, Luxemburgo
Pontos fortes: Bem amplo e bonitinho. Café da manhã okay.
Pontos fracos: Pouco banheiro pra muita gente, localização não é das melhores, staff não era tão prestativo quanto nos outros lugares em que fiquei.
Minha acomodação: Quarto para 6, misto, sem banheiro.
Preço: £21.40



Minha experiência: Eu gosto de tomar banho. Muito! Fiquei meio irritada porque, em dois andares de hotel, só havia dois chuveiros femininos funcionando. Que bom que as europeias não são as rainhas da higiene pessoal, acabei nunca tendo que pegar fila. Mas enfim... pelo preço, esperava bem mais! Ah, e tinha um grupo gigante de jovens viajando juntos. Eles eram barulhentos e estavam se conhecendo há pouco tempo, então pareciam pavões - um querendo impressionar o outro. Sou mentalmente velha demais pra essas coisas, então eu queria dar uma voadora em todo mundo inclusive na brasileira periguete que dormiu de vestido e calcinha fio dental no meu quarto, mostrando ao mundo o que ninguém queria ver.
Recomendo? Se eu não me engano, só existem dois albergues em Luxemburgo. Talvez valha a pena tentar a sorte e ver se o outro é melhor um pouquinho.


***

...e é isso! Espero que o post ajude quem pretende fazer umas andanças pela Europa ;)

Se você ainda não viu o vídeo deste mês, ta aqui neste link!

Beijo e até a próxima!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Lágrimas, luxo, lombrigas e lágrimas

Oi, gente! Como vocês estão?

Eu to aqui... sofreeeeendo demais em Praga! Ai, que coisa boa! Nem acredito que já ta acabando... Não vou revelar ainda meu próximo destino, mas quem se arrisca a dar um chute? :D

Passei a noite maravilhosamente bem! O sono era tanto que eu nem dei atenção aos três caras com quem dividi quarto ontem. Acho que eles estavam com mais medo de mim do que eu deles! kkkkkk... Quando acordei hoje, eles já tinham saído. Mas preciso confessar uma situação muito embaraçosa: ontem à noite, eu tava entrando no banheiro (que fica do lado de fora do quarto) quando dois deles chegaram. Eles me cumprimentaram e foram pro quarto. Provavelmente pensando que eu fosse demorar, um deles resolveu trocar de roupa. E aí, o que acontece??? Ana Luiza abre a porta, claaaaaro! O cara tava só de blusa e cueca, coitado. Fiz cara de quem não viu e quase tive que enfiar a cabeça no travesseiro pra não morrer de rir [aliás, to gargalhando sozinha aqui, lembrando da cena!].

Bom, resolvi seguir a sugestão do guia-broto de ontem e dedicar o dia hoje a conhecer o Vyšehrad e o Josefov. Agora traduzindo... Vyšehrad é o nome do castelo onde a família real do império Austro-Húngaro vinha passar férias (Praga era uma das três cidades imperiais, juntamente com Viena e Budapeste). E Josefov é uma área da Velha Praga que era o "gueto" dos judeus.

Mas antes disso, resolvi visitar o Museu do Comunismo. Como amante de história que sou, devorei todas as plaquinhas e textos! Devo ter passado umas 2 horas lá dentro... E como manteiga derretida que sou, deixei rios de lágrima pelos corredores do museu. Ele nem era tão lindo e elaborado assim - já visitei melhores! - mas a história me devastou por dentro. Depois de anos tentando resistir aos ataques Nazistas, a Tchecoslováquia, totalmente fragilizada, acabou virando um alvo fácil para o comunismo.

As consequências foram trágicas. Milhões de pessoas viviam com salários miseráveis; por causa da ênfase na indústria e da diminuição na produção do campo e nas importações de produtos básicos, comprar um pedaço de carne podia ser um grande desafio; milhares de pessoas morreram, foram presas ou simplesmente "desapareceram" por se oporem ao governo - abertamente ou não. Isso sem contar a tensão constante do período da Guerra Fria, principalmente em relação à corrida nuclear.

Chorei horrores sim. Admito. E na verdade, mais do que essa história triste, o que me emociona  mesmo é ver a vitória das pessoas. Nesse aspecto, a gente tem que calar a boca e bater palmas para os Europeus. Em termos de luta popular, eles são imbatíveis! Fotografias mostravam as aglomerações de 1989, quando o comunismo ruiu. Em Novembro, durante uma semana inteira, de 100 a 500 mil pessoas se reuniam todos os dias na Praça Venceslau para lutar contra o regime que já durava 40 anos. Quando saí do museu, fiquei observando os velhinhos no metrô, tentando imaginar quantas histórias aqueles rostos escondiam... Ah, se eu falasse tcheco!

Quem liga pra pobreza do Estado? Os bonitinhos comunistas mandaram
construir essa estátua de Stalin no ponto mais alto da cidade, que depois
foi derrubada pelos cidadãos e substituída por um Michael Jackson
gigante - que também não durou muito...
Reprodução de uma fábrica da época
Um dos lemas do comunismo é que deveria-se
formar cidadãos comunistas deste a infância.
Na escola, crianças aprendiam que o ideal era
viver com o pouco e repudiar qualquer tipo de luxo 
Reprodução de uma sala da época
Charge comunista sobre como funciona a democracia
Americana. Não que eu discorde totalmente...

De lá, a próxima parada foi o Vyšehrad. Minha gente, que coisa mais linda! Jardins impecáveis e uma vista maravilhosa pra toda a cidade. Um contraste gigante com o que eu tinha acabado de ver... 








Foi depois daí que começou o samba-do-crioulo-doido. Em uma cidade desconhecida, as pessoas geralmente entram e saem pelos mesmos lugares, o que diminui a chance de você se perder. Mas eu acho que fazer rotas conhecidas é para os fracos! Depois de rodar que nem um pião no Vyšehrad, saí por um lugar que eu não fazia ideia de onde era. Mas fui andando, andando, andando... e não é que me encontrei?! Meu pai sempre disse que eu não consigo deixar de ser atriz, e acho que isso se aplica muito quando estou viajando. Posso não fazer ideia de onde estou, mas ponho no rosto a expressão mais confiante do mundo e vou me enfiando de canto em canto até me achar. Nem sempre dá certo... já tive que voltar pra casa no carro da polícia uma vez (depois conto a história)! Mas o importante é que estou aqui, né mesmo?

Enfim... depois de finalmente me encontrar, eu teria que andar mais cerca de 4km até chegar ao quarteirão judeu. Fui caminhando na margem do rio, e é claro que começou a chover! Mas guarda-chuva ou ônibus também são para os fracos. Continuei caminhando...

Beleza suprema...
...e fotografando!


"Os prédios dançantes" - é como eles são conhecidos!


Nada demais... apenas noivos andando por aí...
A bela Praga e a Fera eu :)
No meio do caminho, vi essa placa:


...e meus desejos se acenderam! Minha vista escureceu, e só uma coisa ecoava na minha cabeça: Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergilim. De repente, todas as minhas atenções estavam voltadas a encontrar esse Mc Donald's. Na placa parecia tão perto... mas eu acabei indo parar em um lugar totalmente diferente! Como sabia que tinha um perto do Museu do Comunismo, tentei voltar pra lá. Foram 45 minutos caminhando de desespero, com um rombo na barrica e todas as minhas lombrigas chorando por Mc Donald's. Toda vez que eu via um pontinho amarelo em algum lugar, eu já imaginava aquele M maravilhoso! Até que...




Aaaaah, que alegria! Quando estou em outros países, gosto de pedir sanduíches que nunca comi. Pedi um tal de Andyburger, que só tem aqui! Vai dizer que isso não é comida típica??? Sai pra lá, Mc Donald's também é cultura! Fiquei tão à vontade que até tirei o tênis! kkkkk... E a fofa que me atendeu deve ter visto o desespero da minha saga ao olhar nos meus olhos, porque, do nada, ela me deu um sorvete de graça!



Sem brincadeira. Quando eu tava na segunda mordida, entrou um batalhão de crianças do Mc! Tinha no mínimos umas 40 cabeças ali... Se eu tivesse chegado 2 minutos depois, teria que ficar atrás de todo aquele enxame infantil pra conseguir meu amado Andyburger. Comi tudo e fiquei lá jiboiando de alegria até ter forças pra andar de novo.

E lá fui eu pro Josefov. É claro que eu já sabia que ia morrer de chorar também, né? Já tava até psicologicamente preparada. Lá não dava pra tirar foto, mas nunca vou esquecer do que vi! O museu não era dedicado só ao Holocausto, mas à tradição judaica em geral. Logo na entrada, quatro salões traziam nas paredes os nomes de todos os judeus tchecos que foram executados ou desapareceram durante a Segunda Guerra. Comecei a chorar daí, né? Mas o que mais me tocou foram os desenhos feitos por crianças no período do exílio. Alguns retratavam seus medos, outros continham lembranças do que era a vida antes da perseguição Nazista, e outros transbordavam da esperança que eles tinham de um dia voltarem pra casa... desidratei!

Minha última parada foi meio que sem querer. Na volta pra casa, ouvi um som de órgão vindo de dentro de uma igreja, acompanhando uma das vozes femininas mais lindas que já ouvi. Era a Catedral de São Nicolau, uma das mais tradicionais igrejas protestantes de Praga. Estava tendo um culto bem na hora! A mesma mulher com voz de anjo dirigia, cantava e pregava. Que coisa boa passar por ali bem nessa hora! Fiquei lá por uns 20 minutos. Saí apenas quando começou a pregação - porque eu não tava muito afim de praticar meu tcheco, sabe? Mas valeu muito! Lindo de morrer!






No hostel onde fiquei (Prague Square Hostel) eles foram uns fofos e permitiram não só que eu deixasse as mochilas enquanto passeava, mas também que eu usasse a internet e os banheiros mesmo depois do check-out. Então graças a eles, tô aqui postando e feliz por poder tomar um banho antes do meu próximo trem noturno \o/

E pra contrastar com o canto linda da Catedral de São Nicolau, lá vai o último cover que fiz, com Raquel e Mariana. Eu sei que não vai ter jeito... vocês vão rir de nós. Mas ainda assim, reunindo toda a nossa cara de pau, lá vai "Quando Você Passa", de Sandy e Junior!


E é só... amanhã o roteiro já é outro, e eu to super animada! Alguém se arrisca a adivinhar?
Beijão!

domingo, 5 de maio de 2013

Praga das boas...

Oi, todos :)

Há cerca de 5 anos, eu presenciei uma discussão acalorada entre dois irmãos. O motivo: ir ou não a Praga, na República Tcheca. Um deles estava mesmo disposto a convencer o outro - que preferia ir para um destino mais tradicional, como Paris ou Amsterdam. E hoje eu posso me juntar ao coro do irmão pró-Praga, porque eu ESTOU aqui! Minha genteeeee... eu não creio que isso ta acontecendo comigo!

Cada uma das quase 16h passadas dentro daquele trem que me trouxe de Lausanne pra cá valeu a pena. É claro que eu estou mega quebrada e morrendo de sono, mas quem liga pra isso? No trem que peguei, não havia leitos, apenas poltronas dentro de cabines. E não, elas não eram reclináveis. Mas Deus cuida tanto de mim que eu viajei com uma senhora e uma mãe com dois filhos super fofinhos! Tava morrendo de medo de quem seriam meus companheiros noturnos... Olha aí nossa cabine (a foto cortou duas das poltronas, mas dá pra ter uma ideia):


Cheguei aqui por volta das 10:30 da manhã e aproveitei que estava na estação pra trocar logo dinheiro. Fiquei ryyyyyyca! Um euro vale aproximadamente 25 coroas tchecas (moeda daqui). Adorei ficar com aquelas notas gigantes na mão! hihihi...


Como a gênia aqui estava com nenhum mapa na mão, resolvi pegar um taxi até o albergue. Eu sabia que ele ficava muito perto da estação, mas a única pessoa que eu encontrei pra me dar direções tinha um inglês meio macarrônico, e eu não entendi nada do que ela falava. Era algo do tipo "aí você vai ali. E depois, vira ali. E depois lá". Ok, né? Pra não estressar peguei um taxi. E foi aí que o estresse veio mesmo! O cara foi um sacanão do mais alto grau. Ficou visivelmente dando voltar pra sair mais caro! Lá se foram 300 coroinhas tchecas... mimimimimi. Eu sou meio chegada a um barraco, sabe? Mas me segurei, porque sabe lá o que esse homem ia fazer comigo, né? Enfim, respirei fundo e abstraí.

Já era perto de 11h, mas eu pude fazer o check-in, porque o albergue só aceitava entrada depois das 14h. Tudo bem. Pelo menos deu pra deixar uma das minhas mochilas. Fiquei vagando por três horas e meia até conseguir entrar. Conheci a região conhecida como Old Town - que é onde o albergue fica. Foi aqui que Praga "começou", e é lindo ver como eles conservam as construções de muitos séculos atrás!





E quando a larica bateu, resolvi comer uma coisa bem tcheca mesmo. Apelei pro haluškyque é um misturebão de bacon, batata e repolho. E eu sou adpeta da seguinte teoria: se tem bacon, não tem como ser ruim! E não é que eu estava certa?



E pra gorducha aqui tem que ter sobremesa, claro! Que tal um trdelnik? É uma massa que eles enrolam em rolos de madeira e assam. Depois colocam açúcar por cima. Simples e delicioso!




Bom, enfim era hora de fazer o check-in! Entrei no meu quarto lindo e cheiroso! Lençol rosinha e tudo. Olhei pra cama do lado (são dois beliches), e vi sapatos masculinos. Ok. Tem um cara aqui. Olhei pra cama em cima daquele e vi camisas masculinas. Sem problema, dois caras. E pra minha surpresa, quem é a quarta e última pessoa que entra no quarto? Sim, mais um cara! Ana Luiza Augusto hoje vai dormir com três homens. Se essa informação se espalhar torta, não vai dar certo... Mas é isso aí! Quem se arrisca a mochilar tem que estar pronto pra essas coisas!


À tarde, apesar de todo o meu corpo doer - dos dedos dos pés ao meu último fio de cabelo - eu resolvi encarar um passeio de bicicleta. Cheguei lá com uns 15 minutos de antecedência. O passeio não precisava de reserva nem nada, mas fiquei esperando as outras pessoas chegarem. Mas adivinhem quem aparecer? Nin-guém! Claro! Quem é que vai se abalar de bicicleta num domingo à tarde? Só eu mesmo!

De verdade, depois de 2h30 bicicletando por esta cidade cheia de subidas e descidas, eu to completamente quebrada. Sabe quando você respira fundo e tudo dói? Fui dar um espirro e quase senti as tripas saindo pelo ouvido... Mas valeu a pena demais! Além de Praga ser muito mais linda do que eu jamais imaginei, meu guia era um... adivinhem... aquele tipo de pessoa que [felizmente!] sempre cruza o meu caminho... um broto, minha gente! Um mega brotooooo!

Ok. Isso tem seu lado ruim também. Além dele ter visto minhas proezas cada vez que eu tentava subir na bicicleta - que era bem maior do que eu! - e aturar o fato de que nas subidas eu saía da bicicleta na cara de pau e começava a carregar, toda a vez que ele olhava pra trás pra me falar alguma coisa, eu tava fazendo aquelas caretas de dor e desespero! kkkkkkkkkkkk... Que cena, meu pai! Ah, mas vamos ver pelo lado bom: mesmo quando a vista não era das mais maravilhosas, eu ainda tinha um colírio ao meu redor! Palmas para o Andrew, essa beldade vinda direto dos Estados Unidos - e ótimo guia! Manda demais de história!!!


E vamos às fotos do passeio! Não vou colocar legendas porque tá muito tarde e eu já to quase babando em cima do computador. :






 
Este memorial às vítimas do comunismo é dedicado a todas as vítimas,
não só àquelas que foram presas ou executadas
mas também aqueles cujas vidas foram arruinadas
pelo despotismo totalitário.







Ainda com o sono, tem uma historinha que eu quero contar! Esse carinha aí da estátua é o St. John - padre da corte do rei Venceslau IV. Diz a lenda que o rei insistia pra que ele lhe contasse qual era a confissão que sua esposa fazia, já que ele suspeitava que ela o estava traindo. Depois de ser torturado até quase a morte, ele disse que contaria apenas a uma alma viva qual era a confissão da rainha. O rei ordenou que todos saíssem do quarto pra que ele escolhesse a quem contaria (esperando que essa mesma pessoa diria pra ele, depois). E ele cumpriu sua palavra, mas contando a confissão pra um cachorro! kkkkkk... Arrasooooou! Pena que o rei não gostou da brincadeira e o jogou da ponte Charles, que é onde a estátua fica.


Dizem que quem toca o cachorrinho que fica ao pé da estátua tem boa sorte e um dia volta a Praga! Eu não acredito em sorte nem que uma estátua vá me fazer voltar, mas adoro tradições locais! E não podia perder a oportunidade de fazer um carinho num cachorro, né? Delíciaaaa...


Terminei o passeio morta de cansada, mas feliz por ter conseguido completar o percurso! Como presente, me dei um sorvete de pistache :D


Agora à noite, resolvi rangar uma coisa típica também! Pedi um vepřo-knedlo-zelo, que é um prato de porco ao molho acompanhado desse pão mais delícia que eu já comi na vida e repolho. Tava muito bom mesmo! E foi bem baratinho! Pra comer foi uma facilidade, mas nem pede pra eu pronunciar esse nome que não saiu de jeito nenhum! hehehe...


E por hoje é só! Escrevi um monte, né? Parabéns pela paciência de ler até aqui :D
...e amanhã tem mais Praga!!!

Beijo!